domingo, 29 de setembro de 2013

Panela de pressão

Não sou a favor da troca de técnicos como ocorre no Brasil: basta uma série ruim de 3 ou 4 jogos (as vezes até mesmo menos) e o técnico é mandado embora. Acredito que um treinador que conhece o grupo de jogadores há algum tempo e sabe o potencial de cada um tem, em tese, maiores chances de conseguir reerguer a equipe. Na pior das hipóteses, recomenda-se esperar o fim da temporada para então trazer um novo profissional e recomeçar o trabalho. Mas acho que em algumas situações exige-se uma mudança. Foi o caso do São Paulo, por exemplo: Paulo Autuori sequer deveria ter sido contratado, e claramente não estava conseguindo fazer a equipe reagir. Pelo contrário: sob seu comando, o Rebaixamento seria praticamente certo. Era imperativo que um novo comandante viesse, e a escolha de um técnico como Muricy Ramalho, um dos melhores do País e que conhece o clube, não foi uma aposta, o que facilitou a rápida ascensão do Tricolor do Morumbi. No Inter, apesar dos resultados ruins de Dunga, não sei se o melhor seria substituir o técnico agora. A derrota para o Cruzeiro nesse domingo é dolorida, claro que sim, mas deve-se levar em conta que com os problemas apresentados atualmente pelo time gaúcho, perder para a Raposa, que assombra pela regularidade na competição, não é nada de tão absurdo. No entanto, se o Colorado estiver querendo garantir alguém para a próxima temporada, e esse é o caso de Abel Braga, deveria fazer a troca já. Se algum clube quiser Abel é bom que garanta logo o treinador, pois ele não deve ficar muito tempo sem trabalho. Além dos times brasileiros, Abel tem mercado no Exterior e, especialmente, no mundo Árabe. Entre todos os times a perigo no Brasileirão e suas torcidas insatisfeitas, nenhum treinador sofre tanta pressão hoje quanto Tite, do Corinthians.

Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com
A derrota desse domingo do Timão, 4 a 0 para a Portuguesa, é a gota d'água para deixar claro que o grupo não está mais reagindo ao comando do técnico. O próprio Tite parece abatido, desacreditado. Até a rodada anterior ainda acreditava no Timão reagindo e brigando pelo G-4, mas a derrota para a Lusa é daquelas que servem como marco. O Corinthians não conseguirá nada esse ano, e se continuar com Tite da forma como as coisas estão ainda corre risco de Rebaixamento (a distância para o Z-4 é de apenas 6 pontos nesse momento). Um novo técnico poderia dar uma renovada nos ares, na forma de trabalhar, nos treinamentos, enfim, na rotina. Os jogadores parecem estafados com o discurso de Tite, e apesar de toda a inteligência e qualidade do técnico ele parece não conseguir mais mobilizar os atletas. 

VISITANTES INDIGESTOS

O fator casa tem se mostrado traiçoeiro nesse Brasileirão. Como as equipes do futebol brasileiro atual tem mais facilidade em destruir ataques do adversário do que criar lances de perigo, atuar com o apoio da torcida acaba provocando uma pressão extra. Especialmente quando o time mandante não consegue se impor e a impaciência toma conta das arquibancadas. Os adversários cada vez mais estão descobrindo como utilizar isso a seu favor. Nesse domingo, dos 10 jogos da rodada, 5 foram vencidos por visitantes:

Goiás 1 x 2 Fluminense
Botafogo 0 x 1 Ponte Preta
São Paulo 0 x 1 Grêmio
Inter 1 x 2 Cruzeiro
Atlético-PR 3 x 5 Vitória

Entre os mandantes, apenas São Paulo e Inter estavam abaixo dos seus adversários na tabela, e como esses jogos são clássicos nacionais, a vitória dos visitantes até não é de grande surpresa. Mas nos outros três jogos, Goiás, Botafogo e Atlético-PR eram franco favoritos e fracassaram. O Esmeraldino sofreu com desfalques e pagou o preço de ter um grupo limitado; o Alvinegro carioca mais uma vez decepcionou frente a sua torcida e praticamente deu adeus a luta pelo título (a vantagem do Cruzeiro para Grêmio e Botafogo, empatados na vice-liderança, agora é de 11 pontos!); e o Furacão perdeu uma ótima oportunidade de pontuar contra o Vitória, que havia vencido apenas duas vezes fora de casa e perdido outras sete.

O jogo entre Atlético-PR 3 x 5 Vitória, aliás, foi o destaque da rodada. No primeiro tempo, os baianos abriram 3 a 0. Na volta do intervalo, em 12 minutos (entre os 11 e os 23), o Furacão empatou. Mas o dia era mesmo da equipe de Ney Franco, que marcou duas vezes em 3 minutos (aos 37 e 40) e confirmou uma grande vitória.

sábado, 28 de setembro de 2013

A importância do treinador

Os treinadores dos times de futebol não entram em campo, é verdade. Eles não erram/acertam passes e cobranças de falta, não fazem os gols decisivos. Embora os atletas sejam as peças mais importantes, o trabalho do treinador é fundamental. E isso já se justificou ao longo da história com equipes que não eram favoritas chegando a decisões importantes muito graças ao seu técnico: como o Grêmio de Mano Menezes, em 2007, que eliminou os favoritos Santos e São Paulo na Libertadores até parar no super-time do Boca Jrs./ARG; e o Inter de Abel Braga, em 2006, campeão da Libertadores e do mundial contra o favorito Barcelona/ESP. Em outros casos, equipes renomadas, como a Seleção Brasileira de 2006 e diversas equipes do Real Madri/ESP nas temporadas recentes, deixaram de ir mais longe ou decepcionaram pela forma como perderam pela falta de comando. É claro que em alguns casos, quando o time é muito bom comparado aos demais do campeonato, como o Barcelona no Espanhol do ano passado, o papel do técnico é não atrapalhar. Mesmo sem Tito Vilanova durante alguns jogos na temporada (afastado por problemas de saúde), e que já era auxiliar de Guardiola e foi promovido a técnico, o time seguiu sobrando e conquistou o título nacional. Mas na Liga dos Campeões, competição muito mais difícil e recheada de grandes equipes, o Barça parou no Bayern de Munique/ALE, aliás, foi atropelado pelos Bávaros. Em nenhum momento dos dois jogos a equipe catalã foi superior e chegou a dar esperanças ao torcedor. Especialmente no jogo da volta, o time pareceu claramente sem comando. Entrou com a mesma escalação, a mesma postura de toque de bola de outros jogos, conformada com o fato de que a classificação já era. No segundo tempo, o Barça se desorganizou e levou 3 gols.

Em Porto Alegre, mais uma vez a dupla Gre-Nal aposta em ídolos, em "profissionais identificados com o clube", como gostam de dizer os dirigentes. O Grêmio voltou a recorrer a Renato após a primeira passagem dele pelo clube ter sido bastante proveitosa; já o Inter resolveu chamar Dunga para um papel semelhante ao que ele desempenhou na Seleção Brasileira: dar disciplina a um grupo bom de jogadores e torná-lo competitivo. O gremista Renato tem menos tempo de trabalho, assumiu apenas no meio do ano, durante a pausa para a Copa das Confederações; já Dunga teve o ano inteiro para trabalhar e pode escolher os jogadores do elenco. Embora as equipes façam campanhas boas no Brasileirão (apesar de tudo, lutam pelo G-4, não é verdade?) as torcidas da Capital gaúcha estão insatisfeitas. E não é porque o torcedor é muito exigente, mas, sim, pelo que ele tem visto dentro de campo.


MUDANÇA DE ESTILO

Foto: Arena/Gustavo Magnusson
Os problemas no Inter parecem mais claros que os do seu rival, mas ainda assim Dunga não consegue estancá-los. Claramente, no duelo contra o Atlético-PR pela Copa do Brasil, em que quase todo o grupo estava à disposição, o time se mostrou desorganizado e com enormes problemas defensivos, como em diversos outros jogos da temporada. A defesa com Gabriel, Índio, Juan e Kléber sofre com a parte física. Não é ser preconceituoso, mas quatro atletas com mais de 30 anos no mesmo setor do time apresentam uma queda de desempenho durante os jogos muito grande, sem falar nas lesões. Kléber e Índio passaram boa parte da temporada no estaleiro, Juan já foi poupado em algumas ocasiões e Gabriel teve lesão grave e ficou meses fora do time. O problema está nas alternativas. Ednei não correspondeu, Ronaldo Alves e Alan são fracos e Fabrício tem muita força física, mas pouca inteligência para jogar. Sem falar que perdeu a cabeça em alguns jogos e foi expulso, prejudicando a equipe. Com isso, apesar do risco da escalação de uma defesa com Gabriel, Índio, Juan e Kléber, dá para entender a escolha de Dunga por esses quatro. A não ser que existam jogadores na base com potencial para serem testados no time de cima. O problema, nesse caso, foi na montagem do elenco, do qual Dunga tem culpa, apesar de ela ser menor que a da direção. Além de Gabriel, vieram Hélder e Ednei para a lateral-direita, duas apostas que deram errado. Na zaga, após a saída de Moledo não veio ninguém. Com as lesões de Índio a vaga caiu no colo de Ronaldo Alves, que é muito fraco, e até mesmo chances pingaram para Alan, que é jovem e tem potencial, mas ainda precisa ser lapidado. Na esquerda, Kléber e Fabrício não conseguiram mostrar o futebol apresentado anteriormente, sendo nesse caso a culpa dos atletas é maior que a da direção.

No meio-campo, vieram Airton e Willians. O primeiro sofreu com problemas físicos, enquanto o segundo sofre com questões técnicas. Assim como na época do Flamengo, Willians é um touro marcando, desarmando e combatendo, mas tem sérias dificuldades para acertar passes fáceis. Sem falar que em determinados momentos lembra o Guiñazu pela desorganização do seu posicionamento em campo. Ygor seria uma boa opção, mas é outro que passa mais tempo no Departamento Médico do que à disposição de Dunga. Josimar foi o volante mais regular na temporada e fez bons jogos. Mas é mediano, quando o time está bem e organizado ele irá bem, mas quando as coisas vão mal, ele cairá com o time. No meio, D´Alessandro joga grande temporada; lhe falta um companheiro. Nesse momento, a vaga deveria ser de Otávio, que tem jogado mais do que Alex e Jorge Henrique. No ataque, Leandro Damião e Forlán decepcionam; Scocco recém chegou e ainda se adapta ao futebol brasileiro, mas está muito melhor do que a dupla titular. Contra o Atlético-PR, até mesmo Caio foi bem melhor que Forlán e Damião. Assim como no caso de Renato com Barcos, falta a Dunga "desapegar" de Forlán e Damião e dar chances a quem está melhor.

Embora o técnico Colorado tenha muitas limitações no seu grupo, está claro que o time precisa mudar. E a mudança não é anímica, pois o time tem lutado e buscado os resultados, como fez diversas vezes na temporada quando saiu atrás do placar. O Inter precisa de mexidas táticas, na sua estratégia de jogo. Com o cenário atual, montaria o Inter com Allison (foi melhor que Muriel quando teve oportunidades); Jorge Henrique (precisa estar no time pela entrega, mas não tem acrescentado no meio), Ygor (ou Índio), Juan e Fabrício (pelo menos tem mais imposição física que Kléber); Josimar, Willians, Alex e D´Alessandro; Otávio e Scocco. Os laterais seriam orientados a subirem alternadamente, não como tem feito agora quando Gabriel e Kléber sobem juntos. Os volantes só marcariam e Josimar teria um pouco mais de liberdade para ir à frente. Alex e D´Ale seriam organizadores e explorariam os chutes da entrada da área, enquanto Otávio e Scocco fariam um ataque veloz, com Caio como opção. Claro que é uma escalação que será contestada, e será difícil segurar um vestiário com nomes renomados no banco, mas acho que os treinadores precisam assumir o momento ruim de alguns jogadores e mexer. Se continuar apresentando o que foi visto até aqui, o Inter pode chegar no G-4, mas precisará de uma queda dos rivais para compensar seus problemas. E, na Copa do Brasil, dificilmente chegará ao título.

RENATO "ROTH"?

Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com
O Grêmio decepciona pela forma como Renato arma a equipe. Particularmente, acredito que se fosse para trazer um técnico defensivista e pragmático, como Renato tem se mostrado, era melhor chamar Celso Roth. O técnico do Tricolor segue apostando em Barcos em momentos nos quais se percebem que o atleta não tem forças para corresponder; arma um time que marca muito e com a bola tem pouca ou nenhuma criatividade. Joga pelos lados, realizando triangulações e tabelas e cruzando a bola para a área. A alternativa do 3-5-2 foi bastante interessante pelo momento do time e pelas ausências. Mas foi um esquema que se esgotou rapidamente, especialmente pelas quedas de Ramiro, Riveros e Alex Telles. Zé Roberto voltou, entrou no time e não agradou. Perdeu a vaga e sequer entrou nas últimas partidas. Agora, há também Elano e Vargas como alternativas, mas esses dois não convenceram ao longo de toda a temporada e nem podem reclamar que não tiveram chances.

No cenário atual, acho que Renato deve abandonar os três zagueiros. Os laterais defendem bem, como mostraram contra o Corinthians, e um meio-campo combativo e participativo pode fortalecer a defesa, não há a necessidade de 3 beques centrais. Com o que tem em mãos, Renato pode formar uma linha de quatro com Pará, Werley (Bressan), Rhodolpho e Alex Telles. No meio, Souza está muito bem na primeira função; seu parceiro poderia ser Riveros ou Ramiro. Na meia, gostaria de ver Zé Roberto e Maxi, com o uruguaio atuando como organizador do time. Mas como ele é o estrangeiro menos badalado e provavelmente será preterido, acho que Elano ou Vargas poderiam fazer a função de um meia mais agudo, o que Zé Roberto não faz tanto. Outra alternativa de Renato seria abrir Zé e Paulinho na linha de meio-campo, deixando Kléber e Barcos ou Vargas no ataque. Pode ser um time equilibrado, embora também se deva reconhecer que as opções do treinador não são muitas. Acho que a principal tarefa de Renato nessa reta final de temporada é recuperar Zé, Elano e Vargas. Com os três em boa forma, o Tricolor tem chances muito mais reais de se garantir no G-4 e até mesmo brigar pelo título na Copa do Brasil.

R10: MAIS UMA VÍTIMA DO CALENDÁRIO?

Uma lesão na coxa pode tirar Ronaldinho, do Atlético-MG, do resto da temporada, incluindo o Mundial de clubes no Marrocos em dezembro. Péssima notícia para o futebol brasileiro e, claro, especialmente para o Galo. Sem ele, Cuca terá que reinventar a forma do time jogar ou encontrar dentro do seu elenco alguém que faça o papel de R10 - obviamente que é para fazer uma função parecida, a qualidade será muito menor. É uma pena, mas talvez seja mais uma consequência do excesso de jogos provocado pelo calendário. A lesão não foi decorrência de uma pancada, logo há essa possibilidade. Vale lembrar que Alex, do Coritiba, e Zé Roberto, do Grêmio, tiveram as primeiras lesões musculares da carreira em 2013! É claro que são jogadores com idade avançada, mas o calendário precisa ser revisto e os jogadores têm que manter a sua posição firme contra o que foi apresentado para 2014, até mesmo considerando a possibilidade de uma greve. A Copa do Mundo não pode cobrar o preço dos atletas, que precisarão jogar o mesmo número de jogos com um mês a menos no ano (durante o Mundial as competições ficam suspensas).

JUSTIÇA SEJA FEITA

A Aparecidense/GO, aquele time que o massagista invadiu o campo e evitou o gol do Tupi/MG na Série D, foi excluída do campeonato. Decisão perfeita, o primeiro passo para diminuir essa várzea que existe no futebol brasileiro. Gândulas escondendo bolas, pessoas invadindo o campo, estádios sem água no vestiário, esse tipo de coisa tem que acabar em todas as divisões e campeonatos profissionais. Todos os times têm gastos, pagam salários, planejam patrocínios, e se uma equipe perder tem que ser dentro de campo e não por interferências externas.

domingo, 22 de setembro de 2013

Grandes a perigo

Após quatro rodadas do returno, o Brasileirão embolou de vez do meio para o final da tabela. A irregularidade das equipes proporciona gangorras como a do Atlético-MG, que subiu 8 posições em 4 rodadas, saltando do 16o para o 8o lugar; ou a do Corinthians, que nas mesmas quatro rodadas despencou da 5a para a 11a colocação. Mas é preciso cuidado nas análises: assim como o Galo, na minha opinião, nunca correu risco de Rebaixamento, mesmo estando perto das últimas colocações, o Timão continua candidato a uma vaga na Libertadores, embora cada ponto perdido reforce os cálculos da torcida na busca do G-4. A história recente já mostrou que é bom não duvidar do que esse grupo dirigido por Tite é capaz.

Dupla Carlos Eduardo (E) e Marcelo Moreno é uma das
grandes decepções do futebol brasileiro em 2013.
Foto: Portal Redetribuna
Na luta contra o Rebaixamento, Bahia, Vitória e Portuguesa deram uma bela reagida nas últimas rodadas, enquanto Vasco e Flamengo pararam no campeonato. O Rubro-Negro ainda teve sua crise agravada após a estranha saída de Mano Menezes. Embora as suas explicações sejam "aceitáveis", todos sabem que o treinador é inteligente o suficiente para imaginar antes da sua contratação o cenário que iria encarar. A diretoria não trouxe reforços, as principais contratações do clube para a temporada - Carlos Eduardo e Marcelo Moreno - não corresponderam como o esperado e o treinador se viu sem peças. E o principal: ao contrário de outros grupos, Mano não tinha "bruxos" no Fla, como já teve no Grêmio e no Corinthians. Atletas da sua confiança, que por pior que jogassem morreriam dentro de campo defendendo a camisa do clube e obedecendo fielmente às ordens do treinador. O Vasco está um pouco mais organizado dentro de campo e até não tem jogado tão mal, mas o cenário exterior agrava o desempenho dentro das quatro linhas. Há um nervosismo muito grande por o clube recentemente ter jogador a Série B, somado aos atrasos no pagamento de salários e até mesmo um anúncio de Eurico Miranda de que ele irá concorrer nas próximas eleições para presidente do Cruzmaltino. Se conseguir que o extra-campo deixe de interferir tanto no jogo da equipe, Dorival Jr. conseguirá manter o clube na primeira divisão.

ABEL BRAGA VEM AÍ?

O torcedor Colorado perdeu a paciência de vez com o time. Tudo porque, assim como em anos anteriores, o Inter cresce nos grandes jogos e perde pontos para times ruins. Das 5 derrotas no campeonato, duas foram para o Bahia e as outras contra Náutico, Santos e nesse domingo para a Portuguesa. Times medianos, que flertaram (e ainda irão flertar até o fim do campeonato) com o Rebaixamento em muitas rodadas, além do Náutico, lanterna desde a 10rodada e que venceu apenas duas vezes na competição. Aliás, essa era uma característica mostrada por Dunga já quando esteve comandando a seleção Brasileira. O time se tornava um Leão contra os grandes adversários, mas não passava de um gatinho assustado contra equipes do porte de uma Bolívia, como naquele 0 a 0 no Engenhão pelas Eliminatórias de 2008, lembra? Se não, relembre aqui. Com isso, crescem as especulações em torno do nome de Abel Braga, desempregado desde que saiu do Fluminense. Dificilmente o treinador não terá um clube definido para o ano que vem antes do Brasileiro, com isso, se o Inter o quiser, terá que se apressar.

PARABÉNS, PAPADA!

O Juventude jogou com o regulamento, segurou o 0 a 0 com o Metropolitano-SC e estará na Série C em 2014. Grande notícia para o futebol gaúcho e especialmente para a Serra. Isso porque o Caxias, que está na C, ocupa atualmente o G-4 para avançar a segunda fase e seguir em busca do acesso a Série B. É o Interior do RS tentando se reerguer no cenário nacional.

FELIPE MELO

O torcedor turco é conhecido por ser apaixonado, mas também um dos mais radicais da Europa/Ásia. Nesse domingo, o time de Felipe Melo, o Galatasaray, vencia o clássico contra o Besiktas, na casa do rival, com dois gols de Drogba. No finalzinho, Felipe foi expulso após um carrinho muito forte no lateral-esquerdo Ramon, ex-Inter, Corinthians e Flamengo. Na saída de campo, Felipe ainda provocou a torcida rival mostrando a camiseta do Galatasaray. Tudo bem que um pouco de provocação no futebol seja sadio, mas não era o momento, ainda mais porque a torcida já estava começando a invadir o gramado (assista a confusão aqui). A partir dali, não houve mais jogo e o tumulto tomou conta do clássico. Uma pena que esse tipo de violência ainda ocorra de forma comum e até mesmo esperada dentro do futebol.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Gols e mais gols

A primeira rodada da Liga dos Campeões da Europa impressionou pelo alto número de gols: foram 53 em 16 jogos, uma média de 3,3 por partida. É claro que alguns confrontos eram tecnicamente bastante desiguais, como Barcelona/ESP x Ajax/HOL e Manchester City/IN x Viktoria Plzen/TCH, mas ainda assim não deixa de se tratar da maior competição europeia de clubes e espera-se que as equipes participantes imponham um mínimo de dificuldade. De qualquer forma, para os amantes da bola foi um prato cheio. Entre os principais destaques, a vitória do Milan/ITA sobre o Celtic/ESC, 2 a 0. Parecia um jogo teoricamente fácil, mas o clube italiano teve apenas 13 atletas de linha à disposição. Muitos times de várzea conseguem levar mais do que esse número aos jogos. Por isso, era importante vencer de qualquer jeito para não perder o Barça de vista e encaminhar a classificação ao mata-mata sem depender de pontos contra os catalães. Outro italiano que fez bonito foi o Napoli, que derrotou o Borussia Dortmund/ALE, vice-campeão da edição anterior, por 2 a 1. Em um grupo complicado que ainda tem Arsenal/ING e Olympique de Marselha/FRA (os dois se enfrentaram na França com vitória dos Gunners), é fundamental mostrar força e vencer em casa, para depois beliscar alguns pontinhos fora. A Juventus/ITA, atual campeã nacional, decepcionou e apenas empatou com o Copenhague/DIN, 1 a 1, na Dinamarca. Mas quem fez feio mesmo foi o Chelsea/ING, de José Mourinho. A equipe perdeu em casa, de virada, para o Basel/SUI, 2 a 1. A sorte dos Blues é que a sua chave não é das mais difíceis (tem ainda Schalke/ALE e Steua/ROM) e acertando um pouco a equipe Mourinho poderá conseguir os resultados e se recuperar.

"O JOGO"

Foto: Yuri Edmundo/Gazeta Press
Cruzeiro 3 x 0 Botafogo foi "o jogo" do campeonato até agora. De boa intensidade, aliás, como são todas as partidas do time mineiro, o confronto deu chances aos dois lados e aquele que teve mais qualidade as aproveitou da melhor forma. Júlio Bapstista pode não ter uma posição definida dentro de campo (lembram que ele começou a carreira de volante, era meia na seleção de Dunga e foi centroavante em muitos jogos na última temporada), mas sua experiência de muitos anos em grandes clubes da Europa não foi obra do acaso. Quando as chances caíram nos seus pés, ele guardou, simples assim. Em quatro jogos no campeonato, ele já tem 4 gols, todos muito importantes na consolidação de vitórias. E o Botafogo também está de parabéns. Caiu de pé, por assim dizer, jogando ofensivamente e não se diminuindo. Uma pena que Seedorf errou o pênalti, iria colocar fogo no jogo e forçar Marcelo Oliveira a buscar alternativas para vencer dentro do Mineirão. Agora, a Raposa ganha ainda mais gordura e moral para brigar pelo título. Só uma arrancada impressionante de algum clube que ainda não mostrou regularidade e um declínio absurdo da Raposa que assombra justamente pela regularidade farão o time de Minas perder o título.

FILME REPETIDO

Como em outros anos, falta fôlego ao time do Grêmio no Brasileirão. E quando digo isso não quer dizer literalmente dentro de campo, mas sim fora dele, com um elenco mais qualificado à disposição de Renato. Quando tem desfalques ou seus principais jogadores vão mal, a equipe sucumbe. A esperança da torcida e de Renato pode ser Elano. Ele era o principal jogador ofensivo do time, até mais do que Zé Roberto e os atacantes, enquanto esteve bem. 2013 até agora foi um ano perdido para ele, mas ontem, ao voltar fazendo gol, devolveu uma ponta de esperança. Ele pode forçar o técnico a mudar o esquema se estiver bem, pois não vejo como se encaixaria nesse 3-5-2 em que o Tricolor vem atuando. A outra esperança, essa cada vez com menos força, pode estar em Vargas, que cada vez que viaja com a seleção chilena vira um monstro, mas quando volta para Porto Alegre é "gentil" demais com os adversários. Acredito que o problema está menos nele e mais nos técnicos que passaram pelo clube e não souberam explorar da melhor forma as suas qualidades. Ainda há tempo, e o time pode crescer muito se Renato conseguir retornar esses dois jogadores (Elano e Vargas) as suas melhores formas.

domingo, 15 de setembro de 2013

Santo de casa

Foto: Moises Nascimento/AGIF/Folhapress
Foram apenas dois jogos, mas as duas vitórias do São Paulo sob o comando de Muricy Ramalho tiraram a equipe da Zona de Rebaixamento, onde o Tricolor do Morumbi estava desde a 14a rodada. O 2 a 0 sobre o Vasco não teve nada de brilhante: foi a vitória de uma equipe animicamente superior ao que vinha apresentando e que soube explorar as dificuldades do adversário. Muricy conhece os atalhos do Brasileirão de pontos corridos como ninguém: foi tricampeão entre 2006 e 2008. Claro que tinha um bom time, mas também foi um dos primeiros a conseguir explorar da melhor forma as limitações dos clubes brasileiros. O futebol do país está nivelado por baixo e, com raras exceções, é mais fácil jogar no erro do adversário do que tentar propor o jogo, seja qual for o adversário e até mesmo se o jogo for em casa.

O SP parece mais organizado defensivamente e mais disposto do que sob o comando de Autuori. Mesmo com Jadson, Ganso, Osvaldo e Luís Fabiano como titulares, Muricy não abriu da marcação. Jadson e Osvaldo atuaram abertos, acompanhando os laterais, enquanto Ganso e até mesmo Luís Fabiano por diversas vezes davam combate nos volantes. Embora tenha tido posse de bola e ímpeto ofensivo, a equipe carioca comandada por Dorival Jr. só conseguiu assustar durante alguns minutos no começo do segundo tempo. Com Juninho recuado para volante, a equipe chegou em velocidade pelos lados com bons lançamentos do Reizinho. Mas a reação do time carioca, que perdia por 1 a 0, foi enterrada após um erro individual do goleiro, que socou uma bola para trás dentro da área e permitiu a Antônio Carlos fazer o 2 a 0.

Curiosamente, das 6 vitórias do SP até aqui no campeonato, 4 foram sobre as mesmas equipes: assim como no returno, quando venceu Ponte Preta e Vasco, a equipe havia vencido os mesmos adversários na largada do Brasileiro. Agora, Muricy ganha um pouco de tranquilidade para ajeitar o time, pelo menos até o próximo jogo na quarta-feira, contra o Atlético-MG no Morumbi. Já Dorival Jr., que fazia bom trabalho recuperando esse limitadíssimo time do Vasco, após uma sequência de resultados ruins entra no Z-4. O fôlego conquistado com bons jogos e algumas vitórias, inclusive em clássico contra o Fluminense, vai pelo ralo. A pressão é grande, mas no meio de semana a equipe volta a jogar em casa, dessa vez contra o Vitória, que vem em declínio no campeonato. Se o Cruzmaltino vencer, empata em pontos com o Leão e trás os baianos de vez para a luta contra a degola.

A GANGORRA DA DUPLA GRE-NAL

 O RS está bem representado no campeonato: as duas equipes do Estado estão entre os 5 primeiros colocados, com reais chances de conquistar uma vaga na Libertadores. A julgar pelos adversários (Botafogo, que tem histórico de morrer na praia, Atlético-PR, que pode ser cavalo paraguaio, e o Corinthians, que não consegue engrenar), pode ser que até mesmo os dois conquistem vaga na maior competição do continente. Mesmo com todos os problemas que apresentam. Nesse final de semana, mais uma vez os dois foram contra os prognósticos. Quando esperava-se que o Grêmio poderia engrenar com uma boa vitória no dia do aniversário de 110 anos contra o Atlético-MG, de Ronaldinho,  os comandados de Renato são superados por 1 a 0. Já o Inter de Dunga, após dois resultados ruins em casa, numa semana em que teve que jogar terça e quinta-feira, conquista uma vitória importante sobre o Criciúma, que vinha renascendo no campeonato. Com tantos altos e baixos, pensar em título para algum dos times da Dupla é arriscado, mas uma Libertadores é bem possível, mesmo com as limitações.

As dificuldades das duas equipes são bem distintas. Enquanto o Inter tem o segundo melhor ataque, o time de Renato sofre para fazer gols em casa. Nesse domingo, sem Kléber, Elano e Maxi, faltaram opções de maior qualidade para o treinador gremista quando precisou colocar o time mais à frente. Já o Colorado tem problemas atrás: é a sétima pior defesa do campeonato, enquanto o Tricolor tem a terceira melhor. Dunga acerta ao dar sequência de jogo a Otávio, mesmo com Alex à disposição. O garoto está no seu momento e mesmo que oscile durante os jogos, o que é normal nessa fase, tem muito a crescer, enquanto os outros atletas já se sabe a resposta que irão dar. Já o time de Renato mostra uma postura cada vez melhor fora de casa, sabendo se aproveitar dos erros dos adversários, como no jogo contra o Náutico. Mas precisa descobrir como se impor atuando na Arena. Mais uma vez, quando encarou um time de qualidade, caso do Galo, foi superado sem tanta dificuldade como deveria ser para alguém dentro da Arena. Victor teve boa atuação, é verdade, mas ainda assim o time de Renato joga por uma bola. Quando Vargas errou, logo a equipe foi punida com o gol do Atlético-MG.

CHEIRO DE TÍTULO

É cedo ainda, mas o campeonato se oferece cada vez mais ao Cruzeiro, equipe que assombra pela regularidade. E a tabela pode ajudar os mineiros a dispararem. Nesse sábado, o time de Marcelo Oliveira venceu o Atlético-PR, 1 a 0, no Mineirão. Apesar das dificuldades impostas pelos paranaenses, a equipe soube fazer o score necessário (poderia ter sido 2 a 0 se um gol de Ricardo Goulart não fosse mal anulado - veja o lance aqui). Nos próximos jogos, a Raposa recebe o Botafogo, vice-líder, e que também vive bom momento; na sequência, encara dois jogos fora contra os irregulares Corinthians e Inter. Pode abrir grande vantagem; uma vitória sobre os cariocas faria o time disparar na liderança, e dois empates ou uma vitória nos jogos fora de casa atrasaria dois rivais na briga pela Libertadores.

Além da grande campanha do Cruzeiro, é de se ressaltar também o que o Botafogo faz no campeonato. Com jogadores como os contestados Bolívar e Marcelo Mattos entre os titulares e um ataque formado por garotos e desconhecidos, casos de Hiury, Rafael Marques e Elias (o time ainda perdeu a revelação Vitinho, vendido para o CSKA/RUS), Oswaldo de Oliveira vai mantendo o Alvinegro na briga não só pela Libertadores, mas também pelo título. Ao contrário de outros anos, quando perdia força nessa fase do campeonato, o Botafogo parece mais encorpado, esperto contra as arapucas do Brasileirão. Dessa vez, assim como havia feito contra o Criciúma em SC, o time soube atuar fora de casa contra um adversário limitado e conquistou a vitória. Já são 3 em sequência contando ainda o triunfo do meio de semana contra o Corinthians. A fase do Cruzeiro o credencia muito ao título, mas se a Raposa relaxar o Fogão está com cara de quem pode complicar...
 
SÉRIE D

Quem não conhecesse os clubes brasileiros e visse Vasco x São Paulo simultaneamente a Metropolitano/SC e Juventude não saberia dizer qual jogo era da primeira e qual era da quarta divisão. Não pela qualidade dos times da Série D, mas pela falta dela na principal divisão do futebol. E há de se dizer, ainda, que em emoção Metropolitano e Ju ganhava disparado. Valendo vaga nas semifinais e um lugar garantido na Série C em 2014, a partida foi intensamente disputada, e o Ju conquistou boa vantagem com o empate em 2 a 2 para a partida decisiva no Alfredo Jaconi. Ao contrário do mata-mata anterior, quando havia perdido por 1 a 0 para o Londrina no Paraná e sofreu para reverter o placar em casa, o time de Lisca marcou gols fora de casa e esteve perto de vencer. Abriu 1 a 0, cedeu o empate, fez 2 a 1, mas novamente permitiu a igualdade. Para o jogo da volta, o time precisa ter a cabeça no lugar e saber jogar com o regulamento, mas também não pode relaxar e dar mole para o Metropolitano. Tem que jogar para vencer e nos minutos finais, aí sim, é encher o time de defensores e jogar a bola para o mato.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Brasileirão: Balanço 1º Turno

Éverton Ribeiro: craque do Brasileirão até aqui?
A primeira metade do Campeonato Brasileiro se foi. Ainda restam três partidas atrasadas (Atlético-MG x Ponte Preta, Inter x Santos e Santos x Náutico), mas pouco deve mudar. Até aqui, o Cruzeiro realiza uma campanha impressionante e se candidata como forte concorrente ao título. Tem time, grupo, treinador, enfim, tudo está conspirando a favor da Raposa, que também tem feito a sua parte, é verdade. Mesmo os desfalques por cartões e lesões não têm segurado a equipe. Das 19 vezes em que entrou em campo nesse Brasileiro, o time celeste venceu 12; segue invicto em casa e tem disparado o melhor ataque do campeonato com 42 gols. Botafogo e Grêmio, que vêm logo atrás na tabela, são clubes grandes e dão pinta de que podem brigar pelo G-4 até o fim do campeonato. Mas têm elencos bem inferiores e mostraram muito mais dificuldades do que a Raposa ao longo do primeiro turno. O que dificulta ainda mais a vida de cariocas e gaúchos, é que ambos continuam na Copa do Brasil, enquanto os mineiros disputam apenas o brasileiro. Claro que é uma chance a mais de título na temporada, mas com certeza atrapalha mais, sem falar no desgaste físico e emocional provocado pelos jogos de mata-mata.

Corinthians e Inter, por outro lado, têm mais elenco do que Botafogo e Grêmio, embora façam campanhas inferiores. Mesmo assim, acredito que o Corinthians é o único que ainda pode complicar a vida do Cruzeiro, se Tite conseguir dar novamente a liga que já deu ao time em outros momentos, como na conquista da Libertadores. Do contrário, apenas brigará pelo G-4. O Inter tem se apresentado uma caixinha de surpresas: em determinados momentos acumula 5 vitórias seguidas, para depois empatar 6 jogos. Tem um ótimo grupo, especialmente do meio para a frente, mas é difícil prever o que pode acontecer. Acho que a briga pelo título fica distante por conta dessa oscilação. Mais fácil imaginar o time de Dunga também apenas brigando pelo G-4. O Atlético-PR, apesar da grande campanha, ainda é uma incógnita a respeito de até onde o time de Vágner Mancini pode chegar. Está com mais pinta daquele Figueirense de 2011 (comandado pelo técnico Jorginho, ex-parceiro de Dunga na seleção, e com Welington Nem como grande estrela), que brigou até as últimas rodadas pelo G-4, do que de Bahia e Vitória nesse Brasileirão, por exemplo, que largaram muito bem, mas já brigam na parte de baixo da tabela. Ou seja, acho que o Furacão pode ter fôlego até o fim do Brasileirão, mas pensar em título talvez seja um pouco demais. Ainda falando em G-4, o Vasco de Dorival Jr. é a equipe que mais pode crescer e quem sabe chegar nas últimas rodadas brigando por vaga à Libertadores (veja a tabela completa aqui).

Foto: Felipe Oliveira/Agif/Gazeta Press

REBAIXAMENTO

O Z-4 do primeiro turno é ocupado por Portuguesa, São Paulo, Ponte Preta e Náutico. Os dois últimos têm uma partida atrasada, mas nem assim deixariam a Zona do Descenso. O São Paulo, obviamente, é aquele que tem mais recursos para sair dessa situação, mas ao mesmo tempo a demora em reagir torna a equipe cada dia mais candidata a Série B em 2014. A Portuguesa melhorou e tem complicado a vida dos rivais, enquanto Ponte e Náutico parecem dois navios sem rumo. Na verdade, têm um rumo: estão a caminho do Rebaixamento. Das equipes que vêm logo acima na tabela, não acredito que Atlético-MG e Flamengo briguem até o fim contra o Rebaixamento. Acho que as equipes têm melhorado consideravelmente e daqui 7,8 rodadas, no máximo, já devem estar estabilizadas no meio da tabela. Com isso, Fluminense, Bahia, Vitória e Criciúma se apresentam como os principais concorrentes das equipes que já estão no Z-4 como candidatos a Série B do ano que vem. Goiás e Santos melhoraram e subiram de produção, mas ainda não podem se considerar totalmente livres do risco. Uma sequência de 4,5 resultados ruins pode complicar a vida desses clubes, que têm times titulares e elencos bastante limitados.

SÉRIE B

Na Série B, com 20 rodadas já disputadas, Palmeiras e Chapecoense brigam pela primeira colocação (a diferença entre eles é de apenas 2 pontos - 45 a 43). O time paulista é disparado aquele com mais recursos - técnicos, financeiros, de toda e qualquer ordem - entre os times da Série B, mas a equipe de SC tem Bruno Rangel, artilheiro do campeonato com incriveís 19 gols (confira os gols aqui)! O Paraná, apesar dos graves problemas financeiros, está consolidado na terceira posição com 39 pontos. Não se sabe, entretanto, até quando a equipe conseguirá passar por cima dos problemas e se manter na frente. A quarta vaga, atualmente do Joinvile, com 34 pontos, está entre equipes que têm oscilado muito. Tanto que o bolo é grande: depois do JEC, a tabela segue com Sport, Icasa, Avaí e Boa Esporte, todos com 31 pontos, América-MG, com 30, e Figueirense, com 29. Ou seja, a diferença do quarto para o décimo é de apenas 5 pontos. O Coelho seria um dos meus favoritos para subir, mas a venda de Rodriguinho para o Mundo Árabe praticamente tira o time da briga pelo acesso. Com isso, além de Palmeiras e Chapecoense, apostaria em Sport e mais um catarinense - Avaí, JEC ou Figueira - como os 4 coroados com a vaga na Série A em 2014.

A "VÁRZEA" NO FUTEBOL PROFISSIONAL

Extremamente lamentável o que aconteceu na partida entre Aparecidense-GO e Tupi-MG pela Série D, quando o massagista da equipe de Goiás invadiu o campo e tirou um gol do time mineiro, que poderia classificá-lo a próxima fase. Com o empate em 2 a 2, a vaga ficou com o Aparecidense. Ato mandado pelo presidente ou de livre e espontânea, acho que o clube de GO deveria ser excluído do certame. É um absurdo esse tipo de interferência varzeana de quinta categoria. Se a CBF mantiver o resultado de campo por conta das brechas que existem no seu regulamento e não apontam nada nesse sentido, será uma vergonha, um atestado de que o futebol brasileiro está entregue a várzea. Se na primeira divisão já vemos coisas do tipo bolas sumindo quando a equipe da casa está ganhando, imagine o que rola nas divisões inferiores! Isso é um absurdo e a CBF tem que intervir de forma justa, eliminando a equipe desse cidadão que interferiu no jogo e classificando o Tupi a próxima fase (veja uma das matérias sobre o jogo e o lance aqui).

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Nada substitui o talento

Walter comemora gol contra o Grêmio.
Foto: Arena/Foxsports
O futebol se modifica a cada ano que passa. Evoluiu física e taticamente de forma rápida, mas acaba cobrando o preço da técnica. Se os jogadores correm cada vez mais, hoje em dia é difícil achar um lateral que saiba cruzar com a bola em movimento ou um meia que pense o jogo e articule jogadas. Nesse futebol dos tempos atuais, os times não se podem dar ao luxo de terem um jogador a menos na hora de correr; na verdade, até podem, mas se for só um e se com a bola nos pés ele fizer a diferença. Romário, por muito tempo, representou essa figura no futebol brasileiro; Ronaldo Fenômeno fez esse papel no Corinthians. No campeonato brasileiro 2013, temos principalmente Alex, no Coritiba, e Walter, no Goiás, como figuras de extremo brilho com a bola nos pés e pouca participação sem ela. O atacante Esmeraldino, apesar de aparentar a pior forma física do campeonato, ainda tem força e disposição para correr (também é bem mais jovem e menos consagrado que Alex). Prova disso é o primeiro gol contra o Grêmio nessa terça-feira (veja os gols aqui), quando pressionou Dida e ganhou um presente do arqueiro Tricolor. Já o craque do Coxa sem a bola praticamente não participa da partida. Existem outros casos de jogadores extremamente importantes com a bola e que não ajudam tanto sem ela, mas ao menos eles compõem o time taticamente, como Juninho (Vasco), Seedorf (Botafogo), Ronaldinho (Atlético-MG) e Paulo Baier (Atlético-PR). Prova de que no futebol ninguém ganha sozinho, mas sem o talento, só com força física e organização, as grandes vitórias se tornam apenas um sonho distante.

ANO DOURADO NAS MINAS GERAIS?

Bom mesmo no futebol atual é combinar força, organização e talento, como está fazendo o Cruzeiro, "campeão" do primeiro turno e o time a ser batido nesse Brasileirão. Tem um grande goleiro em ótima fase, Fábio; laterais de muito vigor e qualidade no apoio, com Mayke e Ceará na direita, e Egídio na esquerda; força e altura na defesa com Dedé e Bruno Rodrigo; volantes pegadores e com qualidade na saída para o jogo, casos de Nilton, Lucas Silva e Souza; Ricardo Goulart, Willian e Luan como jogadores chatos, que dão velocidade ao time e incomodam as defesas; Éverton Ribeiro vivendo um momento iluminado, a experiência e a categoria de Dagoberto e Borges (que ficaram muito tempo fora e não fizeram tanta falta), além do jovem e promissor Vinícius Araújo. Por fim, a "cereja no bolo" da equipe de Marcelo Oliveira é o recém-chegado Júlio Batista. Claro que nem tudo é uma maravilha na Raposa, mas o clube está com elenco, um bom treinador que vai fazendo outro grande trabalho depois de levar o Coritiba a duas finais seguidas de Copa do Brasil, tem o Mineirão e a sede de conquista depois de ver o Galo levantar a taça da Libertadores. 2013 pode ser de luxo para MG, com o Cruzeiro campeão brasileiro e o Atlético-MG tendo sido o melhor da Libertadores e quem sabe até mesmo do mundo.

A INDIVIDUALIDADE QUE GANHA (E PERDE) JOGO

A rodada do Brasileirão dessa terça e quarta foi marcada pelas individualidades. Na abertura da rodada, em GO, Walter fez dois golaços e desequilibrou uma partida muito disputada entre Goiás e Grêmio, mas sem grandes chances para nenhum dos lados. No primeiro gol, pressionou a defesa e roubou a bola; no segundo, pegou uma bola dividida, deu um chapéu em Bressan e soltou um chutaço sem defesa para Dida. No Maracanã, Hernane "Brocador" fez os dois gols do Flamengo na vitória sobre o Vitória. O primeiro deles com um presentaço de Elias, que está jogando muito; o segundo, ao melhor estilo centroavante, cabeceando uma bola no terceiro andar. Em SP, Gilberto, ex-Inter, marcou os dois gols da vitória da Portuguesa contra a Ponte Preta; no final de semana, ele já havia feito dois na vitória por 4 a 2 sobre o Bahia; com as duas vitórias em sequência, a Lusa se aproxima da saída do G-4. E, no Independência, Ronaldinho fez duas buchas de falta, consertando as falhas dos seus companheiros que se converteram em gols do Fluminense. Primeiro, Luan cortou uma bola errada e o Flu abriu o placar; então, R10, no último lance do 1o tempo, empatou. Na volta do intervalo, o Galo pressionava, mas após uma falta no ataque, Pierre, Luan e Richarlyson bateram cabeça, Rhayner ganhou na velocidade e fez 2 a 1 para o time de Luxemburgo. Mas, no fim, novamente com uma cobrança magistral, Ronaldinho empatou e deu números finais ao jogo.