quarta-feira, 30 de abril de 2014

Noite de superação e pé na forma

O Grêmio entra em campo nesta quarta-feira contra o San Lorenzo/ARG para decidir o seu destino na Libertadores. A formação deve ter 3 jogadores com características mais ofensivas no meio-campo, como Enderson já admitiu ser a ideia inicial, mas que ainda não havia conseguido colocá-la em prática. Zé Roberto deve ser o armador, com Luan e Dudu abertos pelos lados em uma linha à frente dos volantes Edinho e Riveros e atrás do centroavante Barcos. Antes do jogo, Enderson acerta, é a hora de testar um time mais ofensivo e de correr mais riscos, resta ver como será na prática. Imagino que o Grêmio deveria se impor já desde os primeiros minutos e pressionar o San Lorenzo, pois se conseguir um gol ainda no primeiro tempo terá todas as condições de se classificar no tempo normal. Se chegar ao intervalo com um 0 a 0, as coisas podem se complicar muito. O San Lorenzo vai fazer a tradicional cera, na qual os argentinos são mestres, e o nervosismo pode atrapalhar a pontaria dos atletas tricolores. Será uma noite de superação, como sempre deve haver em qualquer jogo, especialmente de Libertadores, mas principalmente de pé na forma para o time do Grêmio. Não desperdiçar chances é fundamental para derrubar o bom e abençoado time argentino.

No Paraguai, o Cruzeiro encara o Cerro Porteño com a desvantagem de ter empatado em casa por 1 a 1. Embora o atual campeão brasileiro tenha melhor time, vale lembrar que os comandados de Marcelo Oliveira foram derrotados fora de casa por Real Garcilaso/PER e Defensor/URU, mas cresceram nos últimos jogos da fase de grupos e venceram a Universidad de Chile. Dá para classificar e o time brasileiro entra como favorito, mas não pensem os mineiros que será tarefa fácil. Na noite desta terça, o melhor time da primeira fase, o Vélez/ARG, foi eliminado pelo pior segundo colocado, o Nacional/PAR, só para reforçar que na Libertadores não existe essa história de time ruim e de que brasileiros e argentinos são quase imbatíveis.

FINAL DA CHAMPIONS: REAL MADRI X AZARÃO?

Foto: Getty Images/GOAL
O Real Madri/ESP conseguiu uma classificação maiúscula à final da Champions League, batendo o Bayern de Munique/ALE por 5 a 0 no placar agregado. De forma semelhante, os Bávaros haviam enfiado 7 a 0 em dois jogos contra o Barcelona/ESP no ano passado. Mais uma vez, o bom do futebol é que não existem jogos "jogados" antes da bola rolar. Embora isso seja uma obviedade, é grande o número de pessoas que acredita única e exclusivamente na frieza dos números e dos resultados para apontar um vencedor.

O time do Real é muito forte, há de destacar, mas parece que apesar de o Bayern ter vencido tudo com estes mesmos jogadores no ano passado e de ter sobrado no campeonato alemão, os comandados de Pep Guardiola talvez não estivessem tão comprometidos em conquistar o título, o que até é compreensível já que são os atuais campeões. Por outro lado, o Real deseja a Champions League desesperadamente já há algum tempo (venceu pela última vez em 2002) e sofreu vendo o Barcelona conquistar títulos em 2006, 2009 e 2011. Assim, até mesmo um craque como Cristiano Ronaldo comprou totalmente a ideia do treinador Carlo Ancelotti de defender com competência e contra-atacar para ser mortal, fórmula mais do que consolidada contra times que valorizam tanto a posse de bola como as equipes de Guardiola, mas que também não é fácil de ser executada com tamanha competência.

Nesta quarta-feira, ocorre a outra semifinal entre Chelsea/ING x Atlético de Madri/ESP. Antes das semifinais iniciarem, o Bayern sempre foi tratado como um grande favorito, como se fosse apenas questão de tempo para entrar em campo e assegurar o segundo título. Agora, o Real, por ter eliminado o Bayern, vai ser tratado como favorito. Mas eu não tenho tanta certeza... O Atlético de Madri/ESP, embora tenha orçamento bem menor que os rivais, é o líder do campeonato espanhol e só depende de suas próprias forças para ficar com a taça. Pode até mesmo chegar à última rodada, contra o Barcelona, no Camp Nou, já com o título antecipado. Na Inglaterra, o Chelsea ainda briga pelo título, embora precise de tropeços de Liverpool e Manchester City. Mas no último domingo, em um jogo tratado com clima de final pela torcida do Liverpool, Mourinho levou seu time totalmente desfalcado ao estádio Anfield e venceu por 2 a 0.

O jogo de hoje deve ser bastante disputado e parecido com o duelo da semana passada, que terminou 0 a 0 no Vicente Calderón. A favor do time de Mourinho, além da presença do próprio técnico, acostumado a títulos, é a experiência de campeões como Cech, Terry, Lampard e Eto´o, o que pesa contra o time de Simeone. Mas a temporada que os colchoneros vêm fazendo dão todas as esperanças ao torcedor de que é, sim, possível eliminar os ingleses e avançar para a final contra o rival Real Madri. Independentemente de quem passar, imagino que a decisão da Champions League 2013/14, que será disputada em Lisboa, será marcada pelo equilíbrio, podendo ter o duelo entre dois gigantes do futebol ou um clássico local entre o primo rico e o primo pobre.


PHILIPPE COUTINHO

Felipão deve anunciar a convocação da Seleção Brasileira no próximo dia 7 de maio. A lista está bastante definida e também parece bem justa, embora sempre possível contestar um outro nome escolhido pelo treinador da seleção nacional. No gol, Júlio César e Jéferson já garantiram a vaga; o terceiro nome pode ser Victor ou então um goleiro jovem como Neto, da Fiorentina, que faz grande temporada. Nas laterais, Dani Alves e Marcelo são titulares, enquanto Maicon e Maxwell devem ser os reservas, com Rafinha e Filipe Luís correndo por fora. Na zaga, Thiago Silva, David Luiz e Dante são presenças certas, enquanto Dedé e Miranda são os principais concorrentes à última vaga. No meio-campo, Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar, Hulk e Neymar devem compor o quinteto titular; Ramires, Willian e Bernard podem se considerar muito próximos da vaga, restando duas vagas: um volante, que pode ser Fernandinho (o favorito), Lucas Leiva ou Hernanes, e um meia-atacante, que pode ser Lucas (do PSG), Robinho ou até mesmo Hernanes, que pode ser convocado para funções diferentes. Na frente, Fred e Jô devem ser as opções de referência.

Foto: Skysports
Entre os nomes em alta neste final de temporada na Europa, o que mais poderia ajudar a Seleção é Philippe Coutinho (foto). Surgido com status de estrela no Vasco e vendido muito jovem, ele demorou a se firmar e conseguir algum destaque até chamar a atenção do Liverpool. Nesta temporada, Coutinho carrega a camisa 10 dos Reds e é, ao lado de Gerrard, Suárez e Sterling, um dos pilares da grande campanha que pode dar o título inglês aos comandados de Brendan Rodgers. Além da grande temporada, Coutinho tem características de um meia-armador, o que falta à seleção. Embora jogue numa faixa parecida com a de Oscar, o meia do Chelsea é um jogador mais de condução e aproximação, enquanto Coutinho joga mais recuado, armando e distribuindo. Claro que Oscar deve ser o titular e o fez por merecer, até mesmo porque vem jogando em alto nível há mais tempo, mas acho que Coutinho poderia ser uma ótima opção para a equipe de Felipão, por ter amadurecido e atingido um alto nível de atuações. Vale ressaltar que o Brasil recuperou boa parte do seu status de favorito desde que Felipão assumiu e conquistou o título das Confederações naquele chocolate contra a Espanha, logo, é de se esperar que a Seleção vá encarar equipes muito fechadas. Analisando o perfil do elenco, Coutinho talvez se encaixe como a peça que falta para atuar ao lado de jogadores de velocidade e abastecendo um centroavante de referência, como gostam de jogar as equipes de Felipão.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Abençoado pelo Papa, San Lorenzo faz dever de casa

A derrota do Grêmio para o San Lorenzo/ARG na noite desta quarta-feira por 1 a 0, no estádio Nuevo Gasometro, mostrou evolução por parte do time Tricolor. Assim como no começo da temporada, especialmente nos jogos da primeira fase da Libertadores, o time foi organizado, marcou com energia e sofreu poucos ataques. Contudo, do meio para a frente, a equipe ainda se ressente de jogadas melhor trabalhadas e de um ataque mais efetivo. A derrota por 1 a 0 deixa o Grêmio vivo na Libertadores, mas para avançar a equipe terá que corrigir alguns defeitos e aproveitar as chances de gol que até vêm criando e desperdiçando.

Foto: Zero Hora - Juan Mabromata/AFP
A escalação de Enderson com Geromel (foto) e Léo Gago é plenamente justificável pela maior experiência dos atletas em relação a Bressan e Breno. Nada contra os jovens, mas Bressan foi inseguro quando atuou e Breno sofreu para marcar Marcelo contra o Atlético-PR, logo dá para entender a opção de Enderson. Na zaga, Geromel foi muito bem, ganha vantagem na briga para substituir Rodolpho enquanto ele estiver fora e até mesmo pode permanecer no time se manter o nível da atuação de ontem. Já Léo Gago foi mal, estava sem tempo de bola e ainda errou todos os cruzamentos para a área em cobranças de falta.

Armado de forma diferente dos últimos jogos, o Grêmio não esteve postado no 4-4-1-1, com duas linhas e um meia se aproximando de Barcos. Jogou no 4-1-4-1, com Edinho plantado a frente da defesa e a linha de meio mais avançada com Ramiro e Zé Roberto por dentro e Riveros e Dudu abertos. O time argentino, comandado por Edgardo Bauza, campeão com a LDU/EQU em 2008, entrou no esquema 4-4-2, com o atacante Correa jogando mais recuado e Matos espetado entre os zagueiros. O San Lorenzo tem dois laterais bons no apoio (Buffarini e Más), mas volantes que apenas marcam, o que deixa a equipe com muitas jogadas pelo lado e poucas por dentro. Após segurar a pressão inicial do San Lorenzo, o Grêmio passou a marcar mais na frente e a levar algum perigo. No entanto, o primeiro tempo terminou sem grandes lances de perigo para os dois lados, apesar do jogo ter tido boa intensidade.

Na volta do intervalo, o Grêmio veio melhor, mas quem marcou foi o San Lorenzo. Após um lateral cobrado rapidamente, o time argentino envolveu a defesa com toques rápidos até a bola chegar em Correa, que bateu firme para abrir o placar. Apesar da desatenção, o gol foi mais mérito do time argentino do que erro do time gaúcho. O chute no meio do gol era defensável, mas é difícil considerar falha de Marcelo Grohe porque o atacante estava de frente para o gol, dentro da área e pegou firme na bola. Ainda assim, se não tentasse adivinhar o canto o goleiro poderia ter feito a defesa com certa tranquilidade. A trama rápida, com jogadores de habilidade, como no gol argentino, é o que por muitas vezes falta ao Tricolor, que tem apenas Dudu como opção mais aguda. Barcos não consegue segurar a bola e não tem velocidade para tabelar; Riveros não tem a dinâmica de um meia ofensivo e quando Ramiro não surge como elemento surpresa, o time fica apenas com a alternativa pela esquerda com Dudu, que ainda estava sem a parceria de Wendell, que apoia bem. Mesmo com as dificuldades, após o gol, o Grêmio foi pra cima, com Luan na vaga de Ramiro. Enderson manteve a estrutura, apenas adiantou ainda mais o time na busca do empate. A melhor chance veio com Barcos após um recuo defendido pelo goleiro, mas o argentino não se entendeu com Dudu e mandou por cima a chance do empate.

Para a partida da volta, o Grêmio vai ter que fazer valer a força da Arena. O San Lorenzo tem bom time, mas não é nenhum bicho-papão. O problema maior é o próprio Tricolor, que terá que ser mais envolvente e aproveitar melhor as chances de gol. É possível que Enderson repita o 4-1-4-1, mas alguém deverá ceder o lugar para Luan. Edinho foi bem à frente da zaga e Riveros foi melhor que Ramiro, o escolhido por Enderson para sair na partida na Argentina. Logo, pode ser um indício da formação que será usada no jogo da volta. Se Wendell não se recuperar, a lateral-esquerda pode ser um problema, pois o time tem uma opção a menos com a lesão de Léo Gago. As opções são Breno ou deslocar Pará e colocar Moisés na direita; na prática, não devem representar muita diferença. O que o Grêmio precisa manter é a atitude e a boa atuação defensiva, não exitando e indo para todos os lances de forma decisiva. Na frente, precisará mais de Zé Roberto, Luan e Dudu, uma vez que Barcos não inspira confiança. A classificação está logo ali, mas o ataque, que nunca foi o ponto forte do time, mesmo no melhor momento da temporada, vai precisar estar muito mais inspirado do que nos últimos jogos.

AINDA LIBERTADORES - O Atlético-MG, de Paulo Autuori, levou um gol no último minuto e saiu em desvantagem contra o Atlético Nacional/COL nas oitavas de final da Libertadores. Após ficar se defendendo praticamente o tempo todo e observando uma série de grandes defesas do goleiro Victor, o time sofreu o gol de Sherman Cárdenas no finzinho em chute de fora da área. Jogar com a faixa de campeão é sempre difícil, mas o Galo parece que ainda não entrou em campo para valer na temporada. Tem sobrevivido de alguns lampejos ofensivos e da organização defensiva, mas o time de Autuori é um retrato do técnico nos últimos tempos: acomodado e sem vibração.