domingo, 29 de setembro de 2013

Panela de pressão

Não sou a favor da troca de técnicos como ocorre no Brasil: basta uma série ruim de 3 ou 4 jogos (as vezes até mesmo menos) e o técnico é mandado embora. Acredito que um treinador que conhece o grupo de jogadores há algum tempo e sabe o potencial de cada um tem, em tese, maiores chances de conseguir reerguer a equipe. Na pior das hipóteses, recomenda-se esperar o fim da temporada para então trazer um novo profissional e recomeçar o trabalho. Mas acho que em algumas situações exige-se uma mudança. Foi o caso do São Paulo, por exemplo: Paulo Autuori sequer deveria ter sido contratado, e claramente não estava conseguindo fazer a equipe reagir. Pelo contrário: sob seu comando, o Rebaixamento seria praticamente certo. Era imperativo que um novo comandante viesse, e a escolha de um técnico como Muricy Ramalho, um dos melhores do País e que conhece o clube, não foi uma aposta, o que facilitou a rápida ascensão do Tricolor do Morumbi. No Inter, apesar dos resultados ruins de Dunga, não sei se o melhor seria substituir o técnico agora. A derrota para o Cruzeiro nesse domingo é dolorida, claro que sim, mas deve-se levar em conta que com os problemas apresentados atualmente pelo time gaúcho, perder para a Raposa, que assombra pela regularidade na competição, não é nada de tão absurdo. No entanto, se o Colorado estiver querendo garantir alguém para a próxima temporada, e esse é o caso de Abel Braga, deveria fazer a troca já. Se algum clube quiser Abel é bom que garanta logo o treinador, pois ele não deve ficar muito tempo sem trabalho. Além dos times brasileiros, Abel tem mercado no Exterior e, especialmente, no mundo Árabe. Entre todos os times a perigo no Brasileirão e suas torcidas insatisfeitas, nenhum treinador sofre tanta pressão hoje quanto Tite, do Corinthians.

Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com
A derrota desse domingo do Timão, 4 a 0 para a Portuguesa, é a gota d'água para deixar claro que o grupo não está mais reagindo ao comando do técnico. O próprio Tite parece abatido, desacreditado. Até a rodada anterior ainda acreditava no Timão reagindo e brigando pelo G-4, mas a derrota para a Lusa é daquelas que servem como marco. O Corinthians não conseguirá nada esse ano, e se continuar com Tite da forma como as coisas estão ainda corre risco de Rebaixamento (a distância para o Z-4 é de apenas 6 pontos nesse momento). Um novo técnico poderia dar uma renovada nos ares, na forma de trabalhar, nos treinamentos, enfim, na rotina. Os jogadores parecem estafados com o discurso de Tite, e apesar de toda a inteligência e qualidade do técnico ele parece não conseguir mais mobilizar os atletas. 

VISITANTES INDIGESTOS

O fator casa tem se mostrado traiçoeiro nesse Brasileirão. Como as equipes do futebol brasileiro atual tem mais facilidade em destruir ataques do adversário do que criar lances de perigo, atuar com o apoio da torcida acaba provocando uma pressão extra. Especialmente quando o time mandante não consegue se impor e a impaciência toma conta das arquibancadas. Os adversários cada vez mais estão descobrindo como utilizar isso a seu favor. Nesse domingo, dos 10 jogos da rodada, 5 foram vencidos por visitantes:

Goiás 1 x 2 Fluminense
Botafogo 0 x 1 Ponte Preta
São Paulo 0 x 1 Grêmio
Inter 1 x 2 Cruzeiro
Atlético-PR 3 x 5 Vitória

Entre os mandantes, apenas São Paulo e Inter estavam abaixo dos seus adversários na tabela, e como esses jogos são clássicos nacionais, a vitória dos visitantes até não é de grande surpresa. Mas nos outros três jogos, Goiás, Botafogo e Atlético-PR eram franco favoritos e fracassaram. O Esmeraldino sofreu com desfalques e pagou o preço de ter um grupo limitado; o Alvinegro carioca mais uma vez decepcionou frente a sua torcida e praticamente deu adeus a luta pelo título (a vantagem do Cruzeiro para Grêmio e Botafogo, empatados na vice-liderança, agora é de 11 pontos!); e o Furacão perdeu uma ótima oportunidade de pontuar contra o Vitória, que havia vencido apenas duas vezes fora de casa e perdido outras sete.

O jogo entre Atlético-PR 3 x 5 Vitória, aliás, foi o destaque da rodada. No primeiro tempo, os baianos abriram 3 a 0. Na volta do intervalo, em 12 minutos (entre os 11 e os 23), o Furacão empatou. Mas o dia era mesmo da equipe de Ney Franco, que marcou duas vezes em 3 minutos (aos 37 e 40) e confirmou uma grande vitória.

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