O Mundial de Clubes da Fifa em 2010 reservou uma peculiaridade quanto a duas de suas equipes: elas tinham o mesmo nome, diferenciadas apenas por um artigo. A Inter, de Milão (Itália), foi a grande campeã do torneio, enquanto O Inter, de Porto Alegre, deu vexame.
O Colorado passou longe daquela equipe campeã da Libertadores, aliás, do time montado por Celso Roth para as semifinais e finais (sem contar a equipe escalada por Fossati). Mesmo perdendo apenas dois atletas, Sandro e Taison, foi enorme a mudança de postura e de qualidade do time. E isso tem dois grandes responsáveis: o departamento de futebol, representado pela figura de Fernando Carvalho, e o técnico da equipe.
Dentro de campo, na partida contra o Mazembe, não vi salto dos atletas. Fora das 4 linhas, vi soberba dos homens que comandam o futebol do clube e despreparo do seu treinador. Há anos o Inter é apontado como uma das melhores equipes do Brasil. Uma ótima estrutura de treinamentos, sálarios em dia, grandes jogadores, inclusive tendo comprado o passe de Nilmar e D'Alessandro, atletas jovens e com mercado no futebol europeu. Avaliações justas, respaldadas pelos ótimos resultados que o Colorado obteve recentemente. Mas isso mascarou os problemas no elenco da equipe nesse ano.
Em seis meses de Internacional, Wilson Mathias provou que não é jogador de clube grande. O desempenho pífio do Pachuca no Mundial talvez justifique o "sucesso" de Mathias no México, pois parece que ninguém marca no futebol daquele país. Mesmo sabendo disso, talvez por orgulho em não reconhecer o erro, Fernando Carvalho, que classificou o atleta como "espetacular" e muito foi cobrado por suas atuações abaixo da crítca, apostou que o volante Colorado daria a resposta justo no Mundial. Para substituir Sandro, jogador com nível de Seleção Brasileira, ninguém veio. Ficaram as opções Glaydson e Mathias. Pepino para o treinador. Alguns torcedores com quem conversei gostariam de ver o meio-campo com Guiñazu e Tinga de volantes, Giuliano e D'Alessandro como meias. Até acho que poderia funcionar contra o Mazembe, mas é uma escalação um tanto desequilibrada, uma vez que Guiñazu não guarda muito a posição e Tinga está acostumado a jogar mais à frente. Sem falar que a equipe sofreria com a bola parada: além de Bolívar e Índio, apenas o centroavante Alecsandro tem mais de 1,80.
Da mesma forma, o 4-2-3-1 dos últimos quatro jogos da Libertadores, com Tinga, D'Alessandro e Taison como meias, ficou prejudicado pela saída do veloz Taison. Roth apostou em Rafael Sóbis para a função. Errou feio. Sóbis é um excelente segundo atacante, tem bom chute, inteligência, mas não tem a velocidade e a desenvoltura de Taison para ajudar na armação das jogadas. Com isso, ao invés de buscar uma nova forma de jogar, Roth preferiu apostar naquilo que tinha dado certo. E, por quatro meses, o treinador Colorado foi insistindo e vendo que o Inter não convencia dentro de campo. A desculpa oficial era a de que a equipe estava se poupando para o Mundial. Sim, os jogadores até poderiam estar aliviando em algumas divididas, mas só um cego não veria que a equipe estava com problemas. E contra o Mazembe isso ficou claro.
Além desses problemas na estrutura tática da equipe, erros na composição do grupo de jogadores foram ignorados. A equipe passou o ano inteiro sem um reserva para Nei: nem devolvia Bruno Silva ao Ajax, nem o colocava para jogar. Na zaga, além de Índio e Bolívar, havio o uruguaio Sorondo. Mesmo assim, o clube buscou um zagueiro, Rodrigo, ex-Grêmio. Pareceu mais um ato para "mostrar" ao rival que ele errou ao dispensar o atleta do que qualquer outra coisa (o jogador inclusive teve a inscrição no Mundial vetada por ter se tranferido fora da janela europeia). O Inter não precisava de um zagueiro como Rodrigo, de idade avançada e que ainda por cima veio por empréstimo. Do meio para a frente, tanto se insistiu em Edu, diversas vezes sendo escolhido no lugar de meninos promissores como Oscar, Marquinhos e Sasha. Na hora de embarcar para Abu Dhabi, Edu ficou. E quem foi? Oscar e Sasha, sem experiência de jogo junto aos profissionais. Some-se a isso o azar com a lesão de Ilan, centroavante que poderia ser uma opção a Alecsandro, e tem-se um grande número de equívocos. Contestações? Poucas, e que ainda por cima esbarravam na figura de Fernando Carvalho, dirigente multicampeão com o Colorado. Sua opinião vale como lei.
Na época das finais da Libertadores, o Colorado foi muito elogiado por apresentar um grande futebol, devidamente reconhecido por este blogueiro. Agora, diferenças clubísticas a parte, a participação do Inter no Mundial foi um vexame, um fiasco, sem exagero. Como uma equipe abandona o campeonato Brasileiro logo depois da Libertadores, sempre com a desculpa de que se preparava para o Mundial, o grande objetivo, e chega lá para ser eliminado pelo Mazembe?
No futebol, não existem mais bobos, jogos fáceis. Mas isso não serve como desculpa. Nenhum dos méritos do Mazembe na partida é capaz de mascarar os inúmeros erros cometidos no Colorado, principalmente fora de campo. O resultado todos viram: derrota para uma equipe que sequer assustou a Inter, de Milão, na final. E isso que os italianos não fazem uma boa temporada, apenas regular.
Mas em todas as situações existe o lado positivo. Agora, é uma boa hora para o Colorado dar uma mexida no elenco. Aproveitar as propostas que tem, dar uma rearranjada no grupo de jogadores. Começar o ano dando chance aos jovens, se livrando e ao mesmo tempo arrumando um dinheiro com Edu e Alecsandro, por exemplo. Enfim, tirar o salto administrativo e a soberba que tomou conta do extra-campo no clube para voltar a ser o Colorado forte e competitivo que abocanhou duas Libertadores em cinco anos.
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