A Copa do Brasil já tem definida os seus semifinalistas. Ceará x Coritiba e Vasco x Avaí: um desses quatro times conquistará o torneio pela primeira vez e ganhará o direito de disputar a Libertadores de 2012. Será que a eliminação de equipes "grandes", como Flamengo, Palmeiras e São Paulo para Ceará, Coritiba e Avaí, respectivamente, tem alguma relação com as eliminações de Grêmio, Inter, Fluminense e Cruzeiro na Libertadores 2011?
O Coritiba fez um grande campeonato paranaense, tendo a manutenção da base que conquistou a Série B do ano passado (e até alguns dos atletas que caíram em 2009) como o grande esteio desta equipe. Pode se contestar a qualidade dos adversários do Coxa em 2011, ano em que a equipe conquistou a expressiva marca de 24 vitórias consecutivas. Mas o que dizer do campeonato paulista? Tido como um dos mais fortes estaduais do país, o Paulistão apresentou Palmeiras e São Paulo entre os quatro melhores da competição, equipes eliminadas por Coxa e Avaí, que jogam regionais mais "fracos", como o paranaense e o catarinense. Seriam mais fracos mesmo?
O Avaí apostou na volta de velhos ídolos. O técnico Silas, o meia Marquinhos e o centroavante Willian retornaram ao clube onde se consagraram junto a torcida avaiana em 2009, ano em que o Leão ficou muito perto da vaga na Libertadores. Apesar de ser um time em formação, com várias caras novas, o Avaí joga como um legítimo Leão, marcando muito e fazendo do seu estádio, a Ressacada, um verdadeiro caldeirão.
Já o Ceará também manteve alguns jogadores da campanha do ano passado, como o meia Geraldo e o volante Careca, destaques em um ano no qual se o Vozão não lutou pelo título ao menos passou longe do Z-4. A esses valores somaram-se atletas conhecidos como o goleiro Fernando Henrique (ex-Fluminense) e os atacantes Iarley (ex-Corinthians, Goiás e Inter) e Júnior (finalista da Copa do Brasil e goleador do Vitória em 2010).
Clubes médios, com um bom planejamento e nenhuma badalação. É isso o que Coritiba, Avaí e Ceará têm em comum. Ao contrário de Palmeiras, São Paulo e Flamengo, que contam com atletas como Valdívia, Luís Fabiano e Ronaldinho no elenco, jogadores de altos sálarios e pouco retorno (o Fabuloso sequer chegou a jogar ainda, pois está lesionado desde a sua volta, em 27 de março), os três semifinalistas da Copa do Brasil têm atletas de boa trajetória, alguns promissores que não deram certo em grandes clubes (como Thiago Humberto, ex-Inter, e Rafinha, ex-São Paulo) e outros nomes menos badalados, mas competentes. Essa fórmula pôde ser vista também na Libertadores: Fluminense, Grêmio, Inter e Cruzeiro foram eliminados por equipes com poder financeiro muito mais fraco, assim como a sua capacidade técnica.
O ano de 2012 está apenas na metade. Mas o futebol brasileiro está recebendo uma lição: sálarios cada vez mais altos e jogadores que voltam da Europa desinteressados são a marca do fracasso até agora. Nada garante que esse atletas não darão o retorno esperado e brilharão no segundo semestre. Mas a primeira parte da temporada está para se encerrar, deixando a lição de que planejamento e união valem muito mais do que sálarios altos e atletas renomados no final de carreira.
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