sábado, 22 de dezembro de 2012

Dificuldade máxima

Fonte: esportes.terra.com.br
O sorteio do confronto na Pré-Libertadores não foi dos melhores para o Grêmio. Embora não seja a LDU/EQU dos seus melhores tempos, o clube equatoriano era o adversário mais forte entre os possíveis. Para completar, se avançar a fase de grupos o Tricolor vai cair no grupo do Fluminense, atual campeão brasileiro. Por esse lado, o São Paulo também se complicou; vai encarar o Bolívar/BOL na pré-Libertadores, um adversário fraco, mas se avançar cai no grupo do Atlético-MG. Se os outros integrantes dos grupos não são lá dos mais difíceis, o ruim de cair em uma chave com outra equipe brasileira é que aumenta a dificuldade em se terminar na primeira colocação, o que pode representar um confronto teoricamente mais fácil nas oitavas de final.

Além disso, o grupo de jogadores do Grêmio já mostrou não ter tanta intimidade com competições Sul-Americanas, principalmente pelas dificuldades apresentadas jogando fora de Porto Alegre. Ao contrário do São Paulo, campeão invicto da Copa Sul-Americana nesta temporada. Por outro lado, Luxemburgo é um técnico experiente e parece motivado; juntamente com Fábio Koff, pode traçar uma estratégia de sucesso rumo ao título. Mas para isso o Tricolor vai precisar de qualidade dentro do campo, não apenas fora das quatro linhas.

O Palmeiras caiu no grupo que pode receber o Tigre/ARG, se o clube portenho eliminar o Deportivo Anzoátegui/VEN na Pré-Libertadores. Estou curioso para ver o clima da partida na Argentina após as polêmicas na final da Sul-Americana entre São Paulo x Tigre. O Tricolor do Morumbi armou a confusão, mas é o rival Palmeiras quem pode acabar pagando o pato quando for jogar na Argentina.

CHAMPIONS LEAGUE

Os confrontos da fase de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa reservam grandes duelos. Os que mais chamam a atenção obviamente são Real Madrid x Manchester United e Barcelona x Milan, por conta da grandeza dos clubes. Mas estou com uma expectativa muito boa quanto aos duelos entre Arsenal x Bayern de Munique, por conta da tradição das duas equipes em competições europeias, e Shaktar Donetsk x Borussia Dortmund, duas das sensações da fase de grupos. Além desses quatro jogos teremos: Galatasaray x Schalke 04, Celtic x Juventus, Valencia x PSG e Porto x Málaga.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Corinthians: Campeão do Planejamento e da Organização

Estimativa, segundo o jornalista Paulo Vinícius Coelho,
da ESPN, é de que mais de 20 mil torcedores
corintianos estiveram no jogo das semifinais.
Foto: Toru Yamanaka/AFP
O Corinthians venceu o Chelsea por 1 a 0 na manhã deste domingo (16/12), no estádio Internacional de Yokohama, Japão, e se sagrou Campeão Mundial de clubes da Fifa. O gol do título foi marcado pelo peruano Paolo Guerrero, que já havia feito o gol da vitória nas semifinais contra o Al Ahly/EGI. Com o resultado, o Corinthians se sagra campeão mundial pela segunda vez, embora tenha ganho a Libertadores pela primeira vez neste ano. No Mundial de 2000, o primeiro organizado pela Fifa e vencido pelo Corinthians, o clube paulista entrou por ser campeão brasileiro; o Vasco, derrotado na final, nos pênaltis, entrou por ser campeão da Libertadores de 1998.

O JOGO - Com a saída de Douglas e a entrada de Jorge Henrique, o Corinthians foi a campo no 4-4-2 clássico, com Jorge Henrique e Danilo atuando como meias bem abertos, e Émerson cuidando da saída de bola dos volantes adversários. O Chelsea, de Rafa Benítez, atuou no 4-2-3-1, com Torres mais avançado e apoiado pelos meias Mata, Moses e Hazard. No primeiro tempo, jogo bastante equilibrado, com melhores chances para o clube inglês. Na principal delas, o zagueiro Cahill, de dentro da área, soltou a bomba para uma grande defesa de Cássio; a melhor oportunidade corintiana veio em jogada de Guerrero que terminou em conclusão de Émerson para fora.

Na volta do intervalo, o Corinthians pareceu mais decidido em vencer a partida e foi para cima. Conseguiu achar espaços pelo lado direito do ataque, com Paulinho e Émerson tramando com Jorge Henrique. E foi justamente numa dessas jogadas que surgiu o gol. Paulinho, o melhor em campo, tabelou com Jorge Henrique, enganou a defesa driblando para o meio e deixou a bola para Danilo chutar; o camisa 20 limpou a marcação, mas bateu em cima do zagueiro, com a bola sobrando para Guerrero cabecear e abrir o placar. A partir daí, o Chelsea pareceu perder a cabeça, tanto que o zagueiro Cahill foi expulso por acertar Émerson fora do lance. No finalzinho, Fernando Torres ainda empatou de cabeça, mas o gol foi bem anulado por impedimento.

O título do Mundial de Clubes coroa o grande trabalho de planejamento e organização feito pelo clube desde a chegada de Tite no final do Brasileirão de 2010. Mesmo com a eliminação na Pré-Libertadores do ano seguinte, a diretoria manteve a convicção e não optou pela decisão simplista de demitir o técnico. Reformulou o elenco, com as saídas de Ronaldo e Roberto Carlos, e apostou na manutenção da base, mesclando jogadores desconhecidos com nomes importantes e agregando qualidade. Como resultado, o clube venceu o Brasileirão em 2011 e a Libertadores e o Mundial de Clubes em 2012.

MERCADO - O mercado da bola anda parado quase 15 dias após o fim do Brasileirão. A torcida mais aflita é a do Vasco, que corre o risco de sofrer um desmanche por conta da falta de pagamento de salários; por enquanto, a única perda confirmada é a do goleiro Fernando Prass. Na Dupla Gre-Nal, a maior novidade é o acerto de Dunga com o Colorado; fora isso, apenas as saídas confirmadas de Nei (Inter), Naldo e Gilberto Silva (Grêmio), e a chegada de Willian José (ex-São Paulo) e Alex Telles (ex-Juventude) ao Tricolor.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O último ato do Olímpico

Foto: Wesley Santos/Gazeta Press
O Gre-Nal final da história do estádio Olímpico ficou marcado pela confusão. O duelo dentro de campo deu lugar a uma série de confusões fora das quatro linhas, especialmente no final do segundo tempo. O vandalismo e a falta de profissionalismo tomaram a cena e estragaram uma partida que, dentro de campo, fez jus à história do clássico, muito brigado e com poucas chances de gol. O estádio Olímpico ficará apenas na memória de todos que passaram pelo palco das grandes conquistas gremistas. O resultado final do confronto, nem tanto pela fraca atuação dos atletas, mas pela série de conflitos externos, foi injusto à história do estádio. Tanto para Grêmio quanto para Inter, o objetivo se volta agora para 2013. O Tricolor foca em manter a base e agregar qualidade, além de antecipar a preparação para a pré-Libertadores; já ao Colorado cabe esperar a confirmação do novo técnico, se é que será mesmo Dunga, e reformular um elenco acomodado, sem norte, para lutar pelo título da Copa do Brasil, que agora ficou mais difícil pela volta dos times que jogam a Libertadores e entrarão na fase final da CB.

O JOGO - Embora criticados por escalarem as equipes com apenas um atacante, tanto Luxemburgo quanto Osmar Loss jogaram com as cartas que tinham na mão. Sem Kléber e Marcelo Moreno, Luxa tentou reforçar o meio com Léo Gago, que tem bom chute de fora da área, liberando Elano e Zé Roberto para criar, pois Leandro não vinha tendo bom rendimento nos últimos jogos. Loss sacou Forlán, de resposta insatisfatória durante toda a temporada, para reforçar a marcação com Josimar, pois jogava apenas para não perder a quinta seguida. No primeiro tempo, a estratégia Colorada deu certo e Damião, de cabeça, perdeu a bola do jogo para o Inter. O time gremista não conseguiu superar a marcação do adversário, muito por conta de Elano, que se omitiu completamente dos primeiros 45 minutos. Na volta do intervalo, as confusões começaram cedo. Muriel evitou um gol colocando a mão na bola fora da área e foi corretamente expulso; Luxembrugo invadiu o campo para evitar maiores confusões e também foi expulso, pois a regra não permite a invasão do treinador durante o jogo, mesmo que a intenção seja a melhor possível, como tentou argumentar Luxa. O Tricolor seguiu pressionando, teve algumas poucas chances com Leandro e Zé Roberto, mas a zaga do Inter esteve bem posicionada, com destaque para Rodrigo Moledo, e não teve maiores dificuldades para segurar a pressão. No final, faltou ao Tricolor inteligência para jogar pelos lados e criatividade para superar o bloqueio do adversário; do lado Colorado, sobrou disposição e inteligência para se defender e reter a bola o máximo possível.

AS CONFUSÕES - Gre-Nal é sempre emocionante, mas o contexto de último jogo da história do estádio Olímpico mexeu com a cabeça de todos os personagens que compareceram à partida. Ironicamente, parece que a equipe do Inter ficou ainda mais nervosa, pois ao Grêmio pareceu mais ter faltado inteligência para furar o bloqueio Colorado do que calma. Vamos aos fatos desagradáveis:
  • Completamente justa a expulsão de Muriel, que evitou um gol colocando a mão na bola fora da área. Inicialmente, achei um erro do goleiro, pois o segundo tempo estava apenas no começo, mas no final o lance acabou se mostrando decisivo, já que foi a única chance de gol do Tricolor. No fim das contas, Muriel acabou se tornando um dos personagens decisivos do clássico;
  • Lamentável a atitude de Leandro Damião, que agrediu Saimon com uma cotovelada e foi justamente expulso. Não foi dispusta de bola, foi agressão, completamente injustificável, ainda mais vindo dele, um dos grandes nomes do time e presença constante nas últimas convocações para a Seleção Brasileira.
  • Com todo respeito a Osmar Loss, mas ele foi de uma falta de profissionalismo tremenda. Tinha que ter entendido que não estava em Gre-Nal de juniores, mas sim em partida de profissionais. Foi varzeano ao chutar a bola para longe e ainda mais amador ao discutir com o atleta do Grêmio. Conseguiu piorar a sua situação ao puxar Saimon no fim da discussão, que revidou agredindo o interino Colorado;
  • Quando Werley se lesionou e Saimon foi chamado, a torcida Tricolor deve ter sentido um frio na espinha. O zagueiro foi bem em alguns momentos no ano passado, mas 2012 foi um ano desastroso. Em todas as oportunidades que teve foi muito mal, tanto no início do ano, quando foi titular junto com Douglas Grolli, quanto nas poucas oportunidades com Luxa, como no Gre-Nal e na partida contra o São Paulo. Mostrou, mais uma vez, que não tem condições de vestir a camisa de um clube grande. Precisa ser emprestado para ganhar experiência e se acalmar.
  • No final, um rojão foi atirado ao gramado, em um ato de vandalismo lamentável. Se tivesse atingido alguém do banco Colorado, poderia causar ferimentos graves. Felizmente, ninguém se feriu. Aliás, esse foi outro ponto lamentável deste episódio; o profissional Colorado que estava no banco se jogou no chão como se estivesse gravemente ferido, causando furor e a entrada imediata da ambulância. O motorista chegou a empurrar o profissional Colorado ao ver que ele não tinha nada. Conseguiram roubar a cena e estragar ainda mais o espetáculo.
  • A arbitragem, tão criticada no Brasileirão, se salvou no Gre-Nal. As expulsões foram justas, tanto as dos três jogadores - Muriel, Damião e Saimon - quanto a dos técnicos. O acréscimo de 5 minutos foi justo ao tempo de paralisação, mas outra confusão ocorreu e Héber Roberto Lopes resolveu encerrar a partida de vez. Os gremistas reclamaram, mas já não estava tendo jogo há algum tempo e devido a série de confusões Héber agiu até com bom senso encerrando o jogo.

A RODADA FINAL - Muito pouco estava em jogo na derradeira rodada do Brasileirão. Os defensores do mata-mata usam isso como jsutificativa para a volta do sistema, mas os pontos corridos fazem jus as equipes mais regulares, com melhor plantel e organização. O mata-mata existe na Copa do Brasil e na Libertadores, ou seja, todos os gostos são atendidos. Na rodada decisiva do nacional, o Atlético-MG virou sobre o Cruzeiro e confirmou a segunda colocação. Justo para um time que fez um grande primeiro turno e perdeu força, mas ainda assim foi um dos melhores times do campeonato. O Sport, mesmo com a grande arrancada, acabou rebaixado e vai se juntar a Palmeiras, Figueirense e Atlético-GO na Série B em 2013. É uma pena, pois acho que vai fazer mais falta do que equipes insossas como Ponte Preta e Portuguesa, de pouca torcida e sem expressão. O Leão acaba pagando pelos erros do primeiro turno e volta a segunda divisão logo no primeiro ano após ter subido.