terça-feira, 27 de setembro de 2011

NÃO para quem?

Mário: convicções acima de tudo?
A notícia bomba da segunda-feira foi a negativa do lateral-direito gremista Mário Fernandes em se apresentar a Seleção Brasileira. Motivo de chacota e de uma avalanche de críticas, o atleta mostrou, no mínimo, ser muito corajoso ao dizer que não tem cabeça para se apresentar ao técnico Mano Menezes quando muitos se apresentam para jogar e não demonstram a mínima vontade de estar em campo, como por exemplo a Seleção de Parreira na Copa de 2006. À tarde, após o treino desta terça-feira, ele deve conceder uma entrevista e explicar as coisas de uma melhor maneira. Mas, com o que foi dito até agora, não achei nada de estupefatório: simplesmente, o atleta não está se sentindo confortável no ambiente da Seleção, e acho que ele está certo. Por que ficar em um lugar onde ele não se sente à vontade?

Esse assunto ainda não está bem claro, e quando não temos informações suficientes sobre determinado fato não devemos fazer pré-julgamentos. Ouvi e li muita coisa a respeito do atleta que nada tinham a ver com o assunto. Um torcedor, por exemplo, ironizou o fato de Mário ganhar um bom salário e ter problemas psicológicos, se sentir estressado. Com todo respeito a quem pensa isso, uma coisa nada tem a ver com a outra. É novidade para mim que pessoas com boa renda não devam ter problemas de cunho psiquiátrico porque ganham bem. Com base nisso, todas as pessoas de baixa renda deveriam então ter doenças como estresse e outros transtornos de humor e etc?

Mário fugiu do Tricolor há cerca de dois anos e foi encontrado na casa de um tio no interior de São Paulo. Mas quem acompanhou a história pode achar o ocorrido perfeitamente compreensível. Ele era um menino do interior, que nunca havia ficado longe da família, veio a Porto Alegre somente para fazer exames, sem nem saber para qual clube iria e de repente foi avisado de que não voltaria para casa. Claro que isso faz parte do futebol, o que não quer dizer que todos se acostumam facilmente. Agora é diferente. Mário está estabilizado no Grêmio, colocou Gabriel, o maior salário do Olímpico, no banco e tem tido grandes atuações, coincidentemente tendo marcado um gol contra o Avaí no último domingo. Como escreve Diogo Oliver em sua coluna de hoje em ZH, alguma coisa deve ter acontecido no convívio com os atletas da Seleção que deixou Mário desconfortável.

Quanto ao dizer não para a Seleção Brasileira, Mauro Cézar Pereira, jornalista da ESPN, não chama a Seleção do nosso país de Brasileira, mas sim de Seleção da CBF, em virtude dos mandos e desmandos por parte de Ricardo Teixeira. Isso quer dizer que Mário pode ter dito não aos profissionais que estão lá no momento, a filosofia que está sendo implantada, as panelas que existem no grupo, quem vai saber? Não quer dizer necessariamente que ele se recusa a defender a Seleção do seu país. Quem sabe Mário não sofreu algum tipo de pressão ou algum contrangimento? Julgar previamente com base em algo que aconteceu há mais de 2 anos e em um contexto completamente diferente é muito equivocado e falta de profissionalismo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fenômeno: juízes acertam e são criticados

A rodada 26 do Brasileirão consolidou a liderança do Vasco, deu indícios de melhora no futebol praticado por Corinthians e Flamengo e apresentou algo inusitado quanto às arbitragens: mesmo tendo acertado, os juízes foram criticados como se tivessem errado. Ou os dirigentes, jogadores e técnicos não viram o lance na televisão ou eles não sabem corretamente as regras do esporte. No Engenhão, o Botafogo vencia um confronto direto com o São Paulo, mas deu uma vacilada e cedeu o empate. O Inter venceu e se aproximou do G-4, enquanto o Palmeiras se afastou: com 2 a mais, cedeu o 1 a 1 ao Atlético-GO, resultado considerado "a maior vergonha da vida" pelo técnico Felipão. Na parte de baixo, o Cruzeiro levou 3 a 0 em casa e é o primeiro time fora do Z-4. Aliás, os quatro últimos que se cuidem, pois o Ceará bateu o Coritiba e deu uma respirada, prova de que os clubes imediatamente acima da zona do descenso - Cruzeiro, Ceará e Bahia - têm eventualmente vencido, à exceção da Raposa, que não vence há 6 jogos.

Velinhos bons de bola

Rivaldo marcou o gol de empate do São Paulo contra o Botafogo e ainda perdeu uma chance incrível de virar a partida. No sábado, em Curitiba, Paulo Baier marcou o gol que dava a vitória ao Atlético-PR contra o Fluminense até o Furacão ceder o empate aos 48 mins do segundo tempo. O são-paulino é reserva; o atleticano é titular. Qual a diferença entre os dois?

A imprensa e os torcedores têm pedido por Rivaldo há algum tempo. Mas acho que ele rende mais entrando no segundo tempo, pois: 1) seria uma substituição praticamente certa se começasse jogando todos os jogos; 2) quando ele entra no segundo tempo enfrenta adversários já desgastados; e 3) com o retorno de Luís Fabiano e o bom ano que fazem Lucas e Dagoberto, quem sairia do time para a entrada de Rivaldo? Seria possível jogar com os 4?

Já no Furacão Paulo Baier é rei, camisa 10 e durante muito tempo foi também o capitão. Mas joga principalmente porque o Furacão tem um elenco menos qualificado do que o São Paulo. Os atacantes são inoperantes (Guerrón, Adailton, Pablo, Morro García, Nieto...), o que faz com que Marcinho - quando joga, é claro - seja escalado na frente. Como Branquinho e Mádson não têm convencido, é imperativo que Paulo Baier jogue. Mas, por favor, torcedor, cuidado com as comparações, pois um clube luta pelo título e outro contra o Rebaixamento.

Ah, as arbitragens (de novo)

Injustiçado #1: Wagner Reway
Os Atléticos de Minas Gerais e do Paraná chiaram muito contra as arbitragens nessa rodada, mas sem razão. Na Arena da Baixada, o Furacão vencia o Fluminense por 1 a 0 até os 48 do segundo tempo, quando Manoel derrubou Lanzini na área: pênalti que Fred cobrou e converteu. (foi tão pênalti quanto o marcado a favor do Atlético-PR no primeiro tempo e desperdiçado por Cléber Santana. Aliás, vale ressaltar a inteligência do goleiro Diego Cavallieri, que esperou o camisa 8 paranaense bater e defendeu a bola no meio do gol, ao invés de saltar antes, como fazem a maioria dos goleiros.) Um pouco antes, na metade do segundo tempo, Rafael Santos colocou a mão na bola para impedir o domínio de Fred e foi corretamente expulso pelo segundo cartão amarelo; no entanto, a arbitragem marcou falta, sendo que o lance foi dentro da área. Ou seja: o prejudicado, no fim das contas, foi o Fluminense (veja os lances em http://www.youtube.com/watch?v=Of4nK0LtzOo - aos 3 mins e 37 seg e aos 4 mins e 16 seg). O juiz da partida foi Wagner Reway, do Mato Grosso.

Injustiçado # 2: Péricles Bassols
No Beira-Rio, Inter e Atlético-MG empatavam em 1 a 1. Com pouco mais da metade do segundo tempo, D`Alessandro cobrou falta para a área (ninguém estava impedido no momento da batida), o zagueiro Leonardo Silva, do Galo, desviou para trás e Fabrício marcou para o Colorado. Gol legal, pois Fabrício não estava impedido na hora em que D`Ale levantou a bola para a área e quem desviou a bola para trás foi um jogador adversário - se fosse alguém do Inter, aí sim, o gol seria ilegal pois Fabrício estaria impedido. (veja o lance em http://www.youtube.com/watch?v=4EUs1lRtYn4 - preste atenção nos comentários do Batista, que mostrou desconhecimento da regra) O árbitro do jogo foi o carioca Péricles Bassols.

Os clubes brasileiros há anos reclamam da arbitragem, mas não fazem nada para melhorá-la. Reclamar, eventualmente, depois de uma partida em que foi prejudicado ou fazer dossiês contra esse ou aquele clube não vão resolver o problema. Estas atitudes só pioram as coisas, pois enervam os atletas e os tornam inimigos dos árbitros. O jogador é burro por levar cartão amarelo e começar a aplaudir o juiz, sendo que é óbvio que vai receber o vermelho se fizer isso, mas essa atitude dele é igual a dos clubes, que reclamam no pós-jogo para tirar a responsabilidade de si mesmo sobre os problemas e mostrar para a torcida que não são os culpados. Atlético-MG e Atlético-PR estão mal no campeonato não por culpa da arbitragem, mas de seus dirigentes, jogadores e comissão técnica.

O que precisa ocorrer urgentemente no Brasil é uma profissionalização dos árbitros, assim como há com os atletas. É difícil cobrar de um juiz que passa a semana toda trabalhando como professor, jardineiro ou seja lá o que for, uma partida perfeita, sem erros. Muito se cobra dos jogadores, mas eles só fazem isso, são muito bem pagos para isso; com a arbitragem é diferente, logo a cobrança não pode ser a mesma.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Outro campeão carioca?

O Campeonato Brasileiro está, finalmente, encaminhando seus candidatos ao título, a uma vaga na próxima Libertadores e ao rebaixamento. Com 6 rodadas do segundo turno já deu para perceber que aqueles que ainda não deslacharam, como Cruzeiro e Grêmio, não vão mais conseguir recuperar o tempo perdido. No Flamengo, já se fala em priorizar a Sul-Americana; é uma boa ideia, pois é um atalho mais fácil do que o Brasileirão para a vaga na Libertadores, mas com a bola que está jogando não vai passar da Universidad de Chile na próxima fase.

Cariocas favoritos ao título

Loco Abreu comanda o Bota dentro de campo
A disputa pelo título está, hoje, entre quatro equipes: Vasco, São Paulo, Botafogo e Corinthians, mas não creio que o Timão chegará ao final do campeonato na luta pelo caneco. O time de Tite está definhando, não tem uma jogada trabalhada - só faz cruzamentos - e ainda sofre pressões enormes da torcida. O Fluminense corre por fora; até está perto, a apenas 6 pontos do líder, mas não dá pinta de ter força para brigar pelo título. Como o São Paulo também não inspira muita confiança, vejo Vasco e Botafogo como favoritos, mais por deficiências dos outros do que por méritos seus. Só para exemplificar: o Vasco levou 4 do América-MG e o Botafogo tomou de 5 do Coritiba. O Inter estava melhorando, mas sem Damião por 40 dias perde muito da sua força e complica até mesmo a vaga na Libertadores. O Flamengo, se voltar a jogar e os líderes continuarem tropeçando, tem material humano para chegar, ao contrário do Palmeiras, que está no limite e vai penar para conseguir vaga na Libertadores.

Três mineiros na Série B?

A luta contra o Rebaixamento sensibiliza o estado de Minas Gerais. Atlético-MG e América-MG estão em situação delicada, enquanto o Cruzeiro se aproxima perigosamente das últimas colocações. O Coelho é franco favorito a cair; em seguida vem o Avaí, que não consegue assustar nem em casa; o Atlético-PR reagia sob o comando de Renato e a saída do Z-4 parecia questão de tempo, mas agora, sob a batuta do Delegado Antônio Lopes, os mesmos jogadores não estão rendendo a metade do que estavam. A última vaga estará bastante disputada entre Atlético-MG, Ceará, Cruzeiro e Bahia. O Galo melhorou com a chegada de Cuca, mas é sempre muito difícil prever que nenhum drama muito grande acontecerá com as equipes deste treinador, marcado por problemas emocionais. O Vozão está perdendo a força em casa, o que mantinha a equipe numa posição intermediária. A Raposa inventou colocando o interino e dando chance a garotos; mas agora não era o momento, pois a equipe não está estabilizada e nem tem gordura para queimar fazendo testes. Já o Bahia tem como grande triunfo o seu técnico, Joel Santana, especialista em tirar o máximo de equipes muito limitadas e conseguir relativo sucesso.

Será a crise econômica?

O que acontece com alguns grandes nesse início de temporada europeia? Ontem acompanhei a partida Valência 2 x 2 Barcelona, no Mestalla. Os catalães até não foram mal, mas passaram longe de fazerem o que estamos acostumados a ver, como nos 8 a 0 em cima do Osasuna na rodada anterior. Empataram porque o time do ex-gremista Jonas não aproveitou as chances para matar o jogo e foi castigado no final com um passe lindo de Messi para o gol de Fábregas. O Real Madrid iniciou a temporada goleando, mas foi derrotado pelo Levante e passa mais tempo discutindo com a imprensa e reclamando da arbitragem do que treinando para melhorar. Na Itália, a Inter, de Milão, acabou de demitir o técnico; ora, se não tinham convicção no trabalho de Gian Piero Gasperini, porque não trocaram logo ao final da temporada passada? O atual campeão alemão Borussia Dortmund é apenas 11o após 6 rodadas da Bundesliga. O Arsenal é o primeiro time fora da Zona de Rebaixamento na Inglaterra; caem 3. Será a crise econômica ou apenas uma série de coincidências desagradáveis envolvendo alguns grandes da Europa?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Tá indo para onde, Mano?

Na primeira entrevista que deu como técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes afirmou, entre outras coisas, que queria convocar jogadores visando a Copa de 2014 e também ambientando os mais jovens que podem participar das Olímpiadas. Alguém acredita que Kléber, do Inter, Émerson, do Coritiba, Borges, do Santos, ou Fred, do Fluminense, estarão na Copa daqui a 3 anos? Pois na Olímpiada é que não poderão estar. Consta ainda na lista atletas que não são sub-23 e nem muito velhos, mas que não engrenaram na carreira até agora, como Diego Souza e Ralf. A pergunta que fica é: dentro do que se propôs a fazer com a Seleção, onde os amistosos com a Argentina e a convocação desses jogadores se encaixam?
Em outra parte da entrevista, Mano citou como ponto positivo da equipe de Dunga a organização tática. Onde está essa organização na Seleção? O jogo contra a Argentina até não serve muito de parâmetro, pois era um time quase todo novo. Mas e nos outros jogos? O Brasil foi completamente envolvido por Gana, que jogava cheia de desfalques e sem o principal atacante, aliás o único realmente perigoso, Asamoah Gyan. Ainda assim, a equipe de Mano só foi se impor quando passou a ficar com um jogador a mais e o adversário cansou, pois tinha jogado pelas eliminatórias para a Copa das Nações alguns dias antes.

É complicado reiniciar um trabalho, mas Mano tem que manter as suas convicções e não ceder às pressões tão facilmente. O treinador está parecendo um fantoche, fazendo convocações sem sentido e, ainda por cima, atrapalhando o campeonato brasileiro. Mais de um ano depois de assumir o comando técnico da Seleção estava na hora de as coisas estarem mais claras. Parece que a preparação do time para o Mundial está tão atrasada quanto as obras de infraestrutura nas cidades e de reforma/construção dos estádios. Ao menos nesse ponto existe coerência, infelizmente.

Quer relembrar a primeira entrevista de Mano? Aqui está o link. http://esportes.terra.com.br/futebol/brasil2014/noticias/0,,OI4587029-EI10545,00-Confira+a+primeira+entrevista+de+Mano+na+Selecao+em+detalhes.html

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O "fenômeno" Vasco da Gama

Um título no ano é o suficiente?
O que faz o Vasco neste campeonato brasileiro é algo louvável. Pode soar estranho, pois um clube grande lutar pelo título brasileiro deveria ser algo normal, mas não é na atualidade, aonde quem ganha um título de expressão se acomoda, as vezes mesmo tendo vencido apenas um mero Estadual. É só prestar a atenção nos últimos anos: em 2009, o Corinthians tinha bom time, com Ronaldo em forma, mas ganhou a Copa do Brasil e abandonou o nacional; em 2010, o Internacional conquistou a Libertadores, contudo, como não engrenava no Brasileiro, deu a desculpa de que se preparava para o Mundial, no qual perdeu para o Mazembe. O Santos, em 2009, após vencer a Copa do Brasil, e agora, após vencer a Libertadores, relaxou com os títulos. Claro que o desgaste físico depois de ganhar uma competição muito difícil atrapalha, as comemorações e o oba-oba pós-título também, mas o Vasco está provando o contrário, pois mesmo com reservas nas primeiras rodadas conseguiu bons resultados.

Muito disso se deve ao técnico Ricardo Gomes, que conseguiu moldar uma equipe em pouco tempo. Contando com atletas experientes, alguns temperamentais - como Diego Souza -, outros jovens e promissores, Ricardo montou uma equipe técnica, que marca forte e ainda tem muita velocidade. Tomara que ele volte a tempo de comandar a equipe no restante do campeonato, pois se técnico não entra em campo e não ganha jogo, ajuda muito.

Vida de cão?

A vida de treinador de futebol é complicada, especialmente no Brasil. Do contrário, como explicar as reações das torcidas de Palmeiras e Corinthians, só para ficar em dois exemplos, contra Felipão e Tite, respectivamente?

Vencer não é tão fácil quanto parece para os torcedores. Em um campeonato longo, como o Brasileirão, no qual as equipes costumam oscilar naturalmente, é um crime exigir a cabeça de treinadores a cada sequência ruim de resultados. Mudar só por mudar vai atrapalhar ainda mais. O Palmeiras tem sérias carências no elenco, e parece que culpar o técnico é um tanto simplista demais. Já no Corinthians, que venceu o último título nacional em 2009, é ainda mais insensato pedir a saída de Tite, apesar da eliminação precoce na Libertadores desse ano. Talvez seja por essa pressão desmedida que os treinadores estão pedindo cada vez salários mais altos...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

11/09/2001: como contar o que aconteceu?

Gostaria de pedir licença aos amigos para falar de um assunto muito diferente do futebol. Neste domingo, 11/09/2011, o atentado que derrubou as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York/EUA, completou 10 anos. Quase 3 mil pessoas perderam a vida, entre funcionários das companhias que trabalhavam no prédio, viajantes dos aviões sequestrados, além de bombeiros e outras pessoas que ajudavam no resgate dos feridos.


É função do jornalista saber contar uma história da melhor maneira possível. Mas eu confesso que é extremamente difícil encontrar palavras que expressem a brutalidade dos acontecimentos. Os problemas econômicos, a insegurança gerada, nada do que veio junto com o atentado chega perto do fato de quase
3 mil vidas terem sido roubadas assim, do nada, de repente. Lembro da morte da minha avó, a única realmente importante de um familiar que presenciei até agora. Ela já estava bastante doente e, ainda assim, meu pai, a quem eu nunca havia visto chorar, estava aos prantos. É uma cena da qual nunca vou me esquecer e, pensando nela, tento imaginar como devem se sentir os familiares das vítimas do 11 de Setembro, a grande maioria sequer conseguiu recuperar o corpo para fazer uma cerimônia de despedida, para ter um marco de que a partir daquele dia nunca mais verá o seu marido/mulher/filho etc. O que dizer aos familiares das vítimas, ao povo americano, ao mundo diante de tanta violência, como explicar a tantos filhos, maridos, esposas, pais e mães o que aconteceu?

Afirmação

A Dupla Gre-Nal venceu pela terceira vez na mesma rodada do Campeonato Brasileiro. Pela 23a rodada, nada de adversários lutando contra o descenso. No Olímpico, o Grêmio recebeu o São Paulo, visitante mais incômodo da competição, e venceu por 1 a 0, gol de Douglas. Não foi brilhante, mas com competência e aplicação soube anular o adversário e administrar a vantagem. Já o Inter foi a capital paulista e, com um show de Leandro Damuão, fez 3 a 0 no Palmeiras, todos os gols do camisa 9 Colorado e da Seleção Brasileira. Vitórias que falam por si e servem para dar afirmação a nova fase da Dupla no Brasileirão.

Líderes tropeçam... de novo

Entre os 5 primeiros que iniciaram a rodada, o Vasco foi o único que não perdeu. Isso mesmo. A equipe carioca empatou com o Figueirense, em Santa Catarina. O líder Corinthians perdeu para o Fluminense pelo score mínimo; o São Paulo foi derrotado pelo Grêmio, enquanto Botafogo e Flamengo deram vexame. Os comandados de Caio Jr. levaram de 5 do Coritiba, enquanto Ronaldinho e cia. foram batidos em casa pelo Atlético-PR, integrante da Zona de Rebaixamento desde o início da competição.

O Palmeiras segue na briga, mas vai mostrando deficiências que podem complicar a vaga na Libertadores. Para piorar, Fluminense, Inter, Coritiba e Grêmio estão em ascensão no campeonato e tem bola para chegar'ao G-4. Os líderes que se cuidem.

Na parte de baixo, o Atlético-MG venceu a terceira nos últimos 4 jogos e deixou a Zona de Rebaixamento, mas ainda segue ameaçado.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dupla Reação?

Pela segunda vez no Campeonato Brasileiro 2011, a Dupla Gre-Nal venceu na mesma rodada. E, coincidentemente, foram os mesmos adversários da primeira vez em que esse fato ocorreu. Em 05/06, um domingo, valendo pela 3a rodada, o Inter visitou o América-MG, que mandava seu jogo em Campo Grande/MS, e venceu pelos mesmo 4 a 2 aplicados na última quarta-feira; já o Grêmio, no mesmo dia, recebeu o Bahia e, em tarde iluminada de Júnior Viçosa, venceu por 2 a 0, com dois gols do jovem centroavante. Seria um recado dos deuses ou apenas coincidência?

Isso não há como descobrir. O que se pode dizer é que Grêmio e Inter parecem estar, finalmente, melhorando no campeonato. Nos 3 jogos depois do Gre-Nal, o Tricolor perdeu para o líder Corinthians, em São Paulo - mas teve uma atuação bastante satisfatória -, goleou o Atlético-PR, no Olímpico, e bateu o Bahia em Pituaçu; já o Colorado empatou com o Santos em 3 a 3 - é verdade que entregou o jogo, mas abrir 3 a 0 no Peixe também não é para qualquer um -, ficou no 1 a 1 com o Ceará, em Fortaleza, onde a equipe da casa conquistou 20 dos seus 26 pontos no campeonato, e venceu o lanterna América-MG, no Beira-Rio, fazendo bem a lição de casa.

As duas equipes parecem ter se acertado melhor no 4-2-3-1. A dupla de zaga do Inter é uma incógnita, uma vez que nem Juan, campeão Mundial Sub-20, tem inspirado confiança; já no Grêmio, Saimon e Edcarlos se entrosaram bem. O meio de campo da Dupla começa com um volante de muita vitalidade: Élton, no Colorado, e Fernando no Tricolor. Os meias são bastante técnicos, e a diferença gritante entre as equipes está no camisa 9, uma vez que Leandro Damião está muito a frente de qualquer centroavante do Brasil.

Decepcionante

Não gostei da partida entre Corinthians e Flamengo, o grande jogo da 22a rodada. Equipes que lideram o campeonato desde o começo, o Timão só vai no embalo da torcida e cruza bolas para a área a todo momento; o Rubro-Negro parecia time pequeno, só se defendendo e tentando levar perigo em cobranças de escanteio. Apesar de vários bons jogadores em campo, como Ronaldinho, Thiago Neves, Alex e Émerson, por exemplo, não se viu uma jogada de tabela, um lançamento para alguém na cara do gol, apenas cruzamentos e chutes da entrada da área. O resultado de 2 a 1 para os paulistas, apesar da pouca criatividade do Corinthians, foi justo, pois o Flamengo parecia um time cansado e que não briga por nada no campeonato, dada a sua pouca vontade de vencer.

Com a derrota, o Rubro-Negro carioca fica para trás na luta pelo título, pois os outros 4 candidatos ao caneco de campeão venceram (além do já citado Corinthians, o Vasco fez 2 a 0 no Coritiba, o São Paulo ganhou por 2 a 1 do Figueirense e o Botafogo goleou o Ceará por 4 a 0). Até a Libertadores complicou para os comandados de Luxemburgo, pois Inter e Fluminense venceram, e o Palmeiras ao menos empatou. A diferença do Fla para Flu e Palmeiras é de apenas 2 pontos, enquanto que para o Inter a é de 4 pontos.

Na luta contra o Rebaixamento, Atlético-PR e Avaí não conseguiram vencer, mesmo jogando em casa - o Furacão empatou com o Palmeiras e o Leão perdeu para o Santos; os outros dois times do Z-4, os mineiros Atlético e América, perderam fora de casa para São Paulo e Inter, respectivamente. Com a melhora de Grêmio e Santos, a luta contra o Rebaixamento parece começar a se definir entre os 4 últimos (Atlético-MG, Avaí, Atlético-PR e América-MG) mais os nordestinos Bahia e Ceará.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sem surpresas

Mano em sua apresentação
A convocação de Mano, somente com atletas que atuam no país, para os jogos contra a Argentina foi bastante satisfatória. Dentre as opções que o treinador tinha, não existem grandes ressalvas a serem feitas. Além disso, o comandante brasileiro foi bastante generoso com quase todas as equipes, tendo chamado atletas de 11 clubes diferentes, todos eles considerados grandes do futebol.

No gol, Victor, do Grêmio, ficou de fora. Muito justo, pois Jefferson (Botafogo), Fábio (Cruzeiro) e Rafael (Santos) estão melhores no momento. Ainda estariam a frente do gremista os camisas 1 Fernando Prass (Vasco), Marcelo Lomba (Bahia) e Felipe (Flamengo), sem falar nos mais velhos Rogério Ceni (São Paulo) e Marcos (Palmeiras), que nem devem estar dispostos a serem convocados novamente.

A lateral-direita está precisando urgentemente de novos nomes. Danilo, do Santos, e Mário Fernandes, do Grêmio, são jovens e foram bem convocados. Léo Moura (Flamengo) não é mais o mesmo de temporadas passadas, e Mariano (Fluminense), que já foi chamado por Mano, caiu demais de rendimento juntamente com o ano decepcionante do seu clube.

Para a defesa, ficou bastante claro o porquê de a maioria dos zagueiros da Seleção principal atuarem na Europa. Não há ninguém por aqui que esteja perto do nível de Lúcio, Thiago Silva e David Luiz, sem falar ainda que Luisão e Alex são bons nomes, embora estejam em curva descendente na carreira. Dentre as opções nacionais, Dedé (Vasco) e Henrique (Palmeiras) foram bem convocados; contudo, Réver (Atlético-MG) e Rhodolfo (São Paulo) podem sofrer algumas contestações. O zagueiro do Galo chegou inclusive a ser reserva recentemente, sem falar no péssimo momento atleticano no campeonato. A favor dos dois conta a pouca concorrência. Antônio Carlos (Botafogo) é um dos poucos que poderia ter sido chamado, pois mesmo tendo menos recursos do que Réver e Rhodolfo está em uma melhor fase, o que também deveria contar na escolha dos convocados. Na Série B existe um zagueiro muito bom e promissor: Rafael Tolói, do Goiás. Mas enquanto estiver atuando por lá, com todos respeito ao clube goiano, vai ser difícil ele ser chamado.

Se a lateral-esquerda já é um problema da Seleção principal, imagine então quando se limita a escolha aos gramados nacionais. Cortês (Botafogo) é jovem e fez bons jogos, mas ainda estava longe de merecer uma chance como essa. Kléber (Internacional) não é mais o mesmo de outras temporadas, tendo sido convocado pela falta de opções. Diego Renan (Cruzeiro) não faz boa temporada, tendo sofrido com muitas lesões; estivéssemos no ano passado e o cruzeirense seria um bom nome; Gabriel Silva (Palmeiras) fez parte da equipe campeã do Mundial Sub-20 e poderia receber uma chance, mais pela falta de opções do que qualquer outra coisa, mas é um atleta jovem e com passagem pela base da Seleção.

Para as primeiras funções do meio-campo, duas convocações praticamente incontestáveis: Casemiro (São Paulo) e Paulinho (Corinthians). Já as de Ralf, companheiro de Paulinho no Corinthians, e de Rômulo (Vasco) são questionáveis. O vascaíno até tem se saído bem, mas talvez ainda não esteja pronto para uma chance como essa. Quanto ao chamado de Ralf, só pode ser pelo mesmo motivo de Jucilei ter sido convocado anteriormente: dar uma ajuda ao Corinthians para tentar vendê-lo. Arouca (Santos) e Fabrício são muito melhores, fazem a primeira função e sabem sair jogando como poucos; Willians (Flamengo) é um ladrão de bolas nato; até Marcelo Mattos (Botafogo) é melhor. Ajudando o primeiro volante, Henrique (Santos) e Fillipe Souto (Atlético-MG) poderiam ter sido chamados.

A criação da equipe estará a cargo de Renato Abreu (Flamengo), Thiago Neves (Flamengo) ou Oscar (Inter), jogadores que têm qualidade para armar uma equipe. Cícero (São Paulo) é mais um terceiro-homem ou um meia pelo lado esquerdo, enquanto Lucas (São Paulo) é meia-atacante, quase um ponteiro-direito. Todos são bons jogadores, apesar de que Renato Abreu está um pouco velho e não deve receber outra chance. Além deles, Maicosuel (Botafogo), Alex (Corinthians) e, claro, Ganso (Santos), cortado por lesão, teriam qualidade para integrar essa Seleção "nacional".

No ataque, Ronaldinho Gaúcho (Flamengo), Neymar (Santos) e Leandro Damião (Inter) poderão repetir o que fizeram contra Gana, pois são 3 estilos diferentes que se complementam: Ronaldinho arma, Neymar dribla e Damião finaliza. Fred (Fluminense) também foi chamado, mas está em um momento péssimo, principalmente fora de campo. Kléber (Palmeiras) e Dagoberto (São Paulo) teriam qualidade para substituir Fred. Ah, e se for contar só o momento, Borges (Santos), artilheiro do Brasileirão, poderia ser lembrado. Se Ralf e Renato Abreu foram, o que impediria o camisa 9 santista de ser chamado?

A defesa da Seleção principal que jogou contra Gana (Júlio César; Dani Alves ou Maicon, Lúcio, Thiago Silva e Marcelo) e esse trio de ataque é o que Mano mais tem de titulares na Seleção. As outras posições do meio-campo estão em aberto. Lucas, Fernandinho e Elias são ótimos jogadores de clube, mas para atuar na Seleção deveria se exigir algo a mais. Complicado está achar alguém que mereça ser chamado. Contra Gana, o Brasil teve sérias dificuldades para fazer a conexão entre defesa e ataque, justamente porque não tem meio campo. Não tivessem os africanos um jogador expulso e a partida teria sido muito diferente do que foi.

1000 jogos de Rogério Ceni

É algo realmente difícil de imaginar nos dias de hoje que algum atleta irá completar 1000 jogos com a mesma camiseta, tanto é que os clubes homenageiam muito quem chega a 100, em alguns casos já vi fazerem comemorações por 50 partidas. Pois nesta quarta-feira, Rogério Ceni, camisa 1 do São Paulo, estará atingindo a marca histórica de 1000 jogos pelo mesmo clube, só alcançada anteriormente por Pelé, no Santos, e Dinamite, no Vasco. Gostem ou não do goleiro, torçam ou odeiem o Tricolor do Morumbi, é algo louvável tanto da parte do atleta, que foi fiel, tanto da parte do clube, que segurou a barra nos momentos difíceis, soube lidar com as críticas e confiar no seu profissional. Parabéns a Rogério, e parabéns ao São Paulo e a todos os seus torcedores.

sábado, 3 de setembro de 2011

Até onde dá para acreditar?

Que o futebol tem muita coisa "cheirando mal", a gente sabe. O difícil é apontar o lugar exato, os nomes dos envolvidos e, principalmente, ter provas sobre esses fatos. Por isso, é sempre muito interessante quando alguém do meio futebolístico resolve abrir para o público os bastidores desse mundo. Mas é sempre bom o leitor estar atento e não acreditar em tudo que se diz na imprensa, nem pelos jornalistas e nem por outras pessoas.

Roberto Siegmann, ex-vice-presidente de futebol do Inter, deu entrevista bastante explosiva para o site sul21 (http://sul21.com.br/jornal/2011/08/roberto-siegmann-inter-peca-em-democracia-e-transparencia/). Falou coisas muito interessantes, como a comparação entre o futebol e a máfia, e as constatações sobre o fracasso do Inter B. Entretanto, outras opiniões do ex-dirigente podem ser encaradas como um certo ato de revanchismo, uma vez que ele foi demitido junto com Paulo Roberto Falcão pelo atual presidente do clube, Giovani Luigi. Além de chamar o comandante do clube Colorado de lento, Siegmann ainda faz duras críticas a contratação de Fernandão para diretor técnico de futebol e à idolatria exagerada com a figura de Fernando Carvalho. Vale como um excelente exercício de leitura e crítica para quem gosta de futebol e quer saber mais como funcionam os bastidores do mundo da bola.