domingo, 28 de outubro de 2012

Arbitragem ruim e perigo de Rebaixamento: combinação explosiva

Jogadores de Inter e Palmeiras se revoltaram com o árbitro
Francisco Carlos do Nascimento (AL).
Foto: Renan Olaz/Futura Press
Uma grande discussão veio à tona neste final de semana na partida Inter 2 x 1 Palmeiras: a interferência de uma pessoa de "fora" da equipe de arbitragem nas decisões do árbitro. O lance em questão foi o gol de Barcos, irregular, pois ele coloca de fato a mão na bola intencionalmente, mas que seria validado não fosse o delegado da partida. Segundo relatos dos atletas, o delegado avisou ao quarto árbitro, Jean Pierre Gonçalves, da irregularidade do lance, e Jean Pierre repassou ao juiz Francisco Carlos do Nascimento, de Alagoas. A atuação do sexteto de arbitragem - somando aí os dois juízes atrás dos gols, que de nada servem, pois nunca vi interferirem em alguma marcação - vai ficar marcada na história como uma das piores de todos os tempos por conta desta lambança. A mão na bola de Hernán Barcos é claríssima; se o juiz estivesse mal posicionado (e as imagens mostram que ele tinha visão perfeita do lance - assista em http://globoesporte.globo.com/jogo/brasileirao2012/27-10-2012/internacional-palmeiras.html), o assistente ou o árbitro atrás do gol deveriam tê-lo avisado, até mesmo o quarto árbitro poderia. Pela regra, não pode haver interferência da televisão ou de algum elemento que não seja da equipe de arbitragem, o que claramente parece ter acontecido devido a demora do árbitro em confirmar o gol. O bandeirinha Ediney Guerreiro Mascarenhas correu para o meio de campo, ou seja, validou o lance, assim como o árbitro, que fez o gesto de gol apontando para o centro do campo. O quarto árbitro não se manifestou na hora, então por que o juiz mudou de ideia?

O erro quanto ao cumprimento das regras será confirmado com uma investigação sobre a participação do delegado na invalidação do gol de Barcos; de fato, segundo a regra, não poderia haver interferência do delegado. Mas a choradeira do Palmeiras é bastante contestável, pois o lance foi claramente irregular. Um dirigente chegou a falar em anulação da partida, dando a entender que para se salvar do Rebaixamento vale até mesmo os gols irregulares. O treinado Gilson Kleina chegou a falar em "sem-vergonhice". De quem? Do delegado, que mesmo não tendo autoridade fez o certo, o justo, ou do treinador palmeirense, que provavelmente viu o toque de mão e ainda tem a cara de pau de chamar alguém de sem-vergonha? Quem avisou o árbitro ou por que ele mudou de ideia ainda não se sabe ao certo, mas que o gol foi intencionalmente com a mão já está mais do que claro. Adversários do Palmeiras que se preparem, pois a pressão em cima da arbitragem para ajudar o clube paulista vai ser ainda maior.

Dois fatos vieram a minha cabeça após essa confusão toda no jogo do Palmeiras: 
  • em 26 de setembro deste ano, o alemão Klose, segundo maior artilheiro da história das Copas do Mundo, atrás apenas de Ronaldo, fez um gol tocando com a mão na bola; o árbitro não viu e validou, mas voltou atrás após o atacante confessar a irregularidade. Assista em http://www.youtube.com/watch?v=eE2F8g55Bh8.
  • Em 2004, ano do Rebaixamento do Grêmio, o Palmeiras venceu o Tricolor com um gol impedido e feito com a mão; a partida obviamente não foi anulada. É só um exemplo de que erros graves acontecem e, infelizmente, faz parte do futebol brasileiro, que tem uma das piores arbitragens do mundo, senão a pior. Assista em http://futpedia.globo.com/campeonato/campeonato-brasileiro/2004/10/30/gremio-2-x-3-palmeiras.
FALTA DE CRITÉRIO

Outro fato que incomoda é a relação dos jogos.Entre os primeiros colocados, o Fluminense jogou na quinta (25/10), o Atlético-MG vai jogar na próxima quarta (31/10) enquanto Grêmio e São Paulo atuaram neste sábado (27/10), pois disputam a Sul-Americana e jogaram no meio de semana. O Flamengo, adversário do Galo, ganhou mais dias de folga e treino do que os adversários contra o Rebaixamento, que jogaram quinta e sábado também. Tudo bem que é necessário encaixar um jogo na grade da TV no meio de semana, mas que seja uma partida que interfere pouco no rumo do campeonato, ou que se mudem várias partidas para esta data, senão o favorecimento a determinados times fica explícito.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vitórias com o toque do 10

Volta de D`Ale acrescenta qualidade ao Inter.
Foto: Wesley Santos/Gazeta Press
As torcidas de Grêmio e Inter viveram emoções parecidas nesta quarta-feira. Mais cedo, às 20h30min, pelo Campeonato Brasileiro, o Colorado visitou o Vasco e venceu por 2 a 1, de virada, com boa atuação de D`Alessandro e gols de Forlán. No complemento da noite, pela Copa Sul-Americana, o Tricolor levou um susto do Barcelona/EQU e saiu atrás no marcador, mas virou, graças a Zé Roberto.

Vitalidade e experiência de Zé dão o tom no Grêmio.
Foto: Edison Vara/ Gazeta Press
Em comum, além das viradas e dos placares, as atuações dos camisas 10, melhores em campo. No Rio, o Inter pegou um Vasco debilitado, sem força, com poucas peças para o ataque e mesmo sem ir bem conseguiu controlar os cariocas e vencer; o Grêmio foi dominado no primeiro tempo, mas após empatar o jogo praticamente não levou mais sustos. Nos dois casos, foi pouco: para chegar à Libertadores, o Inter precisaria melhorar muito, e em pouco tempo, o que eu não acredito que vá acontecer; o Grêmio, para vencer a Sul-Americana e chegar sem sustos à Libertadores via Brasileirão, precisa melhorar, principalmente em casa, onde não consegue se impor.

Apesar das atuações pouco convincentes, a noite da dupla Gre-Nal teve boas notícias. D`Alessandro voltou a jogar bem, participou dos gols no primeiro tempo com dois lindos passes para Forlán e ajudou a prender a bola na etapa final. No Olímpico, Zé Roberto comandou o Tricolor nos dois tempos, sendo coroado com um belo gol de falta no finalzinho; falta, aliás, cavada pelo próprio meia, que iria sair na cara do gol quando o zagueiro colocou a mão na bola. As atuações foram irregulares, mas é importante que D`Ale e Zé, dois trintões, estejam em boa forma física e técnica especialmente nesta reta final de temporada.

SUL-AMERICANA

O Palmeiras perdeu para o Milionários, na Colômbia, por 3 a 0, e deu adeus a Sul-Americana. Resultado excelente, pois o time já tem vaga na Libertadores, conquistada com o titulo da Copa do Brasil, e precisa direcionar as forças na luta contra o Rebaixamento. O lanterna do Brasileirão, Atlético-GO, fez 3 a 1 na Universidad Católica, do Chile, e quase conseguiu uma classificação histórica - foi eliminado pelo saldo qualificado já que perdeu a partida de ida por 2 a 0. O São Paulo ficou no 0 a 0 com a LDU Loja/EQU e se classificou graças ao saldo qualificado, já que havia empatado em 1 a 1 no Equador. Os Tricolores paulista e gaúcho são os representantes brasileiros na luta pelo título. Nas quartas de final, o Grêmio encara o Milionários, que eliminou o Palmeiras; já o São Paulo mede forças contra o classificado de Emelec/EQU e Universidad de Chile. A partida de ida, em Santiago, terminou 2 a 2.

BRASILEIRÃO

Com a derrota em casa para o Botafogo por 2 a 0, o Figueirense termina a 32a rodada 8 pontos atrás do Bahia, faltando apenas 6 rodadas para o fim do Brasileirão. Está virtualmente rebaixado, assim como o Atlético-GO.

domingo, 21 de outubro de 2012

O Pulso ainda Pulsa

Torcida do Galo tem a quarta melhor média
de público no Brasileirão 2012, atrás
de Corinthians, Grêmio e São Paulo.
Foto: Gil Leonardi/Lancenet.
Atlético-MG e Fluminense fizeram um dos grandes jogos do campeonato Brasileiro 2012, tanto em qualidade quanto em emoção. O placar final de 3 a 2 fez jus a ampla superioridade que o Galo apresentou dentro do gramado do estádio Independência, empurrado como de costume pela torcida. Contra um time que limitou-se a defender o próprio gol e quase não incomodou Victor na primeira etapa, os comandados de Cuca foram para cima. No segundo tempo, se abateram com o primeiro gol sofrido, de Welington Nem, e renasceram na grande jogada de Ronaldinho concluída com maestria por . A virada atleticana veio após lindo lance do melhor em campo, Bernard, que cruzou na cabeça de Jô, às costas do zagueiro, para o centroavante só ter o trabalho de desviar a bola de Cavallieri. O Flu não desistiu, Abel lançou Samuel na vaga de Edinho, e Fred apareceu na área para completar cruzamento rasteiro e empatar. No finalzinho, quando tudo parecia decidido, o zagueiro mais centroavante do Brasil, Leonardo Silva, se lançou ao ataque e apareceu na área para concluir um cruzamento de R49, marcando pela sexta vez no Brasileirão e dando números finais a um dos grandes jogos do campeonato. 

Com a vitória, o Galo volta a briga pelo título, apesar da vantagem de seis pontos do Flu ainda ser muito grande; mais do que diminuir a pontuação, a forma como o Atlético-MG venceu, lembrando os seus melhores momentos no primeiro turno e dominando completamente os cariocas, é a grande esperança da torcida. Nesta reta final, vale lembrar que a tabela dos cariocas é mais complicada: o Flu enfrenta Coritiba (C), São Paulo (F), Palmeiras (F), Cruzeiro (C), Sport (F) e Vasco (neutro). O Galo encara Flamengo (C), Coritiba (F), Vasco (F), Atlético-GO (C), Botafogo (F) e Cruzeiro (C).
  • Ambas as equipes têm um clássico pela frente, mas com peculiaridades que podem fazer toda a diferença. Por conta da fórmula dos clássicos cariocas, com divisão meio a meio dos ingressos, o Flu tem, em tese, uma partida a menos em casa no duelo contra o Vasco; já o Galo irá receber o Cruzeiro em duelo com torcida unicamente do Atlético-MG, por questões de segurança (no primeiro turno a partida teve apenas torcedores da Raposa);
  • Entre os jogos fora, o Flu pega uma equipe lutando por Libertadores (o São Paulo) - que ainda vem em grande fase - e duas equipes desesperadas contra o Rebaixamento (Palmeiras e Sport). Já o Galo encara o Coritiba - que se distanciou bastante do Z-4 e não joga mais tão pressionado -, o Vasco - que perdeu força na briga pela vaga à Libertadores, mas ainda segue com chances - e o Botafogo, que não faz mais nada no campeonato;
  • Em casa, o Flu recebe Coritiba e Cruzeiro, jogos que podem ser vencidos sem grande dificuldade, além do clássico contra o Vasco. O Galo, único time ainda invicto como mandante, recebe no Independência o Flamengo e o Atlético-GO, com os cariocas praticamente livres do Rebaixamento e os goianos com mínimas chances de escapar ou até mesmo já matematicamente rebaixados, além do duelo contra o Cruzeiro. Ou seja: o título do Brasileirão tem novamente dois candidatos, embora a vantagem do Flu ainda seja considerável e a conquista do título dependa só da força dos cariocas.
O título deste post também serve para o Palmeiras. Com a vitória na rodada passada em duelo direto contra o Bahia, em Pituaçu, por 1 a 0, o Verdão voltou a ter esperanças. Neste sábado, pela 32a rodada, o time de Barcos fez 2 a 0 no Cruzeiro, com gols do centroavante argentino. Já o Bahia empatou com o Corinthians, completando o quinto jogo sem vitória. Com os resultados, a diferença entre o Bahia (16o, primeiro time fora do Z-4) e o Palmeiras (17o, primeiro time no Z-4) caiu para quatro pontos. Para piorar a situação dos baianos, Sport e Figueirense venceram na rodada 31 e ainda não jogaram pela 32a rodada (enquanto escrevia o Sport enfrentava o Atlético-GO, no Serra Dourada, e o Figueira jogará na quarta contra o Botafogo, no Orlando Scarpelli). Ainda existem vagas na Série A do ano que vem e o Palmeiras certamente está vivo na disputa. Se vencerem na rodada, Sport e Figueirense também estarão.

TRICOLOR SEM FÔLEGO?

O torcedor tem feito a sua parte, mas o Grêmio está deixando a desejar quando joga no Olímpico. A raça da equipe fez a diferença em algumas vitórias, conquistadas na base do abafa, mas ultimamente não tem funcionado. O empate com o Coritiba, o terceiro nos últimos quatro jogos em casa, foi prova disso. O time de Luxemburgo não consegue se impor, os adversários já perceberam a estratégia Tricolor de tentar marcar logo no início e o time parece não saber o que fazer a medida que o tempo passa e o gol não sai. O título do Brasileirão já era e após a vitória do Galo a segunda posição também fica mais distante; a briga do Tricolor no campeonato é pelo terceiro lugar com o São Paulo.

Na quarta-feira, o time recebe o Barcelona/EQU, no Olímpico, pelas oitavas da Copa Sul-Americana, com a vantagem de ter vencido a partida de ida por 1 a 0. Para se classificar, basta que a equipe não faça bobagens. Pelo que mostraram na partida de ida, os equatorianos têm um time relativamente insinuante, mas uma desclassificação Tricolor poderia, sim, ser considerada uma zebra pela diferença entre as duas equipes.

domingo, 14 de outubro de 2012

Final antecipado?

Jogadores do Flu comemoram gol de Gum,
o da virada contra a Ponte.
Seria também o da definição do título?
Foto: Dhavid Normando/Photocamera
O Brasileirão está se definindo antes de entrar na reta final. Neste final de semana, pela 30a rodada, o campeonato deu mais um passo importante na definição do seu campeão, dos seus integrantes na próxima Libertadores e dos seus rebaixados. O Fluminense virou para cima da Ponte Preta e manteve 9 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Atlético-MG, que virou para cima do Sport e deixou o Leão ainda mais perto da Série B. Na briga pela terceira vaga à Libertadores, o Grêmio deixou escapar uma vitória contra o Botafogo, que não vence há 7 rodadas, enquanto o São Paulo venceu mais uma, a terceira consecutiva, e deixou a diferença para os gaúchos em 5 pontos. O outro postulante a terceira ou quarta vaga no G-4, o Vasco, perdeu para o Santos; correndo por fora, o Inter deu vexame e sofreu virada do lanterna Atlético-GO; em termos de pontuação, a diferença não aumenta muito, mas o resultado pode abalar definitivamente as estruturas no Colorado. Na luta contra o Rebaixamento, dos integrantes do Z-4, apenas o Dragão, que tem a situação mais difícil de todas, venceu, mas continua na lanterna; Sport, Figueirense e Palmeiras foram derrotados e seguem longe do Bahia, hoje o primeiro time fora da Zona do Descenso.

CAMPEONATO MANCHADO?

Todos os árbitros têm errado, e muito, no Brasileirão, mas em quase todo jogo o Fluminense tem alguma marcação definitiva a seu favor. Nesta rodada, embora tenha pressionado muito a Ponte Preta, marcou seus dois gols em lances, no mínimo, duvidosos. Parece que os árbitros estão apitando da seguinte forma: na dúvida, marca-se a favor do Flu. Contra a Macaca, em São Januário, a bola bateu completamente sem querer na mão do atleta paulista, não estava indo na direção do gol, nem era um cruzamento para área, foi um bate-rebate longe do gol que o juiz Nielson Nogueira, de Pernambuco, entendeu como penalidade. O gol da virada surgiu em lance mais absurdo ainda: o atleta do Flu se enroscou com o jogador da Ponte, claramente lhe segurou a camisa e o juizão deu falta para os cariocas. Na cobrança, Gum marcou de cabeça. Das 20 vitórias do Flu no Brasileirão, 12 foram pela diferença mínima de um gol; quantas delas decididas em lances de arbitragem pró-Flu?

FRUSTRAÇÃO EM DOSE DUPLA

Grêmio e Inter deixaram os torcedores impacientes neste final de semana. No sábado, o Colorado saiu na frente do Atlético-GO, no Serra Dourada, mas conseguiu levar uma virada incrível e perdeu por 3 a 1. A discussão entre Kléber e Muriel foi um dos exemplos de como as coisas andam fora de controle no time do Inter. A dúvida que fica é o que o lateral-esquerdo estava justificando, já que falhou nos dois últimos gols dos goianos.

No domingo, o Grêmio recebeu o Botafogo. Não jogava bem, mas conseguiu abrir o placar em cobrança de falta de Léo Gago. Luxemburgo tirou André Lima muito cedo na partida, praticamente abdicando de atacar. Embora tenha controlado bem os cariocas e quase não dado chances, no finalzinho Bruno Mendes fez jogada individual e acertou um bonito chute da entrada da área. Acabou sendo um castigo para a pouca ambição do Grêmio.

CELESTE APAGADA

Em duelo válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2014, a Argentina fez 3 a 0 no Uruguai. A partida mostrou que a Celeste, embora tenha mantido o mesmo time quarto colocado na Copa da África do Sul em 2010 e campeão da Copa América em 2011, perdeu muito de sua força. A equipe de Óscar Tabárez está em quarto lugar, com 12 pontos, atrás da líder Argentina (17 pontos) e das surpresas Colômbia e Equador (16). É seguida de perto pelo Chile (também com 12 pontos) e pela Venezuela (11). O primeiro turno das Eliminatórias se encerrou e os jogos do returno começam nesta terça (16/10).

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Briga pela Libertadores em aberto

"Fabuloso" abriu o placar contra o Vasco,
chegou a 14 gols e está na briga pela
artilharia com Fred e Bruno Mineiro.
Foto: Marcos de Paula/AE 
Se antes as três vagas diretas a Libertadores estavam praticamente fechadas, com Fluminense, Grêmio e Atlético-MG abrindo boa vantagem, hoje não creio que o panorama continue o mesmo. O Flu disparou, abriu nove pontos para o segundo colocado e pode se considerar garantido na Libertadores. Para o título, a definição poderá vir daqui a três rodadas, quando os cariocas já terão enfrentado Grêmio e Atlético-MG. Quanto as outras duas vagas diretas na fase de grupos da Libertadores, gaúchos e mineiros perderam força e vêem a aproximação de Vasco e, especialmente, do São Paulo, que ainda vai encarar Fluminense e Grêmio. O Tricolor do Morumbi ainda pode ser importante para o campeonato ao segurar o líder; ou acabar de vez com o suspense se derrotar os gaúchos e antecipar a conquista do Flu. Na luta pela quarta vaga, o Inter corre por fora, tentando fazer a sua parte e torcendo para que essa vaga continue. A vitória na última rodada contra o Galo, no Beira-Rio, foi na base da garra e da disposição, o que é importante, mas pode não ser suficiente.

ALGO A MAIS

Vencer em casa é básico para um time que almeja brigar por título e vaga na Libertadores, mas só isso já não faz tanta diferença em um campeonato tão equilibrado como o Brasileirão. Todas as equipes uma hora são surpreendidas em seus domínios, como aconteceu com o Fluminense contra o Atlético-GO (2 a 1 para o Dragão), com o Grêmio contra a Portuguesa (2 a 1 para a Lusa) e com o Vasco contra o Bahia (4 a 0 para o Tricolor). Apenas o Galo ainda não perdeu em casa, embora tenha empatado com Bahia e Ponte Preta, duas equipes da zona intermediária do campeonato. A rodada deste meio de semana, a 29a do campeonato, reforçou a importância de se fazer mais do que o dever de casa. Dos 10 jogos, 5 foram vencidos pelos mandantes e 5 pelos visitantes. Entre as equipes que venceram fora estão o Flu, que conquistou um grande resultado contra o Bahia e se aproximou do título, o Grêmio, que assumiu a vice-liderança, o São Paulo, que derrotou o Vasco em confronto direto pela Libertadores e encostou nos cariocas, e o Coritiba, que também venceu duelo direto contra o Palmeiras para fugir do Rebaixamento.

INFERNO CADA VEZ MAIS PERTO

Convenhamos, cair para a Série B representa algo até certo ponto natural para as equipes médias e pequenas, mas é uma tragédia para os grandes. A começar pelo lado financeiro: com menos recursos e menor visibilidade na mídia, fica difícil trazer bons jogadores. No caso do Palmeiras, que vai disputar a Libertadores, o clube tem um trunfo na manga para tentar trazer atletas de melhor nível, já que estará disputando a competição continental. Por outro lado, a Libertadores costuma atrapalhar as equipes no campeonato nacional; no caso do Alviverde, gastar muito ou se preocupar em ir longe na competição continental pode contribuir para que a equipe não volte à Série A. Muito pior do que passar um ano na Série B seria passar dois, pois a perda financeira vai aumentando de uma temporada para outra.

Após a rodada deste meio de semana, Atlético-GO, Figueirense, Palmeiras e Sport, especialmente os últimos dois, se aproximaram fortemente da Segunda Divisão. O motivo: a vitória do Coritiba. Entre as demais equipes do campeonato, o Coxa era a pior delas, mas com a vitória sobre o Palmeiras abriu 8 pontos para o Z-4, assim como o Flamengo, primeiro time fora da Zona de Descenso. Faltando apenas 9 rodadas parece um abismo, especialmente porque o Brasileirão 2012 não apresentou clubes dando grandes saltos na tabela, como em outros anos. Todas as equipes têm mantido uma média, por vezes oscilando um pouco, mas nada exagerado. Para escapar do Rebaixamento, além de vencer muitas partidas, as equipes da Zona de Rebaixamento precisariam que Bahia, Flamengo, Coritiba e Portuguesa, os primeiros quatro acima do Z-4, entrassem em uma má fase profunda, algo que parece improvável no momento.

CASO R49

Foi, no mínimo, de uma falta de consciência absurda o que o auditor do julgamento de Ronaldinho fez ao publicar uma montagem do Capitão Nascimento estrangulando R49. É claro que todos têm seu time do coração e, na minha opinião, ser flamenguista não o impediria de julgar o caso. O problema é que certas pessoas não entendem o seu lugar público. Infelizmente, o auditor não poderia ter se exposto do jeito que fez, justamente para que a sua idoneidade não pudesse ser contestada, como foi acabou acontecendo. Ainda assim, embora ache que o auditor pisou na bola, vejo a punição de R49 como justa, afinal, ele foi na maldade e quase enfiou o pé na cara do adversário. Quem também deveria ter sido punido era o árbitro, Héber Roberto Lopes, que viu e não marcou nem falta. O lance não foi de jogo e muito menos sem querer.

SELEÇÃO BRASILEIRA

A volta de Kaká foi a grande notícia do amistoso caça níquel da Seleção Brasileira contra o Iraque. Junto com Oscar e Neymar, o meio-campo do Real Madrid pode desequilibrar a favor do Brasil na Copa. O desafio de Mano é arrumar a defesa para que o ataque possa jogar tranquilamente sem estar sempre atrás do placar. Acho que o quarteto de frente da Seleção poderia ser Ramires, Oscar, Kaká e Neymar. Assim mesmo, sem centroavante, com muita técnica e velocidade. Todos sabem jogar, correm e marcam gols. Daí para trás, Paulinho e mais um volante de contenção - Lucas, do Liverpool, se voltar a jogar bem é o meu preferido -, Dani Alves e Marcelo nas laterais, Thiago Silva e Lúcio na defesa, com Diego Alves no gol. Hoje, esse seria meu time ideal, mas espero que um zagueiro se firme e faça companhia a Thiago Silva no miolo de zaga.

domingo, 7 de outubro de 2012

Os caminhos do título

O Brasileirão 2012 entra em sua reta final. Faltando 10 rodadas para o término do campeonato, não há mais tempo para mudar elencos; trocar de treinador, principalmente entre as equipes candidatas ao Rebaixamento, é arriscadíssimo (o novo comandante não teria um tempo mínimo para conhecer o grupo). O jeito é motivar o grupo, achar soluções e, principalmente, arriscar. O futebol vem premiando as equipes que ousam, que acreditam e vão além de retrancas e esquemas cheios de quebradores de bola.

Fred, artilheiro do Brasileiro
ao lado de Bruno Mineiro, decidiu os dois clássicos,
contra Flamengo e Botafogo,
marcando os gols das vitórias por 1 a 0.
Foto: Jorge William / O Globo 
O Fluminense, após vencer dois clássicos consecutivos contra Flamengo e Botafogo, se consolida como o grande candidato ao título. O desempenho é impressionante, com apenas duas derrotas e 18 gols sofridos em 28 rodadas. Fred, quando joga, tem deixado a sua marca; o maestro Deco voltou para dar mais criatividade ao meio-campo, explorar a velocidade de Welington Nem e as bolas paradas. Além da competência, a sorte (que acompanha os bons, diga-se de passagem) e, por vezes, a arbitragem também parecem estar do lado do Tricolor carioca. O que pode tirar o título do Flu? A tabela. Os comandados de Abel têm pela frente nas últimas 10 rodadas na sequência Bahia (F), Ponte Preta (C), Grêmio (C), Atlético-MG (F), Coritiba (C), São Paulo (F), Palmeiras (F), Cruzeiro (C), Sport (F) e Vasco (neutro). Em tese, 5 partidas com alto grau de dificuldade: Galo e Grêmio, que lutam pelo título, o São Paulo, que jogará no Morumbi, o Palmeiras, também fora de casa e desesperado para não cair, e o clássico contra o Vasco. Duas partidas bem traiçoeiras, contra o Bahia, em Pituaçu, que faz boa campanha desde a chegada do técnico Jorginho, e a Ponte, que costuma dar muito mais trabalho jogando fora de casa e foi uma das poucas equipes a tirar pontos do Atlético-MG no Independência. Completam a sequência o Sport, que se arrumou um pouco desde a chegada de Waldemar Lemos, mas acaba de levar um humilhante 5 a 1 da Portuguesa, o Cruzeiro e o Coritiba, em casa.

A tabela é mesmo a esperança dos rivais do Flu na luta pelo título. Atlético-MG e Grêmio parecem jogar no limite há algum tempo e precisam de ajudar para chegar no líder, não dependem só de suas forças. Nesta rodada, os dois tiveram histórias distintas, mas ambos presentearam os torcedores com jogos inesquecíveis. O Galo enfiou 6 a 0 no Figueirense, a maior goleada do campeonato, com show de Ronaldinho, que parece crescer quando joga com raiva (havia acabado de perder o padrasto, se emocionou em campo e comandou a goleada). Já o Grêmio, era superior, mas perdia para o Cruzeiro, justo o Cruzeiro, de Celso Roth. A muito custo, conseguiu a virada, do jeito que o torcedor gosta, com doses extravagantes de sofrimento. Ainda levou um susto no finzinho, quase sofrendo o empate. No final, a retranca de Roth, que chegou ao ponto de tirar Borges e colocar um zagueiro, foi vencida.

A tabela do Galo mostra Inter (F), Sport (C), Santos (F), Fluminense (C), Flamengo (C), Coritiba (F), Vasco (F), Atlético-GO (C), Botafogo (F) e Cruzeiro (C). Em tese, 3 jogos muito complicados: contra o líder Flu, com a vantagem de ser em casa, o Vasco, em São Januário, e o clássico contra o Cruzeiro, embora o duelo ocorrerá somente com a torcida do Galo e contra este time horrível que vem se apresentando no campeonato. Outras três partidas exigem o alerta no nível máximo, mas não assustam como poderiam em outros tempos: o Inter, de campanha oscilante, mas que joga em casa, o Flamengo, que já venceu o Atlético-MG recentemente em partida atrasada, e o Botafogo, no Rio. Sport e Atlético-GO, em casa, devem ser presas fáceis, desde que o Galo faça a sua parte e leve os jogos a sério. O Santos e o Coritiba, fora de casa, que antes poderiam ser jogos de extrema dificuldade, no momento atual são perfeitamente vencíveis.

O Grêmio ainda encara Sport (F), Botafogo (C), Fluminense (F), Coritiba (C), Bahia (F), Ponte Preta (C), São Paulo (C), Portuguesa (F), Figueirense (F) e Inter (C). As maiores dificuldades serão contra Fluminense e Inter, líder e maior rival, respectivamente. As partidas contra Bahia, Ponte Preta e São Paulo exigem atenção total, pois os baianos vêm se recuperando, a Ponte gosta de jogar fora de casa e o time de Luís Fabiano tem qualidade, embora o desempenho longe do Morumbi seja fraco. Sport, na Ilha do Retiro, Botafogo, que ainda mantém esperanças de Libertadores, e Portuguesa vêm na sequência com grau médio de dificuldade, sendo a partida contra a Lusa a mais perigosa de todas. Coritiba e Figueirense são perfeitamente derrotáveis.

LIBERTADORES

A quarta e última vaga (se ela existir, pois Palmeiras, São Paulo e Grêmio largaram em vantagem nos jogos de oitavas da Sul Americana e têm a classificação a próxima fase bem encaminhada) segue com o Vasco, que voltou a vencer, apesar de continuar jogando mal. O grande adversário Cruzmaltino é o São Paulo, isso se Luís Fabiano continuar jogando e o Tricolor melhorar seu desempenho longe do Morumbi. Inter e Botafogo precisam de uma sequência excepcional para encostarem no quarto colocado, o que, no momento, parece improvável.

REBAIXAMENTO

O lanterna Atlético-GO e o Figueirense deram um passo importante rumo à Série B neste final de semana. O Dragão perdeu em casa enquanto os catarinenses levaram uma surra do Galo e devem estar com a moral no fundo do poço. A sorte dos dois é que Sport e Palmeiras, os outros integrantes do Z-4, também perderam. Ruim para todos foi a vitória do Coritiba, primeiro time fora da Zona do Descenso. Além dessas cinco equipes, aponto o Cruzeiro como mais forte candidato ao Rebaixamento, que vem em uma sequência de sete jogos sem vencer, incluindo nesse período derrotas para Sport e Figueirense. O Brasileirão por pontos corridos já mostrou que não se pode fazer dois turnos tão distintos, e que um time em má fase na reta final pode, sim, ser rebaixado, mesmo sem ter flertado com o Z-4 durante boa parte do campeonato.

O MAIOR DO MUNDO

Daqui a pouco começa Barcelona x Real Madrid, simplesmente o maior clássico da atualidade. Os motivos: a rivalidade polarizada no futebol espanhol, sem concorrentes, e a qualidade dos times, que têm os maiores do Mundo no momento, Messi e Cristiano Ronaldo. Palpite? Jogaço, com certeza, e vitória do Barça, que jogará em casa.