A tabela do Brasileirão está afunilando. Vasco e Corinthians - primeiro e segundo colocados, respectivamente - estão com o retrovisor ocupado por outras quatro equipes em busca do título, graças ao renascimento do Flamengo e a ascensão do Fluminense (os outros dois são Botafogo e São Paulo). Se o Grêmio vencer o Santos no jogo atrasado nesta quarta-feira, no Olímpico, encosta em Inter e Palmeiras e, juntamente com Atlético-GO, Coritiba e Figueirense, esquece o fantasma do descenso e passa a sonhar com a Libertadores, mesmo que ainda de forma distante. Já na parte de baixo da tabela, Cruzeiro e Ceará não têm mais gordura para queimar e se aproximam perigosamente da Zona da Degola. O Bahia virou para cima do Avaí, em Pituaçu, e abriu 6 pontos para o Z-4, mas deve se cuidar, porque com duas derrotas e resultados paralelos pode ingressar entre os quatro últimos.
Panela de Pressão Verde
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| Tá difícil Felipão?! |
Um dos clubes mais dificeís de se trabalhar nesta temporada, seja como dirigente, técnico ou jogador, é o Palmeiras. Clube grande, há anos sem ganhar títulos expressivos e que viu São Paulo, Corinthians e Santos ganharem 5 dos últimos 7 campeonatos brasileiros, sem falar na Libertadores desse ano vencida por Neymar e cia. Isso tudo tornou a pressão por parte da torcida enorme, quase extrapolando o límite do aceitável. E a equipe é extremamente limitada. Basta ver as contratações que Felipão recebeu durante o Brasileirão: os centroavantes Fernandão, ex-Guarani (que joga a Série B), e Ricardo Bueno, que estava encostado no Atlético-MG, além do meia Pedro Carmona, ex-Criciúma (também na segunda divisão). Assim fica complicado mesmo. Os últimos resultados comprovam a mediocrídade da equipe palmeirense: empate em casa com o lanterna América-MG, na última rodada, e fora contra o Atlético-GO, sendo que vencia o jogo por 1 a 0 e conseguiu ceder a igualdade estando com 2 jogadores a mais do que os goianos. Infelizmente, 2011 é um ano perdido para o Verdão. O clube precisa passar por uma reestruturação de cima para baixo, começando com a diretoria, quem sabe até passando pelo técnico e, com certeza, tendo uma boa faxina no elenco. Kléber e Valdívia, que ganham muito bem e criam mais polêmicas do que jogadas em campo, têm que receber um ultimato: se gostam tanto do clube quanto dizem, ou ficam e lideram uma reação ou saem e param de massacrar os cofres do clube.
RJ 2x0 SP
A rodada foi marcada por três duelos envolvendo paulistas e cariocas. Curiosamente, aquele que envolvia as equipes piores colocadas na tabela foi o mais interessante. Jogaço entre Santos e Fluminense, com direito a virada e gol da vitória no fim com um jogador a menos para o Flu. Márcio Rosário, zagueiro muitas vezes vilão, foi herói por um dia e garantiu os 3 pontos com uma bela cabeçada, subindo no terceiro andar. Rafael Sóbis, desprezado pelo Inter, tem encontrado seu melhor futebol aos poucos e marcou um golaço, além de ter batido o escanteio que definiu o jogo. O Fluminense talvez tenha a pior defesa entre os 6 candidatos ao título, mas se o ataque continuar compensado pode chegar ao fim do campeonato brigando pelo título. Já o Vasco vacilou em casa e cedeu duas vezes o empate para o Corinthians, mas seguiu na primeira colocação. O grande resultado mesmo dos confrontos Rio-SP foi do Flamengo, que ficou 10 jogos sem vencer, quebrou essa má fase contra o América-MG aos trancos e barrancos na última rodada e foi ao Morumbi para estragar a estreia de Luís Fabiano e vencer diante de cerca de 60 mil torcedores.
Ainda o Mário
Nessa semana, correu a notícia de que Mário Fernandes não se apresentou à Seleção Brasileira porque estava em uma boate e chegou quase de manhã em casa. Depois, outra versão diz que o atleta já estava decidido a não ir antes mesmo de sair à noite. Bom, o mistério segue. Enquanto o atleta não se pronunciar e explicar - o que também é direito dele não fazer, pois são decisões pessoais da sua vida -, tudo o que for dito não passará de boato.
Seleção é momento ou currículo?
A Seleção Brasileira venceu mais um título. Com gols de Lucas e Neymar, bateu a Argentina, em Bélem, e conquistou a Copa Roca. O legal mesmo do jogo é que algumas carências da equipe foram "resolvidas", lembrando que somente jogadores que atuam na Argentina e no Brasil participaram. Cortês, do Botafogo, por exemplo, já ganhou o coração de todos como lateral da Seleção principal. Nada contra ele, mas é um jogador que há 6,8 meses jogava no Nova Iguaçu. Felipe Luís, por exemplo, há anos é destaque no futebol espanhol e atualmente jogando pelo Atlético de Madrid, da Espanha, nunca teve suas convocações reinvindicadas. Se os principais jogadores do país jogam na Europa, (mesmo que Neymar e Ganso não tenham sido vendidos ainda, 68% dos convocados para os amistosos contra Costa Rica e México jogam no Velho Continente), é burrice olhar apenas para o campeonato brasileiro buscando soluções para a equipe. Não é porque o jogador está na Europa que ele é melhor do que atletas que jogam por aqui, mas acho que existe uma marginalização no conceito de jogador de Seleção. Qualquer um que faça 3 gols em um jogo e peça música no Fantástico "merece" ser convocado. Deixem os atletas se destacarem nos seus clubes e passarem por todo o processo de amadurecimento de um grande jogador, como ganhar títulos, jogar grandes competições (não apenas os campeonatos estaduais). Contestaram a convocação do Afonso Alves, à época artilheiro do Campeonato Holandês, pelo técnico Dunga, mas não falam nada do Ralf, que há dois anos estava no Barueri. Não estou aqui defendendo nomes, muito menos criticando o bom lateral Cortês, mas sou contrário a essa pressão desmedida para convocar jogadores que não estão afirmados no futebol e nunca ganharam nada demais. O momento é importante, sim, claro que é, mas não esqueçam que o currículo dos jogadores faz uma Seleção ser mais ou menos respeitada.