O futebol evoluiu com o passar do tempo, mas algumas coisas continuam extremamente ultrapassadas, especialmente no Brasil. Com isso, algumas polêmicas ressurgem a cada ano, como o verdadeiro significado dos Estaduais e a enorme quantidade de jogos que os clubes fazem na temporada. No caso específico da Dupla Gre-Nal, o valor do Gauchão é mínimo, para não dizer nulo. Os torcedores podem torcer o nariz, reclamar das equipes reservas, os comentaristas mais antigos podem contestar, relembrando o charme de anos anteriores... Mas quem tem a cabeça aberta sabe que tanto em prestígio como em ganho financeiro, os campeonatos estaduais rendem muito pouco; além disso, tecnicamente, para a preparação dos times, não ajudam em nada, pois o nível dos adversários é baixo. A goleada do Grêmio sobre o São José, que vinha fazendo campanha irreparável, é o exemplo mais recente desta disparidade.
Infelizmente, o torcedor acaba pagando o pato, como sempre. Se o campeonato tivesse menos jogos, ao menos para as equipes que disputam as 4 divisões do nacional, Inter e Grêmio não precisariam utilizar reservas com tanta frequência. O Tricolor chegou ao cúmulo de enfrentar a LDU/EQU, na quarta-feira, pela Libertadores e ter confronto marcado pelo Gauchão na quinta. Ora, isso é um absurdo, uma falta de respeito com atletas e torcedores. Se não existem datas razoáveis no calendário, diminua-se o número de jogos. Enquanto isso, tanto Grêmio quanto Inter seguirão poupando atletas, seja por desgaste físico ou para evitar lesões musculares ao longo da temporada.
GRE-NAL 395: DEU A LÓGICA
No Gre-Nal do último domingo, nada de novo: com os titulares, o Colorado venceu o Tricolor, montado às pressas. Mostrou bom volume e o melhor, seus dois principais atacantes, Forlán e Damião, balançaram as redes. Essa foi a grande notícia para Dunga. No lado gremista, valeu pelo empenho dos atletas, que lutaram muito para superar desentrosamento. Tony e Willian José, opções para o time principal, seguem deixando muito a desejar.
Após o clássico, a Dupla inverteu papéis. Com os seu titulares, o Grêmio aplicou 5 a 1 no São José, com show de Zé Roberto e Pará, e destaque para a volta de Bertoglio após quase um ano parado. Já o Inter, poupou titulares e teve ainda muitos desfalques por lesão, prejudicando a montagem do time. Com muitos meninos em campo, acabou derrotado pelo Lajeadense; mas com um pouco mais de capricho na frente poderia ter saído com um resultado bem melhor.
A CEREJA DO BOLO?
A última informação é a de que o Grêmio está trazendo Barcos, do Palmeiras, em negociação que envolve as idas para o clube paulista de Vilson, Rondinely, Léo Gago e Leandro, este último por empréstimo e os outros três em definitivo. Além disso, o Tricolor pagará 2 milhões de euros e assumirá a última parcela da compra do argentino junto à LDU/EQU, que é de 750 mil euros. Especulava-se a ida de Marcelo Moreno, mas o boliviano (sabiamente, diga-se de passagem) preferiu ficar no Sul. Embora venha de duas grandes temporadas, me parece muita coisa por Barcos; no entanto, olhando melhor, é um negócio que vale o risco.
O Tricolor, claramente, está privilegiando o ataque. Moreno deixou a desejar contra a LDU/EQU, Kléber passou muito tempo lesionado, Leandro não engrenou, André Lima está indo para a China e Willian José é uma incógnita. Com isso, o clube investe: já trouxe Vargas, que pode ficar só até o meio do ano, fechou com Welliton, ex-Spartak de Moscou/RUS, e agora traz Barcos. Deveria ainda dar mais espaço para Yuri Mamute e Lucas Coelho, de boa resposta nesse começo de temporada. O volante Adriano, ex-Santos, chega e abre espaço para a saída de Léo Gago. Vílson já estava afastado e Rondinely não vingou, sem falar que Wangler e Deretti estão bem à sua frente.
Embora possa se tratar de um bom negócio, não dá para considerar a contratação de Barcos a cereja do bolo para time gremista. Ainda falta um lateral-esquerdo, que pode ser André Santos, e um zagueiro que viesse para impor respeito, como Lugano, que acertou com o Málaga/ESP.
QUEM DEFENDE O TORCEDOR?
Acabar com a avalanche não é a solução para o problema surgido na Arena do Grêmio. Mais segurança para os torcedores realizarem a comemoração é que seria a solução ideal. Instalar cadeiras é a resposta mais simplista, mais cômoda e politicamente correta. Fazendo isso, o Grêmio mostra que não é diferente dos outros; na hora H, quem paga o pato é o torcedor. Por que fizeram tanto lobby pelo espaço da Geral se não tinham sequer um alambrado que segurasse a carga de torcedores? Em mais de 2 anos, os responsáveis pela obra não imaginaram os problemas que poderiam surgir? Por favor, isso é demais. Pior só o que aconteceu em MG na reabertura do Mineirão - e que já havia acontecido na inaguração da Arena: banheiros estragados, problemas de estacionamento e falta de água até mesmo para a torcida matar a saudade. Esta é a preparação do Brasil para a Copa do Mundo?
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