domingo, 15 de setembro de 2013

Santo de casa

Foto: Moises Nascimento/AGIF/Folhapress
Foram apenas dois jogos, mas as duas vitórias do São Paulo sob o comando de Muricy Ramalho tiraram a equipe da Zona de Rebaixamento, onde o Tricolor do Morumbi estava desde a 14a rodada. O 2 a 0 sobre o Vasco não teve nada de brilhante: foi a vitória de uma equipe animicamente superior ao que vinha apresentando e que soube explorar as dificuldades do adversário. Muricy conhece os atalhos do Brasileirão de pontos corridos como ninguém: foi tricampeão entre 2006 e 2008. Claro que tinha um bom time, mas também foi um dos primeiros a conseguir explorar da melhor forma as limitações dos clubes brasileiros. O futebol do país está nivelado por baixo e, com raras exceções, é mais fácil jogar no erro do adversário do que tentar propor o jogo, seja qual for o adversário e até mesmo se o jogo for em casa.

O SP parece mais organizado defensivamente e mais disposto do que sob o comando de Autuori. Mesmo com Jadson, Ganso, Osvaldo e Luís Fabiano como titulares, Muricy não abriu da marcação. Jadson e Osvaldo atuaram abertos, acompanhando os laterais, enquanto Ganso e até mesmo Luís Fabiano por diversas vezes davam combate nos volantes. Embora tenha tido posse de bola e ímpeto ofensivo, a equipe carioca comandada por Dorival Jr. só conseguiu assustar durante alguns minutos no começo do segundo tempo. Com Juninho recuado para volante, a equipe chegou em velocidade pelos lados com bons lançamentos do Reizinho. Mas a reação do time carioca, que perdia por 1 a 0, foi enterrada após um erro individual do goleiro, que socou uma bola para trás dentro da área e permitiu a Antônio Carlos fazer o 2 a 0.

Curiosamente, das 6 vitórias do SP até aqui no campeonato, 4 foram sobre as mesmas equipes: assim como no returno, quando venceu Ponte Preta e Vasco, a equipe havia vencido os mesmos adversários na largada do Brasileiro. Agora, Muricy ganha um pouco de tranquilidade para ajeitar o time, pelo menos até o próximo jogo na quarta-feira, contra o Atlético-MG no Morumbi. Já Dorival Jr., que fazia bom trabalho recuperando esse limitadíssimo time do Vasco, após uma sequência de resultados ruins entra no Z-4. O fôlego conquistado com bons jogos e algumas vitórias, inclusive em clássico contra o Fluminense, vai pelo ralo. A pressão é grande, mas no meio de semana a equipe volta a jogar em casa, dessa vez contra o Vitória, que vem em declínio no campeonato. Se o Cruzmaltino vencer, empata em pontos com o Leão e trás os baianos de vez para a luta contra a degola.

A GANGORRA DA DUPLA GRE-NAL

 O RS está bem representado no campeonato: as duas equipes do Estado estão entre os 5 primeiros colocados, com reais chances de conquistar uma vaga na Libertadores. A julgar pelos adversários (Botafogo, que tem histórico de morrer na praia, Atlético-PR, que pode ser cavalo paraguaio, e o Corinthians, que não consegue engrenar), pode ser que até mesmo os dois conquistem vaga na maior competição do continente. Mesmo com todos os problemas que apresentam. Nesse final de semana, mais uma vez os dois foram contra os prognósticos. Quando esperava-se que o Grêmio poderia engrenar com uma boa vitória no dia do aniversário de 110 anos contra o Atlético-MG, de Ronaldinho,  os comandados de Renato são superados por 1 a 0. Já o Inter de Dunga, após dois resultados ruins em casa, numa semana em que teve que jogar terça e quinta-feira, conquista uma vitória importante sobre o Criciúma, que vinha renascendo no campeonato. Com tantos altos e baixos, pensar em título para algum dos times da Dupla é arriscado, mas uma Libertadores é bem possível, mesmo com as limitações.

As dificuldades das duas equipes são bem distintas. Enquanto o Inter tem o segundo melhor ataque, o time de Renato sofre para fazer gols em casa. Nesse domingo, sem Kléber, Elano e Maxi, faltaram opções de maior qualidade para o treinador gremista quando precisou colocar o time mais à frente. Já o Colorado tem problemas atrás: é a sétima pior defesa do campeonato, enquanto o Tricolor tem a terceira melhor. Dunga acerta ao dar sequência de jogo a Otávio, mesmo com Alex à disposição. O garoto está no seu momento e mesmo que oscile durante os jogos, o que é normal nessa fase, tem muito a crescer, enquanto os outros atletas já se sabe a resposta que irão dar. Já o time de Renato mostra uma postura cada vez melhor fora de casa, sabendo se aproveitar dos erros dos adversários, como no jogo contra o Náutico. Mas precisa descobrir como se impor atuando na Arena. Mais uma vez, quando encarou um time de qualidade, caso do Galo, foi superado sem tanta dificuldade como deveria ser para alguém dentro da Arena. Victor teve boa atuação, é verdade, mas ainda assim o time de Renato joga por uma bola. Quando Vargas errou, logo a equipe foi punida com o gol do Atlético-MG.

CHEIRO DE TÍTULO

É cedo ainda, mas o campeonato se oferece cada vez mais ao Cruzeiro, equipe que assombra pela regularidade. E a tabela pode ajudar os mineiros a dispararem. Nesse sábado, o time de Marcelo Oliveira venceu o Atlético-PR, 1 a 0, no Mineirão. Apesar das dificuldades impostas pelos paranaenses, a equipe soube fazer o score necessário (poderia ter sido 2 a 0 se um gol de Ricardo Goulart não fosse mal anulado - veja o lance aqui). Nos próximos jogos, a Raposa recebe o Botafogo, vice-líder, e que também vive bom momento; na sequência, encara dois jogos fora contra os irregulares Corinthians e Inter. Pode abrir grande vantagem; uma vitória sobre os cariocas faria o time disparar na liderança, e dois empates ou uma vitória nos jogos fora de casa atrasaria dois rivais na briga pela Libertadores.

Além da grande campanha do Cruzeiro, é de se ressaltar também o que o Botafogo faz no campeonato. Com jogadores como os contestados Bolívar e Marcelo Mattos entre os titulares e um ataque formado por garotos e desconhecidos, casos de Hiury, Rafael Marques e Elias (o time ainda perdeu a revelação Vitinho, vendido para o CSKA/RUS), Oswaldo de Oliveira vai mantendo o Alvinegro na briga não só pela Libertadores, mas também pelo título. Ao contrário de outros anos, quando perdia força nessa fase do campeonato, o Botafogo parece mais encorpado, esperto contra as arapucas do Brasileirão. Dessa vez, assim como havia feito contra o Criciúma em SC, o time soube atuar fora de casa contra um adversário limitado e conquistou a vitória. Já são 3 em sequência contando ainda o triunfo do meio de semana contra o Corinthians. A fase do Cruzeiro o credencia muito ao título, mas se a Raposa relaxar o Fogão está com cara de quem pode complicar...
 
SÉRIE D

Quem não conhecesse os clubes brasileiros e visse Vasco x São Paulo simultaneamente a Metropolitano/SC e Juventude não saberia dizer qual jogo era da primeira e qual era da quarta divisão. Não pela qualidade dos times da Série D, mas pela falta dela na principal divisão do futebol. E há de se dizer, ainda, que em emoção Metropolitano e Ju ganhava disparado. Valendo vaga nas semifinais e um lugar garantido na Série C em 2014, a partida foi intensamente disputada, e o Ju conquistou boa vantagem com o empate em 2 a 2 para a partida decisiva no Alfredo Jaconi. Ao contrário do mata-mata anterior, quando havia perdido por 1 a 0 para o Londrina no Paraná e sofreu para reverter o placar em casa, o time de Lisca marcou gols fora de casa e esteve perto de vencer. Abriu 1 a 0, cedeu o empate, fez 2 a 1, mas novamente permitiu a igualdade. Para o jogo da volta, o time precisa ter a cabeça no lugar e saber jogar com o regulamento, mas também não pode relaxar e dar mole para o Metropolitano. Tem que jogar para vencer e nos minutos finais, aí sim, é encher o time de defensores e jogar a bola para o mato.

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