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| Foto: montagem R7/Wesley Santos/Gazeta Press |
A confirmação de torcida única no primeiro Gre-Nal da Arena, estádio construído no "padrão Fifa", é a confirmação dos indícios que já vinham sendo dados ao povo com os novos palcos para a Copa do Mundo: futebol não é do povo e nem para o povo. E o que é pior é que ninguém parece estar dando a mínima. O discurso dos clubes é de lamentar, mas acatar; o Ministério Público aceitou o parecer, e agora? Como fica o futebol nisso tudo, indefeso?
Vamos mais longe. Que recado a Brigada Militar dá aos bandidos quando afirma que não pode fazer a escolta de torcedores para um jogo de futebol? E se houver uma final na Arena, a BM de Porto Alegre vai decidir que a torcida adversária não poderá vir porque não pode fazer a escolta? Que incidentes tão graves ocorreram para que essa decisão fosse tomada, se nem mesmo quando houve a queima dos banheiros químicos, o auge da violência na rivalidade Gre-Nal nos últimos anos, tal atitude foi tomada? Realmente, é difícil de entender; na verdade, se juntarmos as peças fica fácil e o recado se torna claro: o futebol não é para o povo.
Os novos estádios construídos no país para a Copa - e aí podemos incluir também a Arena, que tem "padrão Fifa" e não é do Grêmio - não foram feitos para o povo e nem são propriedade dos clubes ou do governo, embora tenham recebido dinheiro público (com exceção da Arena, que também não foi de graça, pois a OAS recebeu o Olímpico e irá lucrar bastante com o que quer que faça no terreno). Fábio Koff teve que renegociar o contrato do novo estádio, que sangrava o orçamento do clube; no RJ, os proprietários do "New Maracan" querem impor aos clubes contratos de 35 anos que servem única e exclusivamente aos donos do negócio. A Fonte Nova ganhou o nome de Itaipava. O que se quer dizer com tudo isso: o valor dos ingressos, a forma de negociação entre proprietários do estádios e clubes, as normas para conduta dentro das Arenas, tudo é para moldar um novo "torcedor", que na verdade pouco pode torcer, ele pode, sim, é assistir.
No RS, há o agravante da eterna rixa entre brigadianos e torcedores. Há quanto tempo se pede melhor preparo dos profissionais, há quanto tempo se pede a prisão dos criminosos que estão na torcida? Generalizar dizendo que a torcida do Grêmio ou mais especificamente a Geral é o problema é o mesmo que dizer que há corrupção na polícia e que ninguém é confiável. Existem maus elementos na Geral? Com certeza deve existir, assim como existem nas arquibancadas comuns e até mesmo nos camarotes, a função da polícia é identificar e prender essas pessoas, e não se eximir de fazer a segurança ou tentar "facilitar" o seu trabalho retirando a torcida rival. Quantas vezes já houve briga entre torcedores do próprio clube em jogos de Inter e Grêmio? E então, vão retirar todas as pessoas do estádio?
Essa decisão de Gre-Nal com torcida única não é a vitória da violência, como alguns pregam, é um precedente perigoso que está sendo aberto para tirar o futebol cada vez do povo. O Olímpico tinha 2 andares, um era feito completamente de concreto e representava cerca de 70% do espaço; em cima, haviam cadeiras para quem quisesse assistir a partida sentado. Na Arena, 25% do estádio é o espaço da Geral, atrás de um dos gols e com barras para o torcedor não fazer a Avalanche. O resto são cadeiras, onde não se pode tirar a camisa. Que tipo de futebol é esse que estão tentando instituir no país? O que pretendem fazer com as torcidas? Há anos que o preço dos ingressos sobre, já era caro assistir um jogo de Gauchão no Olímpico, imagine uma partida da Copa no Maracanã?
Infelizmente, o futebol caminha para um rumo tortuoso. E não é pela violência, como tenta argumentar o poder público, é pelos interesses de uma minoria que passou a controlar o futebol - ou sempre controlou, mas talvez só agora tenha percebido o mercado próspero que é o esporte.

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