A rodada 26 do Brasileirão consolidou a liderança do Vasco, deu indícios de melhora no futebol praticado por Corinthians e Flamengo e apresentou algo inusitado quanto às arbitragens: mesmo tendo acertado, os juízes foram criticados como se tivessem errado. Ou os dirigentes, jogadores e técnicos não viram o lance na televisão ou eles não sabem corretamente as regras do esporte. No Engenhão, o Botafogo vencia um confronto direto com o São Paulo, mas deu uma vacilada e cedeu o empate. O Inter venceu e se aproximou do G-4, enquanto o Palmeiras se afastou: com 2 a mais, cedeu o 1 a 1 ao Atlético-GO, resultado considerado "a maior vergonha da vida" pelo técnico Felipão. Na parte de baixo, o Cruzeiro levou 3 a 0 em casa e é o primeiro time fora do Z-4. Aliás, os quatro últimos que se cuidem, pois o Ceará bateu o Coritiba e deu uma respirada, prova de que os clubes imediatamente acima da zona do descenso - Cruzeiro, Ceará e Bahia - têm eventualmente vencido, à exceção da Raposa, que não vence há 6 jogos.
Velinhos bons de bola
Rivaldo marcou o gol de empate do São Paulo contra o Botafogo e ainda perdeu uma chance incrível de virar a partida. No sábado, em Curitiba, Paulo Baier marcou o gol que dava a vitória ao Atlético-PR contra o Fluminense até o Furacão ceder o empate aos 48 mins do segundo tempo. O são-paulino é reserva; o atleticano é titular. Qual a diferença entre os dois?
A imprensa e os torcedores têm pedido por Rivaldo há algum tempo. Mas acho que ele rende mais entrando no segundo tempo, pois: 1) seria uma substituição praticamente certa se começasse jogando todos os jogos; 2) quando ele entra no segundo tempo enfrenta adversários já desgastados; e 3) com o retorno de Luís Fabiano e o bom ano que fazem Lucas e Dagoberto, quem sairia do time para a entrada de Rivaldo? Seria possível jogar com os 4?
Já no Furacão Paulo Baier é rei, camisa 10 e durante muito tempo foi também o capitão. Mas joga principalmente porque o Furacão tem um elenco menos qualificado do que o São Paulo. Os atacantes são inoperantes (Guerrón, Adailton, Pablo, Morro García, Nieto...), o que faz com que Marcinho - quando joga, é claro - seja escalado na frente. Como Branquinho e Mádson não têm convencido, é imperativo que Paulo Baier jogue. Mas, por favor, torcedor, cuidado com as comparações, pois um clube luta pelo título e outro contra o Rebaixamento.
Ah, as arbitragens (de novo)
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| Injustiçado #1: Wagner Reway |
Os Atléticos de Minas Gerais e do Paraná chiaram muito contra as arbitragens nessa rodada, mas sem razão. Na Arena da Baixada, o Furacão vencia o Fluminense por 1 a 0 até os 48 do segundo tempo, quando Manoel derrubou Lanzini na área: pênalti que Fred cobrou e converteu. (foi tão pênalti quanto o marcado a favor do Atlético-PR no primeiro tempo e desperdiçado por Cléber Santana. Aliás, vale ressaltar a inteligência do goleiro Diego Cavallieri, que esperou o camisa 8 paranaense bater e defendeu a bola no meio do gol, ao invés de saltar antes, como fazem a maioria dos goleiros.) Um pouco antes, na metade do segundo tempo, Rafael Santos colocou a mão na bola para impedir o domínio de Fred e foi corretamente expulso pelo segundo cartão amarelo; no entanto, a arbitragem marcou falta, sendo que o lance foi dentro da área. Ou seja: o prejudicado, no fim das contas, foi o Fluminense (veja os lances em
http://www.youtube.com/watch?v=Of4nK0LtzOo - aos 3 mins e 37 seg e aos 4 mins e 16 seg). O juiz da partida foi Wagner Reway, do Mato Grosso.
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| Injustiçado # 2: Péricles Bassols |
No Beira-Rio, Inter e Atlético-MG empatavam em 1 a 1. Com pouco mais da metade do segundo tempo, D`Alessandro cobrou falta para a área (ninguém estava impedido no momento da batida), o zagueiro Leonardo Silva, do Galo, desviou para trás e Fabrício marcou para o Colorado. Gol legal, pois Fabrício não estava impedido na hora em que D`Ale levantou a bola para a área e quem desviou a bola para trás foi um jogador adversário - se fosse alguém do Inter, aí sim, o gol seria ilegal pois Fabrício estaria impedido. (veja o lance em
http://www.youtube.com/watch?v=4EUs1lRtYn4 - preste atenção nos comentários do Batista, que mostrou desconhecimento da regra) O árbitro do jogo foi o carioca Péricles Bassols.
Os clubes brasileiros há anos reclamam da arbitragem, mas não fazem nada para melhorá-la. Reclamar, eventualmente, depois de uma partida em que foi prejudicado ou fazer dossiês contra esse ou aquele clube não vão resolver o problema. Estas atitudes só pioram as coisas, pois enervam os atletas e os tornam inimigos dos árbitros. O jogador é burro por levar cartão amarelo e começar a aplaudir o juiz, sendo que é óbvio que vai receber o vermelho se fizer isso, mas essa atitude dele é igual a dos clubes, que reclamam no pós-jogo para tirar a responsabilidade de si mesmo sobre os problemas e mostrar para a torcida que não são os culpados. Atlético-MG e Atlético-PR estão mal no campeonato não por culpa da arbitragem, mas de seus dirigentes, jogadores e comissão técnica.
O que precisa ocorrer urgentemente no Brasil é uma profissionalização dos árbitros, assim como há com os atletas. É difícil cobrar de um juiz que passa a semana toda trabalhando como professor, jardineiro ou seja lá o que for, uma partida perfeita, sem erros. Muito se cobra dos jogadores, mas eles só fazem isso, são muito bem pagos para isso; com a arbitragem é diferente, logo a cobrança não pode ser a mesma.
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