quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Quando chega a hora de parar?

Assistindo a fraca atuação do zagueiro Leonardo Silva, do Atlético-MG, na partida entre Galo e Botafogo pela Copa Sul-Americana, ontem, no Engenhão, resolvi postar sobre um assunto que me interessa há tempos: como lidar com a idade no futebol?

O jogador citado acima tem 32 anos e não tinha tido passagens marcantes por grandes clubes até se destacar no Vitória em 2008 e ser contratado pelo Cruzeiro. Em sua primeira temporada no clube mineiro, Leonardo se tornou ídolo, foi capitão e marcou gols importantes (chegou a fazer 2 num clássico contra o Atlético-MG). Em 2010, uma lesão impediu o atleta de atuar durante quase toda a temporada. Ao fim daquele mesmo ano, a Raposa e Leonardo não entraram num acordo sobre a renovação e ele foi parar no Galo. Em 2011, o jogador não teve as mesmas atuações dos anos anteriores, a exemplo do jogo de ontem contra o Botafogo, em que cometeu uma falta típica de quem já não tem mais o mesmo vigor e tempo de bola de outras épocas.

Leonardo Silva é só um exemplo e a atuação ruim dele ontem não quer dizer muito, pois um atleta pode eventualmente jogar mal. O que me chamou a atenção é que ele já não vinha bem, assim como muitos jogadores do Galo. Mas o ponto não é a situação do Atlético-MG ou o próprio Leonardo Silva, e sim quando chega a hora de os jogadores começarem a se retirar de cena, indo para clubes menores ou até mesmo pendurando as chuteiras.


Tcheco e Magrão
Eu vejo um descréscimo físico nos jogadores por volta dos 30 anos, uns mais tarde, outros mais cedo, dependendo do histórico de lesões. Mas isso é até meio óbvio e perfeitamente explicado pelos médicos. O ponto aonde quero chegar é a visão do atleta sobre a sua própria carreira e a do clube sobre ele. Pegando dois exemplos: Tcheco era capitão e um dos principais jogadores do Grêmio. Em 2008, foi parte importante de um time vice-campeão brasileiro, mas em 2009 apresentou um declínio físico gritante, sendo bastante criticado pela torcida, o que culminou com a sua ida para o Corinthians no início de 2010. No clube paulista, Tcheco apresentou os mesmos problemas do ano anterior, e foi parar na série B, atuando pelo Coritiba. Lá, ele foi reserva na campanha do título Coxa-Branca e no vice-campeonato da Copa do Brasil desse ano. Atualmente, virou titular e tem feito boas atuações, mas joga quase sempre protegido por dois volantes (Leandro Donizeti e Léo Gago) e com dois jogadores rápidos ao seu lado (Rafinha, Marcos Aurélio, Éverton Costa ou Anderson Aquino), o que faz com que a sua lentidão e seus problemas físicos sejam compensados pela ajuda desses atletas.


Índio e Douglas
Outro exemplo é Índio, zagueiro do Internacional. De zagueiro-goleador e ídolo da equipe passou a ser contestado. O problema maior do xerifão Colorado é que durante toda a sua carreira ele se impôs aos adversários muito mais na parte física do que na técnica. Logo, com o declínio que a idade impõe, Índio começou a ser superado com facilidade e bastante criticado pela torcida. Atuar ao lado de outro zagueiro com características parecidas e pouca velocidade, como é Bolívar, também não ajudou. Contra o Flamengo, quando protegido pelos volantes e com um lateral que apoia pouco (Zé Mário vai muito menos a frente do que Kléber), conseguiu levar vantagem em alguns lances e até voltou a fazer os seus gols.


Ronaldo, ainda "fininho" em outubro de 2009
Não posso imaginar o quanto seja difícil para um jogador pendurar as chuteiras. Se quem costuma jogar uma "pelada" semanal ou mensalmente sente falta quando o jogo não sai, imagina então quem faz do futebol uma profissão e vive esse dia-a-dia durante 10, 15 anos? Mas o atleta tem que ter respeito com a sua história e com seus clubes. Vejamos o exemplo de Ronaldo Fenômeno: voltou desacreditado ao Corinthians, mas foi fundamental nas conquistas da Copa do Brasil e do Paulistão de 2009. No segundo semestre do mesmo ano, teve problemas físicos e não repetiu as atuações anteriores. Em 2010, ano do seu centenário, o Timão disputaria a Libertadores, título ainda não conquistado e obsessão por parte de todos no clube. O que Ronaldo deveria fazer? Se aposentar ao fim de 2009, em respeito a si próprio e ao clube, por não suportar mais as lesões, a carga horária de treinos e jogos, e por saber que seu rendimento seria muito prejudicado ou se preparar bem para atuar no melhor nível possível. O que ele fez? Nem um, nem outro. Conviveu com lesões e polêmicas, contribuiu para o fracasso da equipe na competição continental, quase não atuou no Brasileirão do ano passado e ainda participou do vexame nesse ano, quando o Corinthians foi o primeiro clube brasileiro a cair na fase de Pré-Libertadores.

Por outro lado, vejo também exemplos de atletas que respeitaram a si e ao clube. Um deles é Iarley, que perdeu espaço no Inter em 2008 e foi para o Goiás. No Esmeraldino, se destacou e voltou a ter a chance num grande clube, o Corintians. Atuando em São Paulo, o sucesso não foi o mesmo dos tempos de Goiânia, e ele acabou indo para o Ceará, clube da sua terra natal. Agora, com a perda de espaço no Vozão, que disputa a Série A, voltou ao Goiás, que está na Série B. É capitão e um dos principais atletas da equipe. O que ele fez de correto? Primeiramente, nunca reclamou da reserva, seja no Corinthians ou na época em perdeu a titularidade no Ceará. Buscou seu espaço e teve humildade para retornar a Série B, competição de menor qualidade e exigência técnica.

Outro exemplo bastante positivo é o do Vasco. Ricardo Gomes já avisou que Juninho e Felipe não devem atuar juntos, salvo em jogos excepcionais. Os dois são, sim, muito qualificados, mas têm idade avançada e características parecidas. O Cruzmaltino quase sempre atua com dois volantes, Juninho ou Felipe como terceiro homem do meio-campo contando com o auxílio de Diego Souza, atleta de força, e Éder Luís, de velocidade, e com um centroavante de área, geralmente Alecsandro, mas que também pode ser Élton. A equipe ganhou a Copa do Brasil, sem Juninho, é verdade, mas manteve a estrutura para o Brasileirão e vem colhendo bons resultados - atualmente é o quarto colocado, 3 pontos atrás do líder Corinthians.

A administração da carreira de um atleta é também um problema do clube e dos treinadores. No caso de Ronaldo, claro que ele deve ter sido muito pressionado para continuar, mas a decisão final, a responsabilidade maior é dele. Se o Fenômeno não suportava mais fisicamente a carga de jogos e treinos, então parasse. Um caso que chama a atenção agora é o de Rivaldo no São Paulo. A torcida sempre pede por ele, mas os treinadores que passaram pelo Morumbi tem dosado a carga de jogos. Ele até está bem fisicamente; o que interessa, entretanto, é que se ele jogar todos os jogos o tempo todo não vai suportar e pode começar a sofrer uma série de lesões e ter uma queda de rendimento capaz de prejudicar a equipe.

E você, caro amigo leitor/torcedor, o que pensa a respeito dos problemas que vem com a idade no futebol? Se lembrar de mais algum exemplo e quiser compartilhar com o blog fique à vontade. A sua participação é de extrema imporância e sempre muito bem vinda.

Um comentário:

  1. Na verdade, cada vez mais me convenço de que o conjunto sobressai.
    Se não, como explicar que o Índio voltou a jogar futebol, e o Gilberto Silva está encerrando a carreira, praticamente?
    Talvez a questão do decréscimo físico deva ser entendido à luz do excesso de jogos. Os estaduais a toque de caixa ocasionam um excesso de lesões. Os times estão aos pedaços no meio do ano, quando ocorrem as decisões no primeiro semestre, e vão se recuperando gradualmente.
    Se bem que o futebol é cíclico...

    Abraço,

    Gabriel.

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