8 de julho de 2014, estádio Mineirão, Belo Horizonte/MG, semifinal da Copa do Mundo 2014 disputada no Brasil. Seleção treinada por Luís Felipe Scolari e escalada com Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho), Oscar, Hulk (Ramires) e Bernard; Fred (Willian).
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| José Maria Marin, ex-presidente da CBF, está preso acusado de corrupção. Foto: Divulgação/CBF |
Estas foram data, local, competição e personagens diretos do maior vexame da história do futebol mundial. O 7 a 1 sofrido para a Alemanha, que completou um ano ontem. Apesar de ficarem marcados na história e de terem sido aqui citados, técnico e jogadores são apenas uma das pontas do iceberg. O maior culpado de tudo isso é a CBF, que vem destruindo o futebol nacional há décadas através de uma administração obscura preocupada com a perpetuação no poder. Nem mesmo o papel ridículo diante dos alemães na nossa própria casa foi capaz de sensibilizar os comandantes de que há anos rumamos na contramão do futebol moderno. Para surpresa geral, Dunga foi anunciado como técnico e Gilmar Rinaldi, ex-empresário de atletas, como coordenador. O recado dado foi bem claro: nada vai mudar.
E nada mudou. Dentro de campo, me atrevo a dizer que Seleção passou a jogar até menos do que com Felipão por um simples motivo: Dunga não é técnico. Mostrou isso na sua primeira passagem, quando quem acompanhava os treinos afirmava que Jorginho era a cabeça por trás da equipe. E aquele time tinha enormes dificuldades, especialmente quando precisava propor o jogo, porque jogava basicamente no contra-ataque e no erro do adversário. Quem lembra de um emblemático 0 a 0 contra a Bolívia, no Engenhão/RJ, em 2008, pelas eliminatórias para a Copa da África do Sul? Com o novo auxiliar Andrey Lopes, o "Cebola", veio o fracasso no Inter e uma nova e inexplicável oportunidade na Seleção. Antes da Copa América, foram 10 jogos e 10 vitórias! Apesar do grande (?) resultado, de nada estes jogos serviram para a formação de uma equipe, como pudemos acompanhar durante a Copa América.
O Brasil de Dunga não tem nada: não tem jogadas ensaiadas, não tem uma defesa confiável (embora tenha os defensores mais caros), não tem criatividade, joga engessada, não tem variação de jogadas, não tem um ataque forte... É uma equipe que fica trocando passes lentamente, na qual os volantes não saem do lugar, os laterais eventualmente sobem e que sobrevive de lampejos individuais, geralmente, de Neymar, que nem sempre está inspirado e não mantém o mesmo nível do Barcelona porque não joga com companheiros do mesmo nível. Sim, a safra de atletas não é mais a mesma, não temos o principal craque do mundo e temos coadjuvantes inferiores às principais potências (Exemplo da Argentina: não temos Aguero, Tévez e Di María para assistir Neymar (Messi), por exemplo). Mas a safra de jogadores não pode ser desculpa para uma equipe simplesmente não saber o que fazer com a bola. Perder faz parte, é um dos resultados possíveis no futebol e, sinceramente, é o que menos me incomoda. Triste é ver uma Seleção Nacional no comando de dirigentes pouco ou nada preocupados com o futebol e sob o comando de alguém despreparado e jogado aos leões.
A derrota para a Alemanha não foi uma simples combinação de "deu tudo errado para a gente e tudo certo para eles". Foi a demonstração clara e cruel de que não estamos fazendo futebol como ele deve ser feito. Treze anos após a instituição de pontos corridos voltamos a discutir mata-mata no campeonato nacional, o que devia estar totalmente superado; as eleições na CBF e nas federações locais seguem um sistema arcaico amplamente favorável a manutenção de quem está no poder; Estaduais ocupam grande parte do calendário, atrapalhando o começo de temporada das principais equipes, sendo que as menores continuam sem ter um calendário de jogos atrativos durante o ano inteiro; dívidas dos clubes seguem crescendo. Como se não bastasse tudo isso, o ex-presidente da CBF, que estava à frente da confederação durante a Copa, foi preso por corrupção. Se administrativamente esse é o cenário do futebol brasileiro, o que podemos esperar?
