O Mercado está quente. Neste final de temporada os clubes se movimentam no fechamento dos elencos para 2011. Mas o torcedor sofre. Qualquer especulação, por mínima que seja, e a imprensa já lança notícias absurdas, sempre acompanhadas de um "fonte próxima ao clube informou". A situação fica igual aos debates políticos atuais: um candidato mostrando dados de um lado, o outro rebatendo com outros dados e o povo no meio sem ter como saber a verdade.
Entre tantas notícias mirabolantes, até David Beckham teria sido sondado pelo São Paulo. Adriano e o empresário já avisaram mais de uma vez que o Imperador não volta; mas isso não é o suficiente. O jornalista parece que é ligado ao clube, de tanto que insiste em perguntar se o jogador não vai para essa ou aquela equipe.
Em Porto Alegre, como o Inter recém voltou do Mundial, o Grêmio é quem tem ocupado as páginas relacionadas a contratações. E com uma bomba: Ronaldinho Gaúcho já estaria apalavrado com o Tricolor, faltando "apenas" a liberação do Milan. Excluindo-se aí os delírios da imprensa, e supondo que possa haver algum fundo de verdade nisso, vejamos apenas dois pontos interessantes em relação a vinda de Ronaldinho para o Grêmio.
Primeiro: acertar com o jogador é fácil, o problema é o clube que detém os direitos do atleta liberá-lo. Quem é que gosta de ceder os seus jogadores facilmente? Dentro do Brasil, por exemplo, o Cruzeiro não empresta seus jogadores para clubes grandes, que possam disputar títulos com a Raposa. É só ver o exemplo do lateral-esquerdo Júlio César: após boa temporada no Goiás, em 2008, o clube mineiro fez vista grossa e não o liberou para clubes grandes em 2009, tanto que J. César voltou ao Goiás, novamente por empréstimo, onde fez outra boa temporada. Em 2010, conseguiu ir para o Fluminense.
Segundo: para um clube mediano, com equipe razoável e que não disputa muitos títulos, contratações de impacto como Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo valem a pena. Mas para clubes que disputam títulos elas não valem tanto. É só analisar o que aconteceu com o Corinthians: Ronaldo jogou seis meses em 2009. Passou o resto do ano enrolando, assim como todo o time paulista, diga-se de passagem, e esteve lesionado durante quase todo o ano de 2010. O Grêmio tem um bom time, precisa recuperar bons atletas lesionados (Mário Fernandes e Willian Magrão) e fazer contratações pontuais. Além do marketing, o que Ronaldinho acrescentaria dentro de campo ao Tricolor? Com certeza, muito menos do que o custo que ele representará para o clube, mesmo que se consigam "parceiros" para pagar o sálario dele. (Os parceiros também vão querer alguma coisa em troca, então é hipocrisia dizer que o clube só vai pagar uma parte do sálario. Enquanto ele estiver no time, tudo bem. Quando ele for embora, o "parceiro" vai querer receber uma compensação. Nada é de graça na vida, por que seria no futebol?)
Enfim, Ronaldinho, apesar de ter deixado o Grêmio a ver navios em 2001, é um ídolo da torcida. Não pelo seu caráter, mas por seu futebol, até mesmo por ser um ícone Mundial no esporte. Contudo, no momento atual, em que o Tricolor se encontrou sobre o comando de Renato Gaúcho, a vinda de Ronaldinho mais atrapalharia o clube do que ajudaria. Além de desequilibrar taticamente qualquer equipe, Ronaldo não parece mais disposto a se doar em campo. Em Porto Alegre, perto da família e dos amigos, ele poderia recuperar a vontade de jogar ou, então, se entregar de vez às festas e outros prazeres que o dinheiro proporciona. Vale a pena arriscar?
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