quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mudança no Pensar

Tite foi de eliminado da Pré-Libertadores a campeão
Brasileiro, da Libertadores e do Mundo em 2 anos.
Foto: Toru Hanai/Reuters
A temporada 2013 começará com poucas mudanças entre os elencos das principais equipes do país, mas com uma grande diferença na forma como os clubes fazem futebol. Comparado aos anos anteriores, os times brasileiros parecem finalmente terem percebido que a continuidade, tanto de treinadores quanto de jogadores, ajuda muito mais do que a contratação de um pacote de atletas e um novo comandante a cada virada de ano. O grande símbolo deste momento é Tite. Eliminado da Pré-Libertadores em 2011, entrando para a história como o primeiro (e único até agora) time brasileiro a cair nessa fase da competição, ele levou o Corinthians aos maiores títulos possíveis em 2 anos: o Brasileirão, a Libertadores e o Mundial de Clubes.

Entre as principais equipes, a que a torcida mais cobra reforços é o Cruzeiro, que teve um ano pífio. Já trouxe novo comandante, Marcelo Oliveira, de grande passagem pelo Coritiba e de meteórica estadia em São Januário, além de um craque, Diego Souza, que estava no mundo árabe. Se mantiver Montillo, trouxer um bom zagueiro para jogar ao lado de Rafael Donato e um lateral-esquerdo, pode voltar a ser a Raposa de duas temporadas atrás, brigando por títulos.

Logo em seguida na lista dos mais necessitados vem o Flamengo, que corre atrás de muita gente, está sempre no noticiário com possíveis reforços e esbarra na hora de pagar, pois está quebrado e sem organização política/financeira há algum tempo. Manteve Dorival Jr. e a base do time que permaneceu na Série A do Brasileirão sem grandes dificuldades, o que é um bom começo; agora, precisa agregar qualidade. Quem também precisa melhorar são Botafogo e Santos, clubes que, ao contrário do Flamengo, têm bons nomes para a equipe titular, mas precisam, principalmente, de um grupo mais qualificado, com peças de reposição que facilitem as vidas de Oswaldo de Oliveira e Muricy Ramalho, respectivamente.

Entre os grandes, embora o Cruzeiro esteja devendo muito ao seu torcedor, Vasco e Palmeiras são os dois clubes em pior situação neste começo de ano. Os cariocas, pela questão financeira: sem pagar salários, alguns atletas já entraram na justiça e foram embora, como o goleiro Fernando Prass. No caso dos paulistas, o problema é a Série B, que afasta os atletas de boa e média qualidade.

As equipes que largam na frente nesse novo ano são Corinthians, Fluminense, Atlético-MG, Grêmio e São Paulo, nesta ordem. Não coincidentemente, o atual campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes e os quatro primeiros do Brasileirão. Todos mantiveram seus técnicos, principais atletas e precisam apenas de ajustes pontuais. Os casos mais complicados são do São Paulo, que perdeu Lucas e precisa se reencontrar taticamente, e do Grêmio, que necessita com urgência de pelo menos um bom zagueiro para chegar e jogar.

O QUE ESPERAR DA DUPLA GRE-NAL? TÍTULOS!

A Dupla Gre-Nal merece um capítulo especial. Em termos de técnico e organização, o Grêmio larga na frente, por ter mantido Luxemburgo e já apresentar uma estrutura tática; a julgar pelo elenco e situação financeira, a vantagem é do Inter que, apesar do ano ruim, ainda tem mais qualidade no elenco, embora comece um trabalho do zero sob o comando de Dunga.

No Tricolor, chegaram até agora o goleiro Dida, o lateral-esquerdo Alex Telles e o centroavante Willian José. O primeiro, veio para fazer sombra a Marcelo Grohe e acrescentar experiência ao grupo, enquanto os outros dois são apostas da direção a médio prazo. Luxa precisa urgentemente de um zagueiro para chegar e jogar ao lado de Werley, além de renovar com Pará e Souza. Com esses problemas resolvidos, seria interessante ao Grêmio a chegada de mais um zagueiro, um volante e um meia-atacante; entretanto, o clube pode resolver duas dessas questões com a base. O volante Misael e o meia Wangler merecem ser aproveitados; para o meio/ataque, há ainda Bertoglio, que pouco atuou no segundo semestre de 2012. Mas para a defesa seria interessante a chegada de mais dois nomes, um para fazer companhia a Werley e outro para fazer sombra a dupla titular, de preferência com experiência em Libertadores.

No Colorado, a prioridade é a lateral-direita, sem dúvida. Dunga tem um leque razoável de zagueiros, com Rodrigo Moledo, Índio e Juan para duas vagas, além dos jovens Romário e Jackson; para a lateral-esquerda disputam a vaga Kléber e Fabrício. No meio, Ygor e Guiñazu são bons nomes, assim como Élton, mas talvez pudesse vir mais um volante, desde que seja um para ser titular. Do contrário, é melhor apostar em Josimar. Na armação, as opções principais são Fred, D`Alessandro e Dátolo, se este último continuar. Seria interessante mais uma alternativa para Dunga, mas, de novo, alguém que chegue e vista o colete titular, senão é melhor insistir com João Paulo ou dar passagem a Lucas Lima e Otavinho. No ataque, Forlán e Leandro Damião pode ser a melhor dupla do Brasil, que têm ainda a sombra de luxo de Dagoberto e Rafael Moura, além da surpresa Cassiano.

Com alguns ajustes, Grêmio e Inter podem fazer boas temporadas, com chances de título no Brasileirão e Copa do Brasil. Para a Libertadores, talvez ainda falte um pouco mais de cancha ao grupo de jogadores tricolores que vai disputar a competição, o que pode ser amenizado pela experiência de Luxa e Fábio Koff fora de campo. Há muito a ser feito, mas o ano que começa é de esperança para gremistas e colorados de que as grandes conquistas podem voltar ao RS em 2013.

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