quarta-feira, 31 de julho de 2013

O recado está bem claro: o futebol não é do povo

Foto: montagem R7/Wesley Santos/Gazeta Press
A confirmação de torcida única no primeiro Gre-Nal da Arena, estádio construído no "padrão Fifa", é a confirmação dos indícios que já vinham sendo dados ao povo com os novos palcos para a Copa do Mundo: futebol não é do povo e nem para o povo. E o que é pior é que ninguém parece estar dando a mínima. O discurso dos clubes é de lamentar, mas acatar; o Ministério Público aceitou o parecer, e agora? Como fica o futebol nisso tudo, indefeso?

Vamos mais longe. Que recado a Brigada Militar dá aos bandidos quando afirma que não pode fazer a escolta de torcedores para um jogo de futebol? E se houver uma final na Arena, a BM de Porto Alegre vai decidir que a torcida adversária não poderá vir porque não pode fazer a escolta? Que incidentes tão graves ocorreram para que essa decisão fosse tomada, se nem mesmo quando houve a queima dos banheiros químicos, o auge da violência na rivalidade Gre-Nal nos últimos anos, tal atitude foi tomada? Realmente, é difícil de entender; na verdade, se juntarmos as peças fica fácil e o recado se torna claro: o futebol não é para o povo.

Os novos estádios construídos no país para a Copa - e aí podemos incluir também a Arena, que tem "padrão Fifa" e não é do Grêmio - não foram feitos para o povo e nem são propriedade dos clubes ou do governo, embora tenham recebido dinheiro público (com exceção da Arena, que também não foi de graça, pois a OAS recebeu o Olímpico e irá lucrar bastante com o que quer que faça no terreno). Fábio Koff teve que renegociar o contrato do novo estádio, que sangrava o orçamento do clube; no RJ, os proprietários do "New Maracan" querem impor aos clubes contratos de 35 anos que servem única e exclusivamente aos donos do negócio. A Fonte Nova ganhou o nome de Itaipava. O que se quer dizer com tudo isso: o valor dos ingressos, a forma de negociação entre proprietários do estádios e clubes, as normas para conduta dentro das Arenas, tudo é para moldar um novo "torcedor", que na verdade pouco pode torcer, ele pode, sim, é assistir.

No RS, há o agravante da eterna rixa entre brigadianos e torcedores. Há quanto tempo se pede melhor preparo dos profissionais, há quanto tempo se pede a prisão dos criminosos que estão na torcida? Generalizar dizendo que a torcida do Grêmio ou mais especificamente a Geral é o problema é o mesmo que dizer que há corrupção na polícia e que ninguém é confiável. Existem maus elementos na Geral? Com certeza deve existir, assim como existem nas arquibancadas comuns e até mesmo nos camarotes, a função da polícia é identificar e prender essas pessoas, e não se eximir de fazer a segurança ou tentar "facilitar" o seu trabalho retirando a torcida rival. Quantas vezes já houve briga entre torcedores do próprio clube em jogos de Inter e Grêmio? E então, vão retirar todas as pessoas do estádio?

Essa decisão de Gre-Nal com torcida única não é a vitória da violência, como alguns pregam, é um precedente perigoso que está sendo aberto para tirar o futebol cada vez do povo. O Olímpico tinha 2 andares, um era feito completamente de concreto e representava cerca de 70% do espaço; em cima, haviam cadeiras para quem quisesse assistir a partida sentado. Na Arena, 25% do estádio é o espaço da Geral, atrás de um dos gols e com barras para o torcedor não fazer a Avalanche. O resto são cadeiras, onde não se pode tirar a camisa. Que tipo de futebol é esse que estão tentando instituir no país? O que pretendem fazer com as torcidas? Há anos que o preço dos ingressos sobre, já era caro assistir um jogo de Gauchão no Olímpico, imagine uma partida da Copa no Maracanã?

Infelizmente, o futebol caminha para um rumo tortuoso. E não é pela violência, como tenta argumentar o poder público, é pelos interesses de uma minoria que passou a controlar o futebol - ou sempre controlou, mas talvez só agora tenha percebido o mercado próspero que é o esporte.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Podem fazer falta...

O ex-Colorado Derley abriu o caminho
para a vitória dos pernambucanos.
Foto: Aldo Carneiro/PE Press
Os pontos perdidos pelo o Inter na derrota para o Náutico nesse domingo, 3 a 0, na Arena Pernambuco, podem fazer muita falta ao time de Dunga. Com 9 rodadas disputadas, o Brasileirão ainda está bastante embolado, mas como todos os jogos valem os mesmos 3 pontos, tanto a primeira quanto a última rodada tem igual relevância. O Colorado certamente irá brigar na parte de cima da tabela, pelo que apresentou até agora e pelos reforços que trouxe; por isso, o jogo contra o Náutico era estratégico na busca de pontos. O Timbú era o lanterna da competição, vinha jogando mal e sequer tem a força dos Aflitos jogando na nova Arena. Mas o time de Dunga se perdeu após o primeiro gol, tanto que sofreu os outros dois em erros primários: de Willians, desarmado no ataque, e da defesa toda que ficou olhando Rogério invadir a área e decretar o 3 a 0. 

O placar, embora chame a atenção, é o que menos preocupa. O jogo foi bem igual, definido em detalhes após o primeiro gol do Náutico. No Inter, D`Alessandro e Damião fizeram falta, e não poderia ser diferente, com a qualidade dos dois, fariam falta a qualquer time. E o Brasileirão é muito longo, eventualmente os atletas mais importantes vão ficar de fora, o que é inevitável. As reposições de Alan Patrick e Rafael Moura não têm a qualidade de Alex e Scocco, que irão ser mais do que alternativas, mas dois jogadores que com certeza brigarão por vagas entre os titulares. Com isso, nada de terra arrasada, o Inter faz bom campeonato, aproveitou a crise do São Paulo no meio de semana para vencer fora de casa em rodada antecipada e agora terá a semana para se preparar para o Gre-Nal enquanto o Grêmio joga no meio de semana (a partida do Colorado com o Santos foi adiada por conta do amistoso entre o Peixe e o Barcelona). Mas é importante ao time aprender as lições logo. Em jogos contra Náutico e Portuguesa fora de casa, em tese partidas mais fáceis de serem vencidas como visitante, o Inter somou apenas 1 ponto. Sem a força do Beira-Rio, o time tem que se desdobrar para conquistar bons resultados fora de casa para chegar ao fim do campeonato lutando pelo título.

Evolução em ritmo lento

O Grêmio evoluiu, novamente, em garra e determinação na vitória contra o Fluminense, 2 a 0, na Arena. Além disso, apresentou o estreante Riveros, boa opção para o meio-campo. Mas o time de Renato ainda deve. Na defesa, o Flu conseguiu muitos arremates de dentro da área, inclusive uma bola trave. Na frente, as jogadas de gol saem mais no abafa do que em lances trabalhados. É claro que o trabalho do treinador é prejudicado pelo pouco tempo, mas a evolução precisa ser mais rápida, especialmente na defesa, em que a entrada do zagueiro Rhodolfo pode ajudar, mais experiente e também mais alto que Werley e Bressan.

O campeonato começa a ter jogos no meio de semana, e logo o Grêmio terá duelos também pela Copa do Brasil. As melhorias no time precisam ser para ontem. E nesse ponto, mais uma vez, pesa a decisão da diretoria de ter demitido Luxemburgo faltando uma semana para reiniciar o campeonato. A preparação feita praticamente foi por água abaixo, visto que mudando de treinador muda completamente a diretriz do trabalho. Aproveita-se apenas os trabalhos físicos, e até mesmo nisso existem grandes diferenças de um técnico para outro. O Tricolor corre atrás depois dos erros, e precisará ser mais rápido na evolução se quiser brigar por algum título neste ano.

Faixa carimbada

O Cruzeiro se aproveitou dos reservas do Atlético-MG para fazer 4 a 1 no clássico e assumir a liderança do Brasileirão. O time de Marcelo Oliveira é a melhor equipe do certame até aqui, seguida de perto por Inter, Botafogo e Coritiba. E isso que a Raposa está atuando sem seus dois melhores avantes, Dagoberto e Borges, lesionados, além de Júlio Baptista, recém-contratado. Os mineiros com certeza terão a companhia de Botafogo e Inter até o fim do campeonato na luta por título e Libertadores. O Coxa também dá sinais de força para lutar ao menos por G-4, embora tenha apenas empatado com o Vitória nessa rodada, em casa. Do jeito que Alex está jogando, será difícil que os paranaenses despenquem na tabela. O time baiano, comandado por Caio Jr., segue muito perigoso e conta com o artilheiro Maxi Biancucchi, cada vez menos conhecido por ser o primo de Messi e sim pelos seus gols e dribles.

Por fim, o Corinthians ainda patina no campeonato e se distancia da briga pelo título. Parece sentir demais a ausência de Paulinho e a má fase dos atacantes Pato, Guerrero e Émerson. O time nunca sabe quando eles irão marcar, e agora não há mais o volante-goleador para salvar. Com Danilo perdido e também sem o motorzinho Jorge Henrique, o time de Tite perdeu força, e o técnico precisa reinventar a equipe em meio ao campeonato. Já para o São Paulo não perder o clássico ajuda, embora Autuori tenha avisado, e com razão, que sua equipe não pode comemorar o empate. Se bem que para o momento do Tricolor, perder de pouco já estaria de bom tamanho para ao menos não aumentar o rombo da crise.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Bem-vindo, Galo, à galeria dos campeões da Libertadores

A Copa Libertadores 2013 chega ao fim coroando o Atlético-MG com o título de campeão. Os brasileiros bateram o Olímpia/PAR, nos pênaltis, e conquistaram a sua primeira taça na competição continental. E o resultado não poderia ser mais justo pelo que foi apresentado dentro de campo e pelo trabalho sólido de Cuca fora dele, iniciado ainda em 2011 quando assumiu a equipe na Zona de Rebaixamento. É difícil imaginar o Galo como campeão de um título tão importante após mais de 40 anos desde o título Brasileiro em 1971, mas os tabus estão aí para serem quebrados, ainda mais no futebol. O time mineiro investiu forte, capitaneado pelo presidente e torcedor Alexandre Kalil, trouxe um bom treinador com um histórico de decepções, atletas de nome como Victor, Réver, Guilherme, Ronaldinho e Diego Tardelli, todos escolhidos e bancados, além de outros negócios de ocasião como Pierre, renegado pelo Palmeiras, Josué, Alecsandro e Jô. Construiu um grupo forte, com opções de confiança, jogou um futebol por vezes até muito arriscado e foi carregado pelo embalo apaixonado da torcida nos jogos em casa, como em nenhum outro lugar do continente se viu.

Foto: Vanderlei Almeida/AFP
 O torcedor atleticano, acostumado a dor e ao desespero, começava a chorar na arquibancada aos 30 do segundo tempo quando via que a coisa não estava indo, mas não desistia de cantar e empurrar a equipe. E assim o Galo derrotou o Tijuana/MEX com Victor defendendo um pênalti aos 47 do segundo tempo, derrubou o Newell´s/ARG com um gol de Guilherme também no final e vitória nos pênaltis com mais duas defesas de Victor, e por fim venceu o Olímpia nos pênaltis após um gol de Leonardo Silva aos 40 do segundo tempo levando a partida para a prorrogação. Na final, o time estava calejado, teve serenidade para não se afobar na prorrogação, mesmo com um homem a mais, e extrema competência nos pênaltis para converter as suas 4 cobranças contra o bom goleiro uruguaio Martín Silva. Ronaldinho sequer precisou bater após a defesa de Victor na primeira cobrança e o chute na trave na quinta penalidade dos paraguaios, que confirmou o título atleticano.

Em uma Libertadores extremamente marcada pela postura covarde dos visitantes, inclusive do Atlético-MG contra o Newell´s e o Olímpia, o time que mais conseguiu se impor em casa foi o vitorioso. E nesse ponto o fato de o Galo ter sido a melhor campanha da primeira fase e ter decidido sempre no Independência ou no Mineirão foi fundamental para a recuperação da equipe. Do jeito que o time jogava fora de casa, talvez se o Galo fizesse o primeiro confronto em MG não teria força suficiente para segurar o rival no jogo de volta, como não tiveram os seus rivais. Além de um time de qualidade, o Galo teve espírito de Libertadores e sorte de campeão, pois para vencer a competição mais importante do continente não basta apenas qualidade, raça ou sorte, mas uma mistura dos três na medida certa, e o Galo ainda acrescentou a paixão fervorosa de uma das torcidas até então mais carentes de um título de expressão entre os clubes brasileiros. Foi um título justo, como também poderia ser ao Olímpia e ao Newell´s; mas agora era a hora do Galo, e não há mais nada a dizer senão "Bem-vindo, Galo, à galeria dos campeões da Libertadores".

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Gigantes em crise

Foto: Lancenet
As vitórias de Cruzeiro e Vasco foram os destaques da 8a rodada do Brasileirão. O time mineiro fez 3 a 0 no São Paulo, escancarando completamente a crise no Tricolor e estendendo seus efeitos para fora dos gramados com a notícia da briga entre dirigentes num churrasco do clube. Já o Cruzmaltino talvez tenha ido ainda mais longe, quem sabe espantando a crise e promovendo um marco da virada no campeonato após o 3 a 1 no Fluminense na volta dos clubes cariocas ao Maracanã. Ao contrário do time de Abel Braga, que está com a cabeça nas nuvens, o time de Dorival Jr. jogou um clássico, disputou cada jogada como se fosse a última, aproveitou a qualidade de Juninho e o oportunismo dos centroavantes André e Tenório para despachar o rival. Apesar de ainda ter todos os problemas que acometem o clube desde o início do ano, a perspectiva muda sob o comando de Dorival. Ao contrário de Paulo Autuori, o novo comandante parece disposto, de verdade, a tirar o máximo que puder dos jogadores que têm. Não falou muito em dificuldades, talvez por conhecer melhor o clube e ter enfrentado uma Série B em condições piores que as de hoje. Dorival trata de consertar os problemas dentro de campo, deixando o resto para a direção. Por enquanto, dentro de campo, o clube está no caminho certo, resta agora que os dirigentes façam o seu papel fora dele.

Os líderes do campeonato, Botafogo e Coritiba, também conquistaram resultados importantes. O Alvinegro fez a lição de casa e bateu o saco de pancadas Náutico, 2 a 0. Já o Coxa esteve duas vezes atrás do marcador contra o perigoso time do Santos, milagrosamente arrumado pelo "interino" Claudinei Oliveira, mas conseguiu um empate importante na Vila, 2 a 2, gols do craque Alex. O camisa 10 paranaense, aliás, é sem sombra de dúvidas o craque do campeonato até aqui. E não se pode dizer que é um veterano renegado por estar no clube paranaense; pelo contrário, é uma figura de muito destaque, foi cobiçado por vários clubes, mas preferiu voltar às origens para ajudar o clube do coração. É tão genial que até nesse ponto se destaca da grande maioria dos jogadores.


DUPLA GRE-NAL

O Inter teve dificuldades contra o embalado Flamengo por conta da atuação do rival, que está melhorando sob o comando de Mano Menezes. Ainda assim, é difícil prever até onde o Rubro-Negro pode chegar. A equipe de Dunga também complica as previsões, alternando bons e maus momentos. No jogo, o gol salvador de Juan foi um prêmio ao time Colorado, mas um resultado de empate ou de vitória dos cariocas também não seria a maior das injustiças. Com as chegadas de Alex e Scocco, no entanto, se credencia, e muito, ao título. Pelo menos no papel.

Já o time de Renato Gaúcho teve uma jornada de descontrole. Atuando fora contra o Criciúma, o Grêmio perdeu a oportunidade de conquistar três pontos contra um time fraco. Resultado, talvez, da troca de comando em meio ao campeonato, que na maioria das vezes é nociva para os clubes. Em busca de identidade, o time apresentou uma que ninguém gostaria de ter: a de uma equipe sem controle. As expulsões de Matheus Biteco e Vargas comprometaram completamente o jogo, e ainda assim a equipe quase não perdeu. O trabalho de Renato será mais árduo do que parece para ajeitar a equipe e fazer ela brigar no topo da tabela.

"CAIU NO HORTO... OPA, NO MINEIRÃO, TÁ MORTO?"

O Galo trouxe um péssimo resultado do Paraguai ao perder por 2 a 0 para o Olímpia. Mesmo assim, o título segue totalmente em aberto. A mudança de local das partidas do clube como mandante, do Independência para o Mineirão, com certeza abala um pouco a confiança do time, mas por outro lado a massa de atleticanos será ainda maior. Trata-se de uma grande decisão e o time de Cuca precisa ser aquilo que tem sido dentro do Horto: um time agressivo e envolvente. Não há saldo qualificado na final, logo se o Galo levar um gol tem que fazer 3 para levar a decisão para os pênaltis, portanto, ainda há vida. E o grande problema dos times nessa Libertadores é que fora de casa a maioria quase não ataca, o que facilita a vida dos mandantes. O próprio Olímpia fez isso contra o Fluminense. Levou o 0 a 0 para o Defensores Del Chaco, fez 2 a 1 e despachou o Flu. Contra o Galo, no entanto, não há volta. Se apenas se defender, o clube paraguaio corre grandes riscos de ficar com o vice da Libertadores. Cabe aos atleticanos imporem o seu ritmo e transformarem uma noite qualquer de quarta-feira na maior da história do clube.

domingo, 14 de julho de 2013

Vitórias da humildade

A Dupla Gre-Nal conquistou duas importantes vitórias pela sétima rodada do Brasileirão nesse final de semana. No sábado, o Inter foi a Macaé e derrotou o Fluminense por 3 a 2. Embora o momento do time de Abel Braga não seja dos melhores, a equipe está junta há bastante tempo, disputou a Libertadores e tem jogadores como Deco e Fred. Ainda assim, o time de Dunga foi eficiente na frente e humilde atrás. Não desmereceu a força dos cariocas, tratou de administrar o placar construído e se defender com unhas e dentes no segundo tempo. Como resultado, saiu de campo com três pontos importantíssimos. No domingo, o Grêmio recebeu, na Arena, o Botafogo, então líder do campeonato. Ciente das suas dificuldades, foi envolvido em boa parte do jogo, mas esteve sempre mais preocupado em marcar do que atacar. Aproveitou duas chances com Vargas, viu Seedorf fazer um lindo gol e contou com um pouco de sorte e muito do goleiro Dida para confirmar o triunfo Tricolor por 2 a 1.

Forlán (d) fez até gol olímpico na vitória no RJ.
Foto: Alexandre Lopes 
As equipes ainda têm muito a crescer no campeonato, mas as vitórias com certeza dão moral e podem ser um divisor de águas. Dunga precisa urgentemente estancar o seu sistema defensivo. Muriel está inseguro, a zaga com Índio e Juan é muito pesada e lenta, o meio-campo precisa de uma alternativa aos que estão fora (Airton, Ygor e Willians). Do meio para a frente, chegaram Jorge Henrique e Alan Patrick, Dátolo está sendo reaproveitado, e se Damião sair deve vir Saviola ou Nilmar. O grande problema do Inter, agora, é sua defesa. O zagueiro Ernando, do Goiás, talvez só venha no começo de 2013. Sem Moledo, a aposta pode ser Jackson, que recentemente ficou um longo tempo parado por lesão, ou Romário, figura presente nas seleções de base que nunca se firmou no clube; Ronaldo Alves também é pesado demais para jogar com Índio ou Juan. Com essas opções, Dunga tem um grande problema a resolver, além de precisar achar opções para compor a "volância" com Josimar.

Vargas marcou duas vezes em tarde chuvosa na Arena.
Foto: Wesley Santos/Press Digital 
No Grêmio, Renato talvez tenha um grupo um pouco melhor de jogadores, mas tem menos tempo de trabalho. O que deu para recuperar do time até agora foi um pouco do ânimo. Com as atuações irregulares de Adriano e as boas entradas de Maxi Rodríguez, o clube passa a sofrer com a questão dos estrangeiros. Vargas e Barcos são titulares, Riveros tem tudo para jogar como parceiro de Souza na marcação, mas e Maxi? Na defesa, Bressan e Werley parecem inseguros; o ideal seria que tivessem um parceiro mais experiente. Mas a torcida enlouquece de raiva só em ouvir falar o nome do zagueiro Cris. Do meio para a frente, Renato tem a missão de resolver o problema Elano. Nas últimas partidas, o camisa 7 só conseguiu ser decisivo quando saiu do banco e entrou no segundo tempo. Elano é fundamental para o time, mas não aguenta 90 minutos e se sai jogando sucumbe fisicamente logo. Com isso, além da insegurança na defesa e o problema com os estrangeiros, Renato precisa resolver a armação do time, que tem o seu principal expoente muito mal fisicamente.

FORA DO NORMAL

O Brasileirão até agora tem sido das "zebras". É normal em todo o começo de campeonato que equipes desacreditadas larguem bem. O decorrer da competição irá mostrar até onde elas podem chegar. É comum também que candidatos ao título comecem o Brasileiro deixando a desejar. E esses pontos do início podem fazer falta no fim. Com base nisso, vemos Coritiba e Vitória como equipes que não devem brigar por título, nem por Libertadores. Ainda assim, são insinuantes e vão tirar pontos de muita gente, especialmente o Leão quando jogar no Barradão. Botafogo e Cruzeiro, que completam o G-4, também não são candidatos ao título, mas largam bem em busca de vaga na Libertadores. O time carioca é muito bem treinado por Oswaldo Oliveira, mas peca na falta de qualidade, o mesmo problema de anos anteriores. Já a Raposa tem feito grandes jogos, especialmente em MG, mas acaba de perder Diego Souza. Ele ainda não havia sido fundamental, mas é um atleta que todos sabem do potencial e que poderia ser decisivo na busca de bons resultados no campeonato.

O Galo, mesmo "prejudicado" por disputar a Libertadores, soma 10 pontos, apenas 5 a menos que o líder Coxa. Fluminense e Corinthians têm 9. Dos três, esperava-se que cariocas e paulistas pudessem estar melhor enquanto os mineiros jogam a competição continental. Estão dando sopa para o azar. Correndo por fora como candidatos ao título, Inter e Grêmio têm 12 pontos, enquanto o São Paulo tem 8. Claro que tudo ainda está muito em aberto e teremos muitas reviravoltas pela frente. Mas os pontos perdidos e conquistados no começo do campeonato podem facilitar ou dificultar a vida de muitas equipes na briga por título, Libertadores ou contra o Rebaixamento.

BRASILEIRÃO DOS ESTRANGEIROS?

O argentino Maxi Biancucchi (Vitória), primo de Messi, é o artilheiro do Brasileirão com 6 gols em 7 jogos; o uruguaio Forlán (Inter) tem 5. Nessa rodada, na Arena, o chileno Vargas os fez dois gols para o Tricolor, enquanto o holandês Seedorf descontou para o Botafogo. Isso sem falar em D'Alessandro, Lodeiro, Escudero, Barcos... Seria esse o campeonato dos estrangeiros?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

"Caiu no Horto, tá morto!"

Cuca pode finalmente coroar
um dos seus muitos bons trabalhos
com um título de expressão.
Já passou da hora.
Foto: Reuters
A classificação do Atlético-MG à final da Copa Libertadores não tem uma justificativa lógica. O time foi mal na Argentina, perdia forças no confronto quando achou o segundo gol, desperdiçou pênaltis, mas conseguiu vencer. O Newell's/ARG também errou: quase não atacou no jogo da volta e desperdiçou penalidades, aliás, mais do que o Galo. A vitória do time brasileiro veio em pequenos detalhes, na sorte da queda de luz, definida por Cuca como "uma parada divina", já que ele pode arrumar o time e conseguiu o segundo gol; veio nos erros do terceiro e quarto pênaltis do Newell's, quando o Galo tinha perdido dois em sequência com Jô e Richarlyson; e veio, principalmente, na grande defesa de Victor, pegando a cobrança de Maxi Rodríguez, experiente jogador argentino que claramente sobrou na partida, mas na hora decisiva vacilou. O Galo, agora, vai para a decisão com o Olímpia/PAR, que eliminou o Santa Fé/COL. Será outro jogo duro, com certeza, mas o time paraguaio tem menor qualidade que o argentino, e isso já é um primeiro ponto favorável aos mineiros. A decisão da Libertadores está completamente em aberto, e o Galo tem reais chances de ser campeão pela primeira vez na sua história.

O JOGO: DOIS TEMPOS DISTINTOS E GOL SALVADOR APÓS "APAGÃO"

O Galo teve dois tempos distintos. Na primeira etapa, pressionou, abriu o placar cedo com Bernard e conseguiu criar chances para ampliar. Poderia ter ido para o intervalo com um 2 a 0 se o árbitro uruguaio Roberto Silveira tivesse marcado um pênalti claro em Jô. A seu favor, teve a saída do zagueiro Heinze, contundido após dura entrada de Pierre. Na volta do intervalo, o Newell's saiu para o jogo, foi à frente e teve chances para marcar. O Galo estava perdido, com Ronaldinho marcado, e a dupla Tardelli-Bernard cansada. Como os dois volantes marcam muito, mas saem pouco para o jogo (Pierre e Josué), o time sofria sem criatividade. Cuca tentou com Luan, mas a mudança não surtiu efeito. E, então, veio a pane de luz, que mudou a partida. O treinador atleticano reposicionou Ronaldinho pela esquerda e colocou Alecsandro e Guilherme nas vagas de Bernard e Tardelli. O time conseguiu duas boas chegadas, e numa delas a bola sobrou na entrada da área para Guilherme fazer o segundo. Ronaldinho, aberto pela esquerda, ainda teve mais uma chance antes do apito final.

Nas penalidades, Alecsandro e Guilherme cobraram muito bem, assim como Scocco (que bateu de cavadinha, esbanjando categoria) e Vergini; nas terceira e quarta batidas, os canhotos Jô e Richarlyson perderam, parecendo que o campo atrapalhou os dois por conta de um buraco ao lado da marca penal e onde os atletas colocaram o pé de apoio; para sorte dos brasileiros, o bom lateral Casco e o meia Cruzado também perderam. Na quinta cobrança, R10 deslocou o goleiro Guzmán e jogou a pressão para Maxi Rodríguez. Apesar de experiente, com passagens por Atlético de Madri/ESP e Liverpool/ING, e tendo jogado muito bem, o camisa 11 do Newell's parou em Victor. Se o camisa 1 atleticano já havia virado herói após o pênalti defendido contra o Tijuana, está a um passo de ser santificado pela torcida atleticana.

Acompanhando a partida no FOX Sports, gostei muito dos comentários de Mário Sérgio. Fez análises precisas, de quem sabe o que fala, e acertou em quase 100% delas. É um treinador com boas ideias, mas parece que foi engolido por não se adaptar ao mercado, e hoje talvez tenha enchido o saco de treinar equipes sem a firmeza de saber se amanhã ainda continuará no cargo. Uma pena para o futebol, mas bom para o jornalismo esportivo, que ganha um profissional que, embora não seja formado, vai contribuir muito para o meio com o seu conhecimento do esporte.

COPA DO BRASIL

O Inter assustou o torcedor no duelo contra o América-MG nessa quarta-feira pela partida de ida da terceira fase da CB. No intervalo do duelo no Centenário, o placar apontava 1 a 0 para o Coelho, e o time de Dunga não havia tido chances. A escalação com o zagueiro Jackson como volante não surtiu efeito, pois não melhorou a marcação do time. Na volta para o segundo tempo, Dunga arriscou sacando Jackson e colocando Jorge Henrique ao lado de Josimar, Dátolo e D'Alessandro no meio-campo. Deu certo. O time foi à frente, empatou com D'Ale cobrando pênalti, virou numa pixotada do zagueiro e ampliou com Maurides. O garoto, aliás, foi um personagem à parte do jogo. Após o gol, puxou uma estrelinha seguida de um mortal e machucou o joelho. Teve que sair da partida, e como o Colorado já havia feito as 3 substituições terminou o confronto com um a menos. Tomara que não tenha sido nada grave, pois Maurides já foi elogiado, mas ainda não havia correspondido em campo. Com o gol, poderia ganhar confiança e até mesmo brigar por um lugar no time com a iminente saída de Damião. Será uma pena interromper a evolução do atleta justo nesse momento. Com o 3 a 1, o Inter vai tranquilo para o duelo de volta. Não deve enfrentar um caldeirão no Independência, e a medida que o Coelho sair para buscar os gols vai deixar espaços. Cabe ao time de Dunga aproveitá-los e tornar a classificação mais tranquila do que foi o jogo dessa quarta.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

As mudanças pós-Confederações

Seedorf fez o gol da vitória no clássico contra o Flu,
que colocou o Botafogo na liderança do Brasileiro.
Foto: Antonio Carneiro/LancePress!
Algumas incógnitas começaram a ser desfeitas, e outras não, após a primeira rodada desde a parada do Brasileirão para a disputa da Copa das Confederações. O grande destaque foi a vitória do Botafogo no clássico contra o Fluminense, 1 a 0, em partida disputada na Arena Pernambuco. Assim como o Flamengo, que preferiu jogar em Brasília, no sábado, o Botafogo não utilizou o Maracanã. Levou o clássico para Pernambuco, longe da torcida e das exigências dos novos "donos" do Maraca (leia aqui mais detalhes na coluna de Mauro Cezar Pereira, da ESPN). Os novos estádios, aliás, estão provocando alguns problemas. Nessa segunda-feira, surgiu a notícia de que o Gre-Nal, em 04/08, na Arena, pode ter torcida única por orientação do BOE (Batalhão de Operações Especiais), que teme pela segurança das torcidas. Como se vê, as consequências da Copa do Mundo no Brasil podem ser muito mais drásticas para o futebol nacional do que se imagina, e as coisas já estão começando a tomar um rumo estranho.

Outros dois destaques da rodada foram vitórias de visitantes: a Ponte Preta bateu o Náutico por 3 a 1, em jogo de estreias no banco de reservas. O Timbú, que também estreava em jogos oficiais na Arena Pernambuco, foi comandado por Zé Teodoro, substituto de Silas, enquanto a Macaca apresentava Paulo César Carpegiani, que está no lugar de Guto Ferreira. Em São Paulo, o Tricolor do Morumbi seguiu a fase de derrotas em clássicos. Depois de perder pela Recopa para o Corinthians, também em casa, no meio da última semana, dessa vez o time de Ney Franco levou 2 a 0 do Santos. Cícero, pretendido pelo Inter, marcou um dos gols de cabeça.

DUPLA GRE-NAL

Renato Gaúcho estreou após menos de uma semana desde sua volta ao Grêmio com um empate no Paraná contra o Atlético-PR, 1 a 1. Muito pouco mudou do que o time vinha fazendo sob o comando de Luxemburgo, e só poderia ser assim mesmo. Após mais de um ano atuando sob uma filosofia, não vai ser de uma hora para outra que tudo vai mudar. A boa notícia foi a estreia de Maxi Rodríguez, que deu o passe para o gol de Barcos. O Tricolor, no entanto, terá que decidir quais estrangeiros irá usar. Se Vargas e Barcos são titulares, Riveros e Maxi brigam por um lugar entre os 11 ou no banco, já que apenas três estrangeiros podem participar dos jogos. A diretoria sabe disso, logo deve ter se planejado. Ou será que não?

No domingo, o Inter recebeu o Vasco em Caxias, e venceu por 5 a 3. Mostrou um ataque potente, mesmo sem Leandro Damião. Até o contestado Rafael Moura fez o seu. Por outro lado, levou 3 gols do Vasco, que é um dos piores do campeonato, e deverá ser forte candidato ao Rebaixamento. O time venceu, o que é o mais importante, mas precisa melhorar logo. A chegada do zagueiro Ernando, do Goiás, se confirmada, pode ser um alento para o time. Uma defesa com Índio e Juan é muito pesada, com idade avançada e os dois ainda têm uma alta propensão a lesões. Ernando não é espetacular, mas fez boa dupla com Tolói e certamente irá acrescentar à equipe. A alternativa de Dunga com Kléber e Fabrício mostrou boas jogadas pela esquerda; pena que não poderá ser repetida contra o América-MG, pela Copa do Brasil, pois Fabrício está suspenso.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Resultados iguais, perspectivas diferentes para a volta

Uma das Libertadores mais competitivas dos últimos anos pela qualidade das equipes apresenta nas semifinais Olímpia/PAR, Santa Fé/COL, Newell´s/ARG e Atlético-MG. Alguns times melhores ficaram pelo caminho, como Boca Jrs./ARG, Vélez/ARG, Corinthians, Grêmio e Fluminense, sem falar em equipes de mesmo nível, como Tijuana/MEX e Nacional/URU. Nos jogos de ida das semifinais, nós vimos porque equipes mais fracas tradicionalmente podem chegar longe na Libertadores: a técnica fica em segundo plano na competição continental. Atuando como mandantes, Olímpia e Newell´s venceram Santa Fé e Atlético-MG, respectivamente, pelo mesmo placar, 2 a 0. E ambos não foram brilhantes, têm times parecidos ou pior do que os rivais, mas se impuseram na raça, na força e no apoio do torcedor. No entanto, embora os resultados tenham sido iguais, as perspectivas para os duelos de volta são muito diferentes. O Santa Fé terá que fazer algo muito especial, uma partida de exceção para ao menos devolver o 2 a 0 e levar o confronto para os pênaltis. Difícil, muito difícil. Já o Atlético-MG, se fizer o que o Newell´s fez na Argentina em termos de pressão dentro e fora de campo, com certeza tem qualidade para fazer até mais do que 3 a 0. Não que o time argentino seja ruim, pelo contrário, é uma ótima equipe, foi campeã do segundo turno do campeonato nacional e perdeu a grande final para o Vélez por 1 a 0. Mas o time mineiro já mostrou que pode ser mágico, e vai precisar de todo o seu potencial para conseguir reverter a desvantagem e continuar sonhando com o título da Libertadores.

RENATO NO GRÊMIO

A saída de Vanderlei Luxemburgo foi tardia e estranha. Mas nesse caso pode-se aplicar a frase de que "há males que vêm para o bem". Fábio Koff identificou o grande problema desse time gremista: a falta de empatia com a torcida e de gana para ser campeão. E isso Renato já mostrou que pode dar ao time, quando, em 2010/11, tirou leite de pedra colocando um time com Paulão e Diego Clementino na Libertadores. Enfim, Renato está muito atrás de Luxa em termos táticos e de comando de grupo, mas o elenco está com uma boa base após quase um ano, sem falar que o auxiliar Roger é muito elogiado e parece mesmo ser muito bom organizador de equipes. Renato pode ser a injeção de ânimo e gana por títulos que está faltando ao time gremista, pois o elenco é bom e com certeza tem condições de chegar longe na Copa do Brasil e lutar pelo Brasileiro.