quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O velho jeito de fazer futebol

Felipão volta ao comando da Seleção após 10 anos.
Foto: Bruno de Lima/Lancenet
Após anos dominada por Ricardo Teixeira, a CBF caiu nas mãos de José Maria Marin, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, e o torcedor continuou ficando em segundo plano, atrás de outros interesses, como políticos e econômicos. A demissão de Mano Menezes, por conta do somatório do trabalho, até não provoca surpresa; o problema é que justo no momento em que as coisas começaram a melhorar ele foi demitido. Logo atrás, saiu André Sánchez, ex-presidente do Corinthians, rival do São Paulo, time preferido por Marin. A Copa das Confederações se aproxima rapidamente, os estádios para o Mundial estão começando a tomar forma, o país começa a viver a Copa mais intensamente. Marin pode ter se assustado com todo o cenário, aliou o momento à possibilidade de fazer mudanças na CBF e não pensou muito para demitir Mano e Andrés. Para os seus lugares, nada de inovar com Guardiola, até porque não há tempo e uma mudança brusca no comando pode levar tempo para dar certo. Assim, ele fez o que os velhos cartolas fazem: trouxe um treinador de nome, Felipão, acompanhado de Parreira como coordenador.

Felipão já fez grandes trabalhos, já foi um dos melhores do Brasil e nesse ano é o grande responsável pelo título do Palmeiras na Copa do Brasil. Mas também tem grande parcela de culpa no Rebaixamento, pois não conseguiu remotivar o elenco para sair da Zona de Rebaixamento. Somando tudo o que se pode dizer sobre o técnico, não era o momento para Felipão, que já começou dando uma bola fora na entrevista ao insinuar que os funcionários do Banco do Brasil não são pressionados no trabalho. Como pode dar certo algo que começou errado lá atrás, em 2010, quando Mano não era a primeira opção e não tinha currículo suficiente para assumir a Seleção? Difícil de responder.

Felipão falou em manter a base, o que é compreensível, pois atletas como Thiago Silva, David Luiz, Marcelo, Dani Alves, Ramires, Kaká, Oscar e Neymar seriam convocados por qualquer treinador. Felipão pode mudar trazendo um goleiro, um zagueiro e um volante da sua confiança, além de mexer no ataque e escolher um centroavante para completar os titulares. No gol, pode até preferir continuar com Diego Alves, que vem mostrando segurança, ou pensar em Júlio César, que sabe Victor ou Fábio, mas alguém com um perfil de liderança; na defesa, Lúcio está sem jogar pela Juventus, mas pode ter os seus serviços requisitados, assim como Gilberto Silva, de boa temporada pelo Grêmio, e que também é homem de confiança do técnico. Para a primeira função do meio campo, Felipão pode escolher um volante mais defensivo, marcador; nesse contexto, Lucas e Sandro, ex-jogadores da Dupla Gre-Nal, podem receber chances, assim como Ralf. Outro corintiano, Paulinho, se continuasse não seria surpresa, pois Felipão (e todos nós) conhecesse a qualidade do camisa 8 corintiano. Para a camisa 9, os centroavantes que jogam no Brasil saem em vantagem: Fred, Luís Fabiano e Leandro Damião são os principais nomes, e pelo menos dois deles podem ser convocados. Além desses jogadores citados, Ronaldinho Gaúcho tem grande possibilidade de voltar à Seleção, desde que se comprometa e acate os pedidos de Felipão.

Tudo acontece de repente e de um modo um tanto estranho. Felipão deu certo em 2002, mas as últimas Copas do Mundo não foram das surpresas, foram dos trabalhos há longo prazo. Se conseguir repetir algo parecido com o que fez há 10 anos atrás, Felipão vai trazer a torcida para o Seleção, e aí já teria um grande aliado para diminuir a diferença para as demais equipes. Mas o tempo curto, a geração de atletas não é mais tão brilhante (ou o futebol mundial teria mudado e o Brasil parado no tempo) e grandes forças vêm aí, como a Espanha e a Alemanha. Na Copa das Confederações já teremos um termômetro do que podemos esperar do público e dos rivais, mas ainda vai faltar muito na preparação da Seleção, pois Felipão só terá 6 meses de trabalho. A torcida, embora cada vez mais desconfiada, parece ainda acreditar que o Hexa é possível.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Renovação!

D`Alessandro lamenta a quarta derrota seguida do Inter
no Brasileirão 2012.
Foto: Mauro Vieira/Agência RBS 
Há algumas rodadas os jogadores do Inter adotaram o discurso de "jogar pela dignidade", já que o clube não tinha mais chances de se classificar à Libertadores e tampouco correu risco de Rebaixamento ao longo do ano. Nesses últimos quatro jogos, o Colorado perdeu todas, as duas últimas partidas em casa. A derrota deste domingo para a Portuguesa, lutando contra o Rebaixamento, serviu para mostrar que o problema não era Fernandão. Embora o ex-treinador tenha sua parcela de culpa, ele é muito mais vítima do que vilão nessa história.

Os verdadeiros "malvados" são os jogadores, mas principalmente a direção, que demora demais para mexer. Na Libertadores de 2010, a direção foi ousada e trouxe Celso Roth nas semifinais, mesmo com a boa campanha de Jorge Fossati. Conquistou o bicampeonato do torneio continental. No final do ano, após a derrota para o Mazembe, manteve Roth, quando todos queriam a sua cabeça, para demiti-lo em meio a temporada seguinte. Dorival Jr. deixou a equipe neste ano após 10 jogos no Brasileirão em oitavo lugar, com apenas duas derrotas. Na época, Dorival tinha problemas para escalar a equipe por conta de lesões e convocações, como aliás ocorreu ao longo de todo o segundo semestre também com Fernandão. Se não era brilhante, Dorival tinha conhecimento e maior domínio sobre o grupo de jogadores do Colorado, o que Fernandão demonstrou não ter, além do seu pouco repertório tático.

A eleição no clube terminou na primeira fase, no voto dos conselheiros. Giovani Luigi foi reeleito, talvez por falta de uma concorrência forte, o que vitimou Paulo Odone no Grêmio, talvez porque alguém esteja satisfeito. Sinceramente, não entendo o que pode estar bom: houve atraso na reforma do Beira-Rio, excluindo Porto Alegre e o estádio da Copa das Confederações; o clube teve um ano muito fraco dentro de campo, apenas com a conquista do Gauchão. De bom para o torcedor apenas o fato de que o rival segue sem vencer nada há mais de uma década. Mas, convenhamos, é pouco.

O torcedor Colorado quer ter orgulho do seu time novamente, quer poder ir ao jogo com a certeza de que o adversário vai sofrer se quiser tirar pontos dentro do Beira-Rio. O torcedor quer ter a certeza não da vitória, mas da garra e da disposição, da batalha e da entrega por parte daqueles onze atletas que estiverem dentro de campo. O torcedor que mudança, quer renovação. Porque não adianta trazer um técnico disciplinador, como especula-se com o nome de Dunga, se o elenco continuar esse mesmo, acomodado, dono do clube. Quem entra em campo são os jogadores, no fim das contas eles derrubam, sim, se quiserem, qualquer técnico, assim como também renovam o seu contrato e o deixam nas graças da torcida.

Alguns jogadores precisam levar uma chacolhada, decidir o que querem na vida. O planejamento também deve ser melhor pensado, a preparação física, enfim, tudo deve mudar no Inter, e pode começar a partir de agora. Mas, novamente, a direção demora; muitos técnicos de ponta já renovaram contrato, o Inter acenou negativamente para o nome de Mano Menezes e Dunga ganha mais força. Se ele chegar e tiver autonomia para remontar o grupo de atletas, o torcedor pode esperar ao menos a volta da garra e da disposição dentro de campo. Mas com esses atletas, não sei até onde Dunga pode ajudar.

domingo, 18 de novembro de 2012

A gota d'água

Corrêa (E) não conseguiu evitar o Rebaixamento.
Em 2003, ele foi companheiro de Vágner Love na Série B.
Naquela época, o camisa 99 surgia para o futebol e
neste domingo fez o gol que consolidou a queda do Verdão.
Foto: Cesar Greco/Fotoarena.
A notícia do final de semana é o rebaixamento matemático do Palmeiras para a Série B do Brasileirão. Que o time iria cair, não é novidade; agora não tem mais esperança, com a vitória do Bahia e o empate da Portuguesa o Verdão consolidou a sua queda. Em 2013, a temporada será bem inusitada, com a disputa da Libertadores e também da Série B. Será difícil montar o grupo de jogadores: os bons valores, que seriam atraídos pela vitrine da competição continental, provavelmente não vão querer atuar na Segundona nacional. Por outro lado, se disputar a Libertadores com um time de Série B, o Palmeiras não vai passar da primeira fase. É um dilema bem difícil de ser resolvido e estou bastante curioso para ver como o time vai montar o seu elenco para a inusitada temporada de 2013. Com relação ao grupo atual, o Palmeiras precisa de uma renovação de pelo menos 50% do elenco, que é fraco. Serviu para a Copa do Brasil, competição de mata-mata e que ainda não conta com os melhores times do país, que jogam a Libertadores, mas que não serviu para uma temporada longa em competição de pontos corridos. Nomes como Valdívia e Daniel Carvalho, que vivem no departamento médico, não servem, assim como Maikon Leite, Luan, o zagueiro Román, os volantes Márcio Araújo e João Vítor, para citar alguns nomes. Zagueiros, laterais e atacantes são a prioridade, mas até mesmo no gol o time pode pensar em novos nomes.

A última vaga no Z-4 está em aberto após a vitória do Sport e o empate da Portuguesa. As duas equipes são as maiores ameaçadas, mas Bahia, Coritiba e Náutico ainda não escaparam matematicamente, embora ache difícil a queda de um desses três. Na próxima rodada, o Sport recebe o campeão Flu, de sangue doce após o título, enquanto a Lusa visita o Inter, no Beira-Rio. Na rodada decisiva, a Portuguesa recebe a Ponte e o Sport tem clássico com o Náutico nos Aflitos. Apesar de o Leão aparentemente ter a tabela mais difícil, ainda aposto na queda da Lusa, que hoje entregou para o Grêmio, pontos que podem fazer muita falta.

PARA PENSAR 2013...

A Dupla Gre-Nal já deveria estar com a cabeça no novo ano. O Inter nem chances mais de Libertadores tinha antes da derrota para o Corinthians, que se tratou de uma mera repetição dos erros da equipe ao longo da temporada: problemas na defesa, meio-campo sem criatividade, falta de indignação. A diretoria Colorada perde tempo prorrogando as decisões sobre treinador, comissão técnica, jogadores e dirigentes para o próximo ano. A temporada já era, é hora de se antecipar e começar 2013; o clube não precisa ficar esperando o campeonato acabar para contratar novo técnico (se é que vai trazer) e renovar o elenco. Do lado azul, com a eliminação para o Millonários, da Colômbia, o Grêmio também deve pensar no próximo ano. A disputa pelo segundo lugar é menor do que a preparação da próxima temporada; é hora de renovar com Luxemburgo (ou trazer outro técnico), acertar com os atletas que interessam e buscar peças para as posições carentes. Ainda falta cerca de um mês para tudo parar, pois durante a época de Natal e Ano-Novo as negociações ficam um tanto suspensas. A Dupla Gre-Nal não precisa esperar o Brasileirão acabar para começar a se mexer, pois fica mais difícil de buscar equipes como Flu e Corinthians, que têm uma base montada há mais tempo e já largam em vantagem para o próximo ano.

IRONIAS DO FUTEBOL

Lançado no Palmeiras, o flamenguista Vágner Love voltou a marcar hoje, após oito jogos, no empate entre paulistas e cariocas. Ajudou a consolidar o Rebaixamento do Verdão. Vice-campeão brasileiro em 1996 com a Portuguesa, onde surgiu para o futebol, Zé Roberto, hoje defendendo o Grêmio, equipe que tirou o título da Lusa naquele ano, ajudou a complicar a vida dos paulistas marcando um belo gol. São as voltas que o mundo dá. 

domingo, 11 de novembro de 2012

MERECIDO!

Foto: Nelson Perez/Fluminense F.C.
O Fluminense bateu o Palmeiras por 3 a 2 e confirmou o título do Brasileirão 2012. Troféu mais do que merecido pelos cariocas, pela sua qualidade e pela incompetência dos rivais, embora em alguns momentos a arbitragem tenha dado uma grande ajuda. Fred balançou as redes duas vezes e chegou a 19 gols no campeonato, três a frente de Luís Fabiano; o capitão do Flu está muito próximo de se tornar goleador do Brasileirão pela primeira vez. Mesmo sem Deco, que voltou a sentir uma lesão nos últimos jogos, o time carioca manteve a qualidade, atuando com três homens na frente: Wellington Nem, Rafael Sóbis e Fred, abastecidos por Thiago Neves. A ofensividade ajuda a explicar o melhor ataque da competição, com 59 gols em 35 partidas, mas contraria a tese dos retranqueiros de que quanto mais volantes melhor, pois o Flu também é a melhor defesa do campeonato - levou 28 gols em 35 jogos.

RESTA UM...

Já ao Palmeiras resta rezar. Antes do clássico contra o Santos, na última rodada, o Verdão encara o Flamengo, no RJ, e o Atlético-GO, com o seu mando de campo em estádio ainda a definir. São duas partidas bem mais tranquilas do que as duas últimas, contra o Flu (derrota por 3 a 2), até então líder absoluto, e o Botafogo (empate em 2 a 2), que vinha em franca ascensão. Para chegar com chances na última rodada, o Palmeiras precisa vencer seus jogos e torcer por duas derrotas da Portuguesa (que encara o Grêmio, em SP, e o Inter, no RS, antes da última partida contra a Ponte Preta, no Canindé) e do Bahia (recebe a Ponte Preta e o Náutico antes do jogo derradeiro contra o Atlético-GO, em GO); além disso, o Palmeiras também precisa "secar" o Sport, que recebe Botafogo e Fluminense antes de encarar o Náutico, na última rodada, nos Aflitos.

Acho que no caso do Palmeiras é muita coisa para der certo a seu favor e errado contra os adversários ao mesmo tempo. Assim, resta uma vaga na Série A, que será disputada por Sport (37 pontos, 17o), Bahia (16o, 40) e Portuguesa (15o, 40). Pelo momento, o Leão tem vantagem, pois jogou mais do que os adversários no segundo turno; pela tabela, situação mais tranquila para o Tricolor baiano, que tem dois jogos em casa e mais o lanterna Atlético-GO na última rodada. Palpite: Palmeiras e Portuguesa farão companhia a Figueirense e Atlético-GO (estes dois já rebaixados matematicamente) na Série B em 2013.

TÁ CHEGANDO A HORA...

A penúltima festa do torcedor gremista no Olímpico foi de tirar o fôlego. Mesmo sem quatro titulares importantes (Werley, Gilberto Silva, Elano e Kléber), o Grêmio foi superior ao São Paulo durante quase todo o jogo, virou o placar adverso e festejou a vaga na Libertadores com o 2 a 1. André Lima tem participado melhor do que Marcelo Moreno e já está merecendo uma chance de começar entre os 11, quem sabe até mesmo ao lado do boliviano, como ocorreu durante parte do segundo tempo. Com o resultado de empate do Atlético-MG contra o Vasco (2 a 2), o Tricolor volta com força à luta pelo segundo lugar. A tabela reserva dois duelos longe de casa para o Grêmio, contra Portuguesa e Figueirense, antes do Gre-Nal, no Olímpico, pela última rodada; já o Galo recebe o Atlético-GO e visita o Botafogo antes de enfrentar o Cruzeiro em clássico somente com a sua torcida na rodada decisiva do Brasileirão. A segunda posição parece que vai ficar em aberto até o final do campeonato.

O São Paulo mantém cinco pontos de vantagem para o Botafogo. Nas últimas rodadas, o Tricolor recebe o Náutico e visita a Ponte Preta antes do clássico contra o Corinthians, no Morumbi; já o Fogão visita o Sport e recebe o Atlético-MG antes do duelo decisivo contra o Flamengo. Tabela amplamente favorável aos paulistas que mesmo com a derrota estão com a vaga à Libertadores 2013 encaminhada.

CHANCE PARA OS MENINOS

A torcida do Inter amargou mais um duro golpe neste campeonato com a derrota para a Ponte Preta, em Campinas, por 1 a 0. A situação do Colorado, sem nada para fazer no campeonato, é parecida com  a do Grêmio no final do campeonato passado. O ano de 2012 já era, os medalhões estão largados no time e é hora de botar a gurizada para jogar, junto com atletas que não atuaram tanto e ainda tem de mostrar serviço para permanecer no elenco. Insistir com Kléber e D`Alessandro, neste momento, não adianta, até porque são atletas consolidados. Ou o Colorado tem convicção que deve mantê-los ou não serão os próximos três jogos que decidirão isso. O mesmo ocorre com os zagueiros Juan e Bolívar, especialmente o primeiro, que tem qualidade, mas chegou da Europa em meio ao campeonato e ainda não se encontrou. Colocando os dois para jogar, o clube acaba os expondo, pois as críticas pela derrota sempre estouram primeiro nos defensores. Juan tem sido execrado pela imprensa, mas é um zagueiro campeão do mundo; não desaprendeu a jogar, contudo precisa se aprumar fisicamente, pois na Roma já não vinha jogando por conta de sucessivas lesões. Outro ponto que o Colorado tem que se atentar: as regras para a classificação à Sul-Americana mudaram. Excluindo-se as equipes que estiverem nas fases finais da Copa do Brasil e aquelas que participaram da Libertadores, vão entrar apenas os quatro melhores do Brasileirão 2012. Ou seja, se por acaso o Inter for eliminado cedo na Copa do Brasil corre o risco de nem ir para a Sul-Americana se ficar em uma posição muito ruim na tabela.

sábado, 10 de novembro de 2012

Tudo verde em GOIÁS!

Ricardo Goulart: de esquecido no Inter
a craque do Goiás na Série B.
Foto: Carlos Costa/Lancenet 
O GOIÁS bateu o Grêmio Barueri por 3 a 0, e garantiu o seu retorno à Série A do Brasileirão em 2013; o resultado também selou o rebaixamento dos paulistas para a Série C do próximo ano. Comandado pelos ex-Colorados Enderson Moreira (técnico), Ricardo Goulart, Iarley e Walter, o Esmeraldino começou vacilante, mas cresceu ao longo da competição, ultrapassando Criciúma e Vitória, que estiveram sempre à frente, e garantindo o acesso com duas rodadas de antecipação. O desafio agora é manter o treinador e os jogadores que se destacaram, entre eles Goulart, bastante aproveitado pelo técnico Falcão em sua passagem pelo Inter, o acabou motivando certa discórdia do técnico com a torcida. Na Série B, se destacou e foi fundamental, talvez até o melhor jogador da competição.

Faltando duas rodadas para o fim do campeonato ainda estão na luta pelas últimas três vagas à Série A de 2013: Criciúma (71 pontos), Atlético-PR (69), Vitória (69) e São Caetano (67). A próxima rodada promete ser uma das mais eletrizantes, pois os seis primeiros colocados se enfrentam (embora o Joinville, sexto colocado, não tenha mais condições de acesso, ainda assim é um dos melhores times da competição): Joinville x Vitória, Criciúma x Atlético-PR e São Caetano x Goiás.

O Furacão tenta voltar ainda no primeiro ano após cair da Série A, tentando minimizar as perdas, principalmente, financeiras. Os outros rebaixados da Série A no ano passado - Avaí, América-MG e Ceará - ficaram pelo meio da tabela, longe da série C, mas também distantes do retorno à elite do futebol brasileiro.

UEFA CHAMPIONS LEAGUE

No grupo D, tido como o da "morte" na Champions, o Manchester City não venceu após quatro jogos e soma apenas 2 pontos; precisa de um milagre para se classificar. O líder, surpreendente, é o Borussia Dortmund, atual bicampeão alemão, mas que não havia passado da primeira fase na temporada anterior; os alemães têm 8 pontos, seguidos pelo Real Madrid (7) e Ajax (4). As duas últimas rodadas reservam os duelos Ajax x Dortmund / City x Real (dia 21/11) e Dortmund x City / Real x Ajax (04/12).

Pelo grupo G, a torcida do Celtic viveu uma noite histórica no Celtic Park, na última terça-feira (07/11), com a vitória sobre o Barcelona por 2 a 1. Triunfo conquistado com raça, disciplina e muita competência. Após quatro rodadas, os escoceses somam 7 pontos; o Barça lidera com 9, o Benfica tem 4 e o Spartak de Moscou/RUS, 3. Para saber mais sobre a noite histórica confira o texto do Leo Bertozzi, da ESPN, em http://espn.estadao.com.br/post/291795_a-noite-magica-de-glasgow.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Definições na Dupla

A Dupla Gre-Nal consolidou seu destino no Brasileirão 2012 nesta rodada: com a vitória sobre a Ponte Preta, no sábado, por 1 a 0, o Grêmio abriu 12 pontos para o 5o colocado (Botafogo) faltando 4 rodadas e se garantiu na Libertadores; o Inter levou 3 a 0 do Náutico, no domingo, e deu adeus matematicamente a qualquer sonho da Libertadores. Agora, o mais importante é pensar 2013, até mesmo para o Grêmio, que ainda tem a Sul-Americana em disputa e tenta o vice-campeonato brasileiro para entrar direto na fase de grupos, sem ter que passar pela pré-Libertadores. O problema é que o Tricolor não tem mais pernas; o lado positivo é que os adversários, ao menos no Brasileirão, também não estão com tanto fôlego de sobra, como mostram os resultados recentes do Atlético-MG - derrota para o Coritiba e empate com o Flamengo. Já ao Colorado não resta outra opção: é tentar terminar o campeonato com "dignidade", como gostam de dizer os atletas, e começar a tratar de 2013.

O "esquecido" André Lima entrou e fez o gol da vitória
contra a Ponte. Com a baixa produção dos atacantes,
não estaria ele merecendo uma chance entre os 11?
Foto: Diego Vara/Diário Gaúcho
Luxemburgo definiu a atuação do Grêmio, no sábado, contra a Ponte, como a pior sob seu comando. Pode ser. Em um estádio Olímpico lotado por mais de 40 mil torcedores, o Tricolor não fez nada, errou absolutamente tudo. Na primeira etapa, poderia ter levado uns 3 a 0, não fosse a má pontaria do adversário. Na volta do intervalo, melhorou um pouco, até a expulsão de Júlio César (justa, sem contestações ao árbitro e ao jogador, que precisou fazer a falta). A partir daí, já com Elano "sem condições", como o próprio meia admitiu, o Grêmio ficou à deriva, esperando um gol ao acaso. E ele veio. No finalzinho, após uma pixotada do zagueiro, que cabeceou uma bola para trás quando estava sozinho, nasceu um escanteio; Zé Roberto, que não havia acertado nenhuma cobrança, levantou a bola fechada e André Lima marcou. Não ficou bem clara a falta no goleiro, mas talvez o braço de André tenha configurado infração contra o arqueiro da Ponte. Lições da vitória: o Tricolor venceu com a torcida e pela covardia do adversário, que teve um a mais a partir dos 24 do segundo tempo e ainda assim se manteve até o fim jogando pelo 0 a 0 - time que entra para empatar, perde; com Marcelo Moreno, Leandro e Kléber jogando tão mal, por que não dar uma chance a André Lima, até mesmo junto com Moreno?

Fernandão segue sem conseguir bons resultados com o
Colorado. Sua permanência é incerta para 2013.
Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press 
Quanto ao Inter, ficou difícil fugir da mesmice para comentar mais um tropeço: muitos desfalques, pouca inspiração e outro resultado ruim. Perder para o Náutico, nos Aflitos, até não é nada de absurdo, pois o time pernambucano tem ótimo aproveitamento em casa: são 12 vitórias, 3 empates e apenas duas derrotas. O placar de 3 a 0 é que incomoda, embora dois gols tenham sido de falta e um deles a bola desviou na barreira. Sinais de que também não era a noite do Colorado. Quando a equipe tem muitos desfalques, e o Colorado passou por isso diversas vezes no ano, a importância de um treinador experiente, conhecedor de esquemas táticos, se torna ainda maior. Fernandão parece engessado no 4-3-1-2, mas se o comandante não tem boas peças deve mudar a estratégia. Sem falar que as equipes que vem se destacando no campeonato não são as que jogam com mais defensores; aliás, três volantes está ultrapassado, o que as equipes de destaque têm usado é três meias/atacantes, mas com todos ou a maioria ajudando a defender (só ver os exemplos do Flu, Galo, São Paulo, Corinthians, até mesmo o Grêmio usa dois e meias e dois atacantes). Ontem, Fernandão poderia ter centralizado Kléber à frente de dois volantes, já que não tinha outro organizador, e aberto Lucas Lima e Otavinho, ou Cassiano, ou Marcos Aurélio, deixando Damião como centroavante. Josimar, Guiñazu e Ygor acrescentam muito pouco ofensivamente, assim como Nei, deixando a equipe sem opções e facilmente marcada. Para 2013, o Colorado precisa dar uma sacudida no vestiário e precisa de um comandante mais preparado. Fernandão, embora possa ter um brilhante futuro, ainda não parece minimamente pronto para um clube do tamanho do Inter.

MÃO NA TAÇA

O jogo mais aguardado da rodada deixou a desejar. Ao contrário dos duelos contra Grêmio e Atlético-MG, a partida do Fluminense com o São Paulo ficou abaixo do esperado. O primeiro tempo foi bom, movimentado, com as defesas se sobressaindo. Na etapa final, não fossem as pixotadas de Gum e Tolói, aproveitadas pelos goleadores Luís Fabiano e Fred, e o placar final teria sido 0 a 0. Bom para o Flu, que deu mais um passo rumo ao título e pode ser campeão já na próxima rodada se vencer o Palmeiras, fora de casa, e o Galo perder para o Vasco em São Januário. Mas, convenhamos, mesmo que o Galo ganhe e o Flu perca na próxima rodada, alguém ainda acredita que o título não será do Tricolor carioca?

MAR DE HIPOCRISIA

O Flamengo se manifestou a respeito do gol anulado de Barcos dizendo que também já foi prejudicado e o campeonato deveria parar até a decisão sobre a validade do resultado da partida Inter 2 x 1 Palmeiras. Zinho aproveitou para reclamar de um gol anulado de Liédson, que daria a vitória no jogo contra o Cruzeiro, no Rio. Pois bem: no meio de semana, o Flamengo foi beneficiado contra o Atlético-MG, que teve pênalti em Ronaldinho não assinalado; neste sábado, o Figueirense teve DOIS gols legítimos anulados por impedimento, pelo mesmo bandeira. Engraçado, não ouvimos manifestações do clube a respeito dos fatos. Vamos colocar as partidas do Flamengo sub judice também? O bandeira teve ajuda para anular os gols? É ruim tecnicamente ou foi proposital? Erros de arbitragem são uma coisa, todas as equipes já foram beneficiadas e prejudicadas, umas mais (como o Flamengo), outras menos. Anular um jogo por conta de um gol irregular é outra história, uma discussão bem diferente. Colocar tudo no mesmo barco, sem querer fazer trocadilho, é ignorância ou pura hipocrisia.

VERGONHA

Clubes grandes dando no vexame no Brasileirão chamam a atenção. Além do Palmeiras, que luta contra o Descenso, Vasco e Cruzeiro fizeram um papelão frente ao torcedor neste final de semana. O time paulista está com o rebaixamento iminente após mais um tropeço e os resultados positivos dos rivais; já o Cruzmaltino tomou 3 a 0 do Sport, em casa, e segue numa crise que extrapola os limites do campo e chega ao Departamento Financeiro do clube; e o Cruzeiro, que segue abraçado a Celso Roth, que já deveria ter sido demitido há tempos, levou 4 a 0 do Santos, em show de Neymar que mereceu aplausos da torcida mineira. O pior é que as perspectivas de cariocas e mineiros não são nada boas para o ano que vem: sem a Libertadores e com poucos recursos, vai ficar difícil montar um time de qualidade, que possa voltar a dar alegrias ao torcedor.