sábado, 29 de setembro de 2012

Crise de identidade

Estaria a renovação proposta por Mano
indo para o espaço com
a convocação de Kaká?
Foto: Gazeta Press.
Não concordei com as vaias sofridas pela Seleção Brasileira no amistoso com a África do Sul, no dia 07/09, em São Paulo, vencido por 1 a 0, gol de Hulk. Na minha opinião, a fraca atuação veio muito mais por conta das vaias, que começaram cedo, do que o contrário. A torcida foi ao Morumbi para cobrar a perda das Olimpíadas e encher o saco, tanto que um dos atletas mais perseguidos foi Neymar, um dos melhores jogadores da equipe na Era Mano Menezes, mas que joga no Santos, rival das equipes paulistas, assim como o próprio treinador, que trabalhou no Corinthians. Como prova do mal que o clima em SP fez à Seleção, o jogo seguinte, em Recife, contra a China, com apoio maciço do público, terminou 8 a 0; embora o adversário fosse um pouco mais fraco, ainda assim o placar foi elástico demais para um jogo desses. Na Europa, frequentemente seleções como Espanha e Alemanha, duas das melhores do mundo, enfrentam equipes inexpressivas como Luxemburgo e Islândia, e nem por isso vemos resultados tão desiguais. Ou seja: o Brasil teve muitos méritos ao fazer 8 a 0 na China, mesmo com a fraqueza do adversário. Entretanto, embora não tenha concordado com o comportamento da torcida em SP, acho que o trabalho de Mano Menezes na Seleção deixa a desejar. Prova de que ele está perdido e a sua equipe sofre uma crise de identidade foi a última convocação, que conta com a inexplicável presença de Kaká.

Quando o "bundalelê" correu solto na "preparação" da Seleção de Parreira para a Copa de 2006 e o resultado foi aquela vergonhosa eliminação nas quartas de final para a França, com Zidane sobrando em campo e Roberto Carlos arrumando a meia na hora de marcar Henry, Ricardo Teixeira decidiu que era hora de trazer um técnico "linha dura". Dunga foi chamado para resgatar o "patriotismo" e fez boa campanha: ganhou a Copa América e a Copa das Confederações, além de ter sido o primeiro colocado nas eliminatórias para o Mundial de 2010. Seu grande fracasso antes da África do Sul foi nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, quando chegou às semifinais e foi superado pela Argentina de Riquelme, Messi e Aguero. Na Copa, fazia uma campanha sem sobressaltos até o segundo tempo contra a Holanda nas quartas de final, quando sofremos uma virada e voltamos mais cedo para casa. Vale lembrar que, na etapa inicial, o Brasil poderia ter feito uns 3 a 0, mas Robinho perdeu gols incríveis e fomos para o intervalo ganhando de 1 a 0 apenas. Na volta do brake, Felipe Melo - o grande erro de Dunga durante a sua passagem pela Seleção - foi imbecilmente expulso, Júlio César - um dos três melhores goleiros do mundo à época - falhou e a vaca foi para o brejo. Assim, foram esquecidos todos os feitos de Dunga e lembrados apenas as suas escolhas  duvidosas por jogadores como Afonso Alves e o seu mau humor no trato com a imprensa. E veio Mano Menezes para renovar a equipe.

Vivendo bom momento econômico, o país parou de perder seus principais jogadores e passou ainda a repatriar alguns de seus ídolos. Bom por um lado, pois o Brasileirão se encheu de atletas mais conhecidos e até alguns estrangeiros (como Forlán e Seedorf); ruim porque os nossos jovens talentos não mais enfrentam grandes adversários, especialmente os marcadores. Sem falar que taticamente o Brasil está evoluindo muito devagar; enquanto na Europa os jogadores têm uma grande consciência tática, com quase todo mundo marcando e correndo muito, no Brasil, segue a máxima de que aqueles que sabem jogar não precisam correr pelos companheiros. Na Libertadores, embora muito superior tecnicamente, o país tem sofrido com adversários por conta da melhor organização tática deles. Continuamos vencendo porque temos os melhores jogadores e equilibramos na raça, mas as dificuldades são muito maiores do que poderiam ser. O campeonato argentino, por exemplo, apresenta alguns jogos um tanto chatos e de qualidade inferior aos nossos, mas percebe-se que a organização dos times é melhor.

No Brasil, em geral, os laterais apoiam muito e levam bolas nas costas, mas ao mesmo tempo não chegam à linha de fundo e não sabem cruzar; os zagueiros constantemente estão desprotegidos e levam desvantagem no mano a mano; os volantes estão aprendendo a sair com a bola e enterrando a figura do volante brucutu, que só marca; ao mesmo tempo, muitas equipes atuam com três volantes que, embora saiam bem para o jogo, não entram na área e não fazem gols; muitas equipes jogam com um meia ou então com dois meias e só um atacante. Coincidentemente (ou não?), os três clubes que atualmente lutam pelo título - Fluminense, Atlético-MG e Grêmio - jogam com uma linha de quatro atrás e apenas 2 volantes. Daí para a frente, cariocas e mineiros têm três meias e um atacante (Deco, Thiago Neves, Welington Nem e Fred, no Flu; Danilinho, Bernard, Ronaldinho e Jô, no Galo) enquanto gaúchos jogam com dois meias e dois atacantes (Elano, Zé Roberto, Kléber e Marcelo Moreno). Assim, o campeonato brasileiro tem mostrado que o Brasil forma jogadores de maneira equivocada; com a pressão pela renovação, qualquer um que faz meia dúzia de jogos (como Lucas, do São Paulo, que ainda nada fez com a amarelinha) tem a sua convocação reivindicada. Atletas medianos como Rômulo (vendido pelo Vasco ao Spartak de Moscou, da Rússia), Ralf, Dedé e Thiago Neves são reivindicados constantemente; outros mais velhos, casos dos centroavantes Vágner Love, Fred e Luís Fabiano, têm seus nomes pedidos, mesmo estando fora do critério de renovação. Numa sinuca de bico entre renovar e conquistar resultados, Mano acaba não fazendo nem um nem outro. Não investe de verdade na formação de uma equipe que talvez não possa dar resultados na Copa de 2014, mas em 2018, e nem prepara um time para o Mundial, pois muda a toda hora.

A solução, na minha opinião, sempre foi mesclar jovens e experientes. Não só convocar medalhões e outros patriotas, como fazia Dunga, nem chamar apenas atletas que a torcida pede porque se destacam no Brasileirão driblando defensores de baixa qualidade. Desde o começo, Mano deveria mesclar; Kaká, melhor jogador do país em 2010, deveria ter sido convocado continuamente. Neste momento, após 2 anos obscuros, tenho dúvidas quanto ao que ele pode acrescentar ao time. O zagueiro Lúcio, que seguiu jogando em alto nível, poderia ser chamado para fazer dupla com Thiago Silva, quem sabe até auxiliando a preparar David Luiz e se tornando um reserva de confiança. Mano preferiu radicalizar e agora dá alguns indícios de que pode estar pensando em voltar atrás, como mostram as convocações de Luís Fabiano para o Superclássico contra a Argentina e de Kaká para os confrontos contra Iraque e Japão. Que a renovação não estava dando certo, o torcedor percebeu; o que os brasileiros esperam é que não seja tarde para Mano ter resolvido recorrer a velhos conhecidos, que podem acrescentar experiência e qualidade, e que essa crise de identidade acabe logo. Ainda falta um ano para a Copa das Confederações, grande teste da equipe para a Copa do Mundo, mas em dois anos até agora avançamos muito pouco na preparação do time para 2014.

NO SUFOCO

Não fosse o goleiro Marcelo Grohe e hoje os gremistas poderiam estar falando como virtualmente eliminados da Copa Sul-Americana. Luxemburgo errou com os três zagueiros e o primeiro tempo do time foi péssimo; o Grêmio só fez um gol por conta do ditado do "quem não faz, leva", pois tanto o Barcelona (EQU) errou que foi castigado. Na etapa final, a expulsão de Tony ajudou o time; Luxa desfez o 3-5-2, tirou Kléber, que pouco acrescentava ofensivamente, e ainda deixou o adversário ansioso, pois tinha um a mais em campo. Com o 1 a 0, o Tricolor fica muito perto da classificação; mas vai ter que melhorar muito para brigar pelo título da Sul-Americana. E mais: se repetir a atuação no Olímpico pode, sim, ser surpreendido e eliminado pelos equatorianos. Os deuses do futebol costumam não perdoar quem erra demais, e os gaúchos já viram isso.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os quadrinhos do futebol

Seedorf, do Botafogo: fez dois gols
e incendiou a partida, quase conduzindo
os cariocas a uma virada.
Foto: Satiro Sodre/AGIF
Os heróis e vilões estão tão presentes no dia a dia do futebol quanto nas histórias em quadrinhos. Neste final de semana, pela 26a rodada do Brasileirão, mais uma vez eles chamaram a atenção, dividindo opiniões de quem os critica e os defende. No sábado, o goleiro Wilson, do Figueirense, falhou em todos os gols do Palmeiras, saindo de forma equivocada do gol duas vezes e não segurando uma bola defensável; justo ele, herói tantas vezes. No domingo, o meia botafoguense Seedorf mais uma vez mostrou que não jogou em gigantes do futebol a vida toda por sorte. Embora estivesse apagado em campo durante boa parte do confronto e assistindo o Corinthians ser superior, o holandês chamou a responsabilidade e, após boa jogada individual, empatou a partida, marcando pela segunda vez no jogo. Incendiou a torcida e os companheiros, com o Botafogo quase conquistando o gol da vitória na base da empolgação.

Goleiro Fábio, do Cruzeiro, falhou na derrota
para o São Paulo. Torcida já o contesta
há algum tempo, mas camisa 1 segue titular.
Foto: Gaspar Nóbrega/VIPCOMM
No Morumbi, tivemos os lados da moeda; o goleiro Fábio, do Cruzeiro, falhou ao tentar cortar um cruzamento e mandou a bola na cabeça do atacante são-paulino Osvaldo. Resultado final do confronto: SP 1 a 0. Apesar de capitão da equipe e um dos goleiros há mais tempo na titularidade do mesmo time, Fábio não escapou da fúria da torcida, que já anda meio desconfiada dele há algum tempo. Do outro lado, Osvaldo saiu como herói da vitória. No Serra Dourada, tivemos um herói quase transformado em vilão. O atacante do Flamengo Vágner Love deu as duas assistências para os gols do Flamengo, mas perdeu um pênalti. Tivesse o Atlético-GO vencido e uma chuva de críticas viria para cima do camisa 99. Para fechar, o centroavante Marcelo Moreno, artilheiro do Grêmio no Brasileirão e na temporada, perdeu um gol incrível contra o Galo. Seria o tento da vitória e do reforço na esperança Tricolor pelo título.

TRÊS PELO TÍTULO, QUATRO PELA ÚLTIMA VAGA NA LIBERTADORES

Faltando 12 rodadas para o fim do Brasileirão, quase todas as equipes seguem vivas em busca dos seus objetivos. Na luta pelo título, o Fluminense, ajudado pela arbitragem, venceu e abriu quatro pontos para o Atlético-MG. Os mineiros podem diminuir a diferença nesta quarta (26/09) se vencerem a partida atrasada contra o Flamengo. O Grêmio, sete pontos atrás do Flu, ainda tem chances de título, por conta do confronto direto com os cariocas e porque Galo e Flu ainda vão se enfrentar, tirando pontos um do outro. Para melhorar um pouco as suas chances, torce pela vitória do Flamengo nesta quarta.

No confronto contra o Atlético-MG, o empate pode ser considerado um bom resultado, mesmo que a equipe precisasse da vitória para diminuir a diferença para os líderes. O gol perdido por Marcelo Moreno após grande jogada de Pará pode ter sido definitivo para as pretensões do Tricolor no campeonato. Um centroavante de seleção, mesmo que da Bolívia, com experiência na Europa não poderia desperdiçar uma chance daquelas. Uma vitória em Minas, além dos três pontos, seria uma injeção de moral muito grande no grupo de jogadores.

Na luta pela quarta vaga, que pode não existir se um brasileiro vencer a Sul-Americana, o Vasco vai perdendo força e já vê os adversários bem próximos no seu retrovisor. São Paulo, Botafogo e Inter estão perto, embora ainda precisem ser mais regulares. Os paulistas têm apresentado o melhor futebol entre os quatro postulantes, seguidos pelos gaúchos. Nenhum deles parece ter força e, especialmente, capacidade para se tornar regular e brigar pela terceira colocação.

A vitória contra o Bahia foi fundamental para o Colorado. O adversário, apesar de lutar contra o Rebaixamento durante toda a competição, vinha em bom momento, reorganizado após a chegada do técnico Jorginho. A bronca de Fernandão, justíssima no meu ponto de vista, deu uma sacudida na equipe. Se não tem experiência como técnico, sobra ao comandante Colorado capacidade de liderar um grupo de jogadores, o que costumava fazer quando estava dentro das quatro linhas. E foi assim que ele exigiu: identificou o problema e o atacou, na medida certa.

REBAIXAMENTO

Brigando para não cair, embora nem todos no clube admitam isso, o Flamengo (14o) conquistou uma vitória importante e pode ter selado o destino do Atlético-GO (20o) rumo à Série B; Figueirense (19o) e Palmeiras (18o) seguem respirando por aparelhos e, além de precisarem vencer, tem que torcer muito para Coritiba (16o) e Sport (17o) não dispararem. Bahia (15o), Náutico (13o) e Portuguesa (12o) ainda não se livraram completamente do perigo, principalmente por estarem apenas 5 pontos a frente do Z-4, mas apresentam certa regularidade na competição, tem equipes melhor armadas e jogam um futebol superior aos cinco últimos colocados.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ponto de equilíbrio

Wágner: presente em 21 partidas do Flu,
o substituto de Deco já deu 3 assistências,
mas marcou apenas uma vez.
Foto: Wagner Meier. 
O futebol atual tem mostrado que o equilíbrio, acima de tudo, é a pedra fundamental para uma equipe disputar títulos, especialmente em competições longas, de pontos corridos. Times somente com excelente poderio ofensivo ou defesas quase impenetráveis dificilmente chegarão longe em uma competição deste estilo. Em disputas de mata-mata a coisa é diferente, como mostram os exemplos da Grécia - que ganhou a Eurocopa de 2004 se retrancando e cruzando a bola na área - e do Santos - que venceu a Copa do Brasil em 2010 jogando muitas vezes no 4-3-3 com dois meias de ligação, Marquinhos/Wesley e Ganso. No Brasileiro deste ano, das cinco equipes que apresentam os melhores ataques do campeonato - Fluminense (1º, 40 gols), Atlético-MG (2º) e Botafogo (5º, 39), Coritiba (13º, 37) e Grêmio (3º, 36) -, três delas lutam pelo título e uma por vaga na Libertadores; entre as melhores defesas, vemos novamente as três equipes que lutam pelo título entre as cinco melhores: Fluminense (15 gols sofridos), Atlético-MG (16), Grêmio e Inter (7º, 20), e Corinthians (9º, 24). Qual o significado disso? Seriam coincidências, obviedades...? O Botafogo há alguns anos faz boas campanhas, mas tem morrido na praia e ficado de fora inclusive do G-4. O que você acha de um sistema defensivo com Jéferson, Antônio Carlos e Fábio Ferreira formando a base? Claro que todo o time deve ajudar na marcação para as coisas funcionarem, mas os últimos guardiões do próprio gol são o goleiro e a dupla de zaga. O Coxa, que luta para não ser rebaixado, tem a pior defesa do campeonato juntamente com o lanterna Atlético-GO (43 gols sofridos). Esse vazamento defensivo ajuda a explicar a situação dos paranaenses no campeonato que, muito graças ao seu ataque, conseguiram duas vitórias nas últimas rodadas e ganharam um respiro na luta contra o Descenso.

Entre as últimas seis equipes do campeonato, cinco delas estão entre os piores ataques: Sport (17º, 20 gols), Palmeiras (19º, 22 gols), Flamengo (16º, 23 gols), Atlético-GO (lanterna) e Bahia (15º), ambos com 24 gols marcados. O Figueirense (18º) é a equipe do Z-4 que foge a essa regra, embora tenha marcado 27 gols e não esteja muito longe. Os catarinenses ainda devem muito a dupla Caio e Aloísio que já marcou 16 vezes, sendo 8 gols de cada um. Entre as piores defesas vemos Atlético-GO e Coritiba, com 43 gols sofridos, Figueirense e Náutico (14º), com 40 gols, e Cruzeiro (8º, 34 gols). Dessas equipes, apenas a Raposa está longe do Z-4; ao mesmo tempo, não consegue emplacar uma boa sequência e encostar no quarto colocado, nem com a ajuda da dupla Borges e Welington Paulista, que já balançou as redes 16 vezes no campeonato.

A RODADA #24

No Brasileirão, a partir de agora, dificilmente existirão jogos fáceis. Nunca existiram, na verdade, mas adversários desfalcados, se poupando para outras competições, equipes menores que se reforçavam após o Estadual, tudo isso atrapalhou algumas equipes na primeira parte do campeonato. Deste momento em diante, as equipes são essas aí, sem grandes mudanças, até porque a janela de contratações fecha em 21/09. Ruim por um lado, principalmente para quem luta por Rebaixamento; bom por outro, pois ninguém mais corre os risco de perder atletas para um rival. Com a melhora das equipes na parte de baixo da tabela, para tornar o jogo fácil, os principais times do Brasileirão terão que atuar em grande estilo, como foi a partida do Grêmio contra o Figueirense, por exemplo, resolvida no primeiro tempo. Mas jogos como esse serão cada vez mais raros. Na última rodada, por exemplo, a 24a do campeonato, nada de goleadas: os placares mais elásticos foram com dois gols de diferença. Os postulantes ao título venceram partidas duras e tiveram algo em comum: não sofreram gols. Victor (Atlético-MG) e Marcelo Grohe (Grêmio) foram pouco exigidos pelos ataques de São Paulo e Náutico, respectivamente, enquanto Diego Cavallieri (Fluminense) foi um dos destaques na vitória do Flu sobre a Lusa.

Entre os times da parte de baixo da tabela, o Figueirense confirmou a reação vencendo o Cruzeiro, enquanto o Flamengo caiu para 16º, primeira posição acima do Z-4, após a derrota para o Santos, que iniciou a rodada nesta posição. Hoje, o Rubro-Negro carioca está 5 pontos a frente do Sport, primeiro integrante da Zona de Rebaixamento. Mas deve, sim, ser considerado candidato ao descenso, junto com as equipes do Z-4, Bahia, Náutico e Coritiba.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Apagão em São Januário

Jorginho no comando do Bahia: 3V e 1E.
Melhor campanha do returno.
Foto: Max Haack/ Ag. Haack / Bahia Notícias 
A 23a rodada do Brasileirão serviu para apontar que Atlético-MG e Fluminense realmente surgem como os grandes candidatos ao título do campeonato. Jogando em casa após 4 partidas sem vencer, o Galo não tomou conhecimento da crise no Palmeiras e goleou por 3 a 0; no Beira-Rio, o Flu bateu o Inter com mais um gol do artilheiro Fred, o 11º. Na mesma rodada, Grêmio e Vasco, que estariam num bloco intermediário entre os líderes e as demais equipes que lutam pela Libertadores - mas oscilam demais -, levaram duas chacoalhadas. Em São Paulo, com 10 mins de partida o Corinthians resolvia o jogo contra o Tricolor gaúcho fazendo 2 a 0. Em momento algum da partida os gaúchos deram indícios fortes de que poderiam empatar e o 3 a 1 ao final acabou justo. E isso que o Timão estava cheio de desfalques. Em São Januário, o Cruzmaltino fez ainda pior: levou 4 a 0 do Bahia. O Tricolor baiano tem uma campanha bem curiosa: das 6 vitórias até agora, 4 foram como visitante - Vasco, Santos, Ponte Preta e Palmeiras -, sendo que três deles são considerados grandes equipes do futebol nacional.

Analisando os demais candidatos a vaga na Libertadores, que oscilam mais do que o mínimo indicado, o Botafogo confirmou a boa fase e venceu o Náutico, por 3 a 1, não sem levar alguns sustos. Destaque para Andrezinho, que deu duas assistências e ainda marcou o seu, o 8º no campeonato. Assim como o Inter, o Cruzeiro perdeu, 2 a 1 para o desesperado Sport. Fechando o bloco candidatos ao G-4, o São Paulo não se aproveitou dos desfalques e ficou num empate sem gols contra o Santos; perdeu uma boa chance de encostar no Vasco.

INTEGRANTES DO Z-4 REAGEM E DEIXAM FLA E SANTOS EM ALERTA

Como é costume do Brasileirão, os candidatos ao Rebaixamento começam a reagir. Figueirense e Sport parecem finalmente terem se encontrado sob os comandos de Márcio Goiano e Waldemar Lemos, respectivamente, e começam a colecionar bons resultados. Na última rodada, os catarinenses conquistaram um empate com a Ponte Preta, em Campinas, enquanto os pernambucanos venceram a quarta partida em casa. O Atlético-GO, que chegou a incomodar, parece ter chegado ao seu limite e surge como o mais forte candidato ao descenso neste momento, juntamente com o Palmeiras. Com as vitórias, Coritiba e Bahia se afastaram dos quatro últimos e encostaram em Santos, Flamengo e Náutico, trazendo essas três equipes para mais perto da realidade da luta contra o Rebaixamento.

DESTAQUES

Muito se fala em Ronaldinho e Jô, mas Bernard e Danilinho são dois jogadores fundamentais na equipe do Galo, pois auxiliam no combate e ajudam os volantes Pierre e Leandro Donizeti. Marcam os laterais, fecham o meio-campo e ainda têm muita velocidade no contra-ataque para aproveitar os lançamentos de R49. Dessa forma, o Galo se torna muito forte e difícil de ser encarado.

Alguns técnicos também têm se destacado. Sem falar nos principais, que têm melhores condições, é elogiável o trabalho de Gilson Kleina, na Ponte Preta, e Gallo, no Náutico; se ainda não conseguiram resultados tão expressivos como o Figueirense na última temporada, quando os catarinenses quase foram à Libertadores, armaram equipes que jogam bem e dificultam para os adversários inclusive quando atuam como visitantes.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Superação e elenco levam Flu ao topo

No Brasileirão dos desfalques e das oscilações, o Fluminense vai atropelando as dificuldades e chegou a liderança do campeonato ao término da 22a rodada. Sem Fred e Deco, venceu o Santos, desfalcado de Neymar e Ganso, e ultrapassou o Atlético-MG que, jogando sem R49 e Jô, apenas empatou com o Bahia. Já o Grêmio, empurrado por mais de 40 mil torcedores, mas sem Kléber e Marcelo Moreno, bateu o Atlético-GO e parece ter entrado de vez na luta pelo título. Desfalcados dos convocados Lucas, Forlán e Damião, São Paulo e Inter ficaram no 1 a 1. Nota triste da partida no Morumbi foi o árbitro, Ricardo Marques Ribeiro, de MG, que exagerou ao expulsar D`Alessandro. Para fechar o balanço dos desfalcados, o Cruzeiro, sem Montillo, levou uma chacolhada do Botafogo, em Minas, por 3 a 1, com show do holandês Seedorf, destaque máximo da rodada.

DESESPERO VERDE

O treinador Marcelo Oliveira não resistiu a má fase do Coritiba e foi demitido. Sou contra trocas de treinador a toda hora e, principalmente, em meio a uma competição, mas neste caso pareceu ter sido a melhor decisão. Prova disso foi a atitude de Oliveira, que não esperneou e apenas lamentou os problemas de lesão que o impedem de escalar a equipe ideal e sequer repetir o time de um jogo para o outro. No entanto, acho que o Coxa ousou demais ao chamar um treinador sem experiência na Série A - Marquinhos, que treinava a categoria sub-15 do Brasil - em um momento tão delicado.

O Palmeiras venceu o Sport em um jogo chave e reagiu no Brasileirão. Está a 2 pontos do Coxa, primeira equipe fora do Z-4. Atenção torcedores dos Alviverdes de São Paulo e Paraná: a tendência forte é que as duas equipes briguem pela última vaga para permanência na Série juntamente com o Bahia. Além disso, é bom começar a secar o Figueirense, que parece dar sinais de que pode reagir.

BRASIL

Esses amistosos da Seleção Brasileira, como o desta sexta-feira contra a África do Sul, só servem para atrapalhar. Um adversário inexpressivo, na cidade de São Paulo - onde todos iriam vaiar o Mano, ex-técnico do Corinthians - e ainda por cima logo após o fracasso das Olimpíadas. O resultado é uma atuação fraca, pois o time já entra enervado pelos apupos da arquibancada. Bola fora da CBF. Tenho certeza de que o apoio no jogo da próxima segunda, no Recife, será muito maior.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Homens do apito roubam a cena

O árbitro Péricles Bassols, do RJ, conseguiu
a "proeza" de desagradar aos dois times -
Corinthians e Galo - no duelo do Pacaembú.
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press 
Em uma rodada com destaque para os mandantes, que venceram oito entre os dez jogos - os outros dois terminaram empatados - as arbitragens, mais uma vez, tiraram o foco do futebol. Nas partidas entre Corinthians x Atlético-MG, Palmeiras x Grêmio e Vasco x Portuguesa ouvimos falar muito mais nas reclamações de técnicos e jogadores com relação a arbitragem do que no futebol apresentado em campo. Infelizmente, mais uma vez, a péssima qualidade dos árbitros brasileiros, que vem piorando a cada ano, interfere nos resultados e pode mudar o rumo do campeonato. Juízes caseiros, que apitam pressionados por outros interesses, sem serem idôneos, truncam o jogo, enervam os atletas, se impõem demais e parecem arrogantes ou aceitam muito as reclamações dos jogadores, enfim, um festival de erros técnicos e na conduta das partidas que estraga o espetáculo. Oremos para que o novo presidente da Comissão de Arbitragem, o ex-bandeirinha Aristeu Tavares, consiga fazer algo para melhorar a qualidade do apito no Brasil, pois a coisa está chegando em um ponto insustentável.

ESTAGNADOS

Os três primeiros colocados - Atlético-MG, Fluminense e Grêmio - não conseguiram vencer. Em comum, atuaram fora de casa e contra adversários que não lutam por glórias no campeonato. O Galo teve um gol estranhamente anulado no Pacaembú na derrota por 1 a 0 para o Corinthians; entretanto, está jogando abaixo do que vinha apresentando e somou apenas 2 pontos nos últimos 9; sinal de alerta ligado. O Flu é quem tem mais motivos para lamentar: chegou a abrir 2 a 0 no Figueirense, mesmo jogando sem Deco, Thiago Neves e Fred; contudo, cedeu o empate e perdeu uma ótima chance de ultrapassar o Galo. Já o Grêmio atuou quase o jogo todo com um a menos após o destempero de Kléber; ainda assim, controlou a partida e teve as melhores chances de marcar em lances com Zé Roberto e Marcelo Moreno. No fim, por conta das circunstâncias, o ponto conquistado pode ser comemorado. Em termos de tabela e principalmente pela pouca qualidade do adversário, a equipe perdeu uma boa chance de vencer e diminuir a diferença para os líderes.

REAÇÃO

A rodada marcou também a reação e a conquista de um pouco de tranquilidade até o próximo jogo para Vasco, Inter e Botafogo. Os três jogaram em casa e souberam aproveitar a melhor qualidade do que os adversários Portuguesa, Flamengo e Coritiba, respectivamente. O torcedor Colorado é o que mais pode se animar: viu a volta de D'Alessandro, principal jogador do time, e a "estreia" de Forlán, que finalmente desencantou. Para a próxima partida, contra o São Paulo, no Morumbi, Fernandão não poderá repetir a escalação por conta das convocações de Guiñazu, Forlán e Damião. É hora de o grupo mostrar a sua força e da dupla Dagoberto-Rafael Moura mostrar a sua qualidade. Além dos três vencedores citados, o Cruzeiro, que ganhou do Náutico, e o São Paulo, derrotado pelo Bahia, seguem na briga por essa quarta vaga na Libertadores.

ZONA DA DEGOLA

A vida segue dura para os quatro integrantes do Z-4 - Sport, Palmeiras, Atlético-GO e Figueirense -, pois o Bahia, primeira equipe fora da Zona de Rebaixamento no começo da rodada, venceu. Menos mal que o Coritiba perdeu, pois dos quatro últimos apenas a torcida do Leão pôde comemorar uma vitória nos 2 a 1 contra o Santos. Além de melhorar bastante, as quatro piores equipes do campeonato precisarão que os adversários imediatamente a frente piorem consideravelmente e percam pontos; do contrário, o Rebaixamento se torna uma tendência muito forte. Na próxima rodada, Palmeiras x Sport farão uma briga "de foice no escuro": quem for derrotado, além dos pontos perdidos, verá o rival ganhar um fôlego na luta contra o descenso.