Passados os Estaduais é hora de começar o Brasileirão. Para quem não está mais envolvido em Copa do Brasil e Libertadores, este é o momento de aproveitar times rivais mistos, ter um pouco de sorte com a tabela e tentar acumular a melhor pontuação possível. Com base nas atuações vistas até agora e na perspectiva de quem os times podem contratar, vejamos o sentimento que cada clube deixou nos seus torcedores após esses primeiros 5 meses do ano. Para começar, os favoritos ao título do Brasileirão 2012:
Corinthians, Fluminense e Santos.
CORINTHIANS
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O destaque: a força do elenco fez a diferença
para o título do Brasileirão em 2011. |
É difícil ganhar duas vezes seguidas um campeonato tão equilibrado como o Brasileirão, que a cada ano apresenta surpresas e dificilmente tem uma disparidade muito grande entre os times, como ocorre em alguns dos principais campeonatos europeus. Mas o Alvinegro do Parque São Jorge seguiu a cartilha que dá maiores chances de vencer: manteve o técnico e boa parte do elenco, e ainda por cima se livrou do estorvo do Adriano. O problema é que a equipe de Tite joga demais no limite, e isso temos visto também na Libertadores. A equipe precisa conseguir os resultados com um pouco mais de naturalidade. É claro que vencer por 1 a 0 vale, mas não são nem os placares o que mais incomoda os torcedores corintianos, e sim a atuação da equipe, que as vezes faz grandes jogos e em outras ocasiões se complica contra adversários de menor expressão. Uma coisa de positiva se pode dizer: a equipe de Tite não costuma sentir a pressão das decisões; quando não consegue o resultado é mais por méritos do adversário do que por jogar mal.
Time-base: Cássio (Júlio César); Edenílson, Chicão (Paulo André), Leandro Castan e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Alex e Danilo; Émerson e Jorge Henrique (Willian/Liédson). Técnico: Tite.
O comandante alvinegro ainda tem a sua disposição os laterais Alessandro, Welder e Rámon, os zagueiros Wallace, Felipe (ex-Bragantino) e Marquinhos, os jovens e desconhecidos volantes Gomes e Willian Arão, os meias Douglas e Ramirez, e os atacantes Bill, Élton, Gilsinho e o folclórico chinês Zizao.
O Corinthians tem um bom elenco. Para a equipe ficar ainda melhor, seria bom que viesse mais um zagueiro, alguém conhecido, de confiança, não apenas para compor elenco; um lateral-direito, também desde que fosse melhor do que os que já estão no clube, e um ou dois volantes para a reserva, principalmente, a de Ralf. O ataque está bem servido; acredito que Liédson e Élton podem revezar como homens de referência, alternando quem estiver em melhor fase. Achar alguém melhor do que eles será difícil.
FLUMINENSE
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O destaque: Deco. Com o camisa 20 em campo,
o Flu é um, sem ele a coisa complica. |
A equipe de Abel Braga se credencia ao título por conta do bom elenco e, principalmente, dos resultados desde que o técnico chegou as Laranjeiras. A reação no Brasileirão do ano passado foi sensacional, o clube não perdeu peças importantes (apenas Mariano saiu) e ainda conseguiu bons reforços, sendo que alguns deles, como Wágner, sequer tiveram tempo e chances de mostrarem o seu melhor futebol. Na Libertadores, a equipe fez a melhor campanha da fase de grupos, mostrou sangue nos olhos para ganhar do Boca na Bombonera (apesar de ter perdido em casa) e cancha para eliminar o Inter; não deve ter desfalques durante as Olímpiadas e, se não sofrer com as lesões (como tem ocorrido volta e meia com Deco e Fred principalmente) o Flu tem tudo para vir forte neste Brasileirão. Como ponto mais frágil da equipe está a defesa e o clima de oba-oba que toma conta do clube as vezes. O problema do patrocinador pagar os salários dos principais jogadores não afetará o ambiente desde que o Flu não atrase o salário dos atletas que deve pagar, pois com todos recebendo em dia a coisa obviamente flui melhor.
Time-base: Diego Cavalieri; Bruno, Anderson, Leandro Euzébio e Carlinhos; Edinho, Diguinho, Deco e Thiago Neves; Welington Nem (Rafael Sóbis) e Fred. Técnico: Abel Braga.
Compõem o elenco o goleiro Ricardo Berna, os zagueiros Gum, Digão e Elivélton, o lateral-esquerdo Carleto, os volantes Valência, Jean e Fábio (filho do técnico Abelão), os meias Lanzini, Wágner e Lucas Patinho (destaque das seleções de base), e os atacantes Araújo, Rafael Moura, Marcos Jr e Mateus Carvalho (estes dois últimos da base).
O Flu tem, na minha humilde opinião, o melhor elenco do país. Contudo, se eu fosse torcedor, gostaria de zagueiros mais confiáveis; como está difícil de achar e poucos clubes têm bons beques, Anderson e Leandro Euzébio acaba ficando uma dupla razoável. Em termos de carência numérica, a equipe precisaria apenas de um lateral-direito para fazer sombra a Bruno.
SANTOS
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O destaque: Neymar. E nem poderia ser outro;
o camisa 11 santista é disparado o melhor
brasileiro em atividade no mundo. |
A geração comandada por Neymar e Ganso está fazendo história. Se permanecerem no clube ao menos até a Copa de 2014, o Peixe sempre será favorito nos torneios em que participar, e com o Brasileirão deste ano não é diferente. Além da dupla, a equipe é comandada pelo melhor técnico brasileiro da atualidade, Muricy Ramalho (se não é o melhor ao menos é um dos mais vencedores, com certeza), e ainda tem outros excelentes valores individuais, como Rafael e Arouca. O que pode atrapalhar a equipe da Baixada Santista, curiosamente, é o título da Libertadores. Isso mesmo; ano passado o Peixe ficou na dúvida se entrava mesmo para valer no Brasileirão ou se ficava preocupado com o Mundial; no fim das contas, não fez nem um nem outro, pois teve que apertar o passo em alguns jogos para escapar da zona da Degola e poupar jogadores por desgaste físico em outros. O esquema 3-5-2 utilizado contra o Barça praticamente não foi testado, ao menos em jogos oficiais, com exceção de alguns minutos ao final das partidas. O resultado foi aquele desastre e uma aula de tática e técnica de Pep Guardiola e seus comandados. O Santos tem time e técnico para ser campeão nacional e não é impossível vencer dois títulos expressivos como Libertadores e o Brasileirão no mesmo ano, basta a equipe acreditar e, principalmente, reforçar o elenco para suprir as ausências ao longo do caminho.
Time-base: Rafael, Fucile, Edu Dracena, Durval e Juan (Léo); Adriano, Arouca, Elano e Ganso; Alan Kardec (Borges) e Neymar. Técnico: Muricy Ramalho.
Fazem parte ainda do grupo de jogadores do Peixe o goleiro Aranha, o lateral-direito Maranhão, os zagueiros Bruno Rodrigo, Vinícius e Rafael Caldeira (os dois últimos da base), os volantes Henrique e Anderson Carvalho, os meias Ibson, Breitner e Felipe Anderson, e os atacantes Dimba, Tiago Alves (ambos meninos) e Rentería.
Como time, o Santos é o mais forte do Brasil, senão um dos mais fortes. Entretanto, o elenco tem muitas carências, o que pode tirar o Peixe da disputa pelo título. Para o Brasileirão, é necessário que se tenha peças de reposição. Corinthians, Fluminense, Inter e São Paulo têm elencos melhores, enquanto Atlético-MG, Grêmio e Vasco estão mais ou menos no nível do Peixe, analisando as peças de reposição de cada clube. Para lutar com força pelo título, Muricy precisaria de um zagueiro para grupo, mas com alguma experiência, um primeiro volante, também para compor o elenco, dois meias de ligação e um atacante, todos com alguma qualidade, que possam brigar pela titularidade, mas sem a necessidade de virem imediatamente para jogarem entre os 11.
Na próxima postagem veremos os clubes que pintam como candidatos a uma vaga na próxima Libertadores:
Atlético-MG, Grêmio, Inter, São Paulo e Vasco.
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